Por Marta Teixeira
Conheça
as expectativas do Brasil
em cada modalidade |
|
Atletismo -
Brasileiros
chegam ao Rio com "melhor preparação
da história"
Basquete - Tri
e despedidas garantem a emoção nas
quadras
Badminton -
No
badminton, experiência masculina é
esperança de medalha
Beisebol - Brasil
testa experiência internacional para tentar
pódio inédito
Boliche - Sem
público, boliche tentará medalha
inédita
Boxe - Confiança
reforçada para ampliar medalhas de Santo
Domingo
Canoagem - Na
canoagem brasileira, “o ouro é só
um detalhe”
Caratê
- Preparação
é aposta carateca para garimpar ouro no
Pan
Ciclismo - No
ciclismo, maior esperança de medalha é
na estrada
Esgrima - Após
inúmeros entraves, esgrima tenta fim de
jejum
Esqui aquático
- Wake
e esqui convivem com ânsia da primeira medalha
Futebol - Esnobado,
Pan vê time sub-17 fazer vezes de anfitrião
Futsal - Ainda
sem Olimpíadas, modalidade aproveita pelo
menos o Pan
Ginástica artística
- Seleção
evita favoritismo em vestibular para o Mundial
Ginástica rítimica
- Renovado,
Brasil defende soberania de quase uma década
Ginástica de
trampolim - Ganhar
prestígio junto ao COB é meta da
modalidade
Handebol - Sob
peso do favoritismo, Brasil põe em quadra
escola espanhola
Hipismo/Adestramento
- Com
mudança de última hora, adestramento
luta por medalha
Hipismo/CCE
- Brasil
busca medalha e vaga olímpica no CCE
Hóquei sobre
grama - Depois
de muita polêmica, importante mesmo é
participar
Judô -
De
olho no Mundial, Brasil busca domínio no
tatame
Levantamento de peso
- Mesmo
com 15 atletas, expectativa é apenas legado
Lutas - Modalidade
planeja mais que medalha com Antoine Jaoude
Maratonas aquáticas
- Poliana
Okimoto é esperança de primeira
medalha
Nado sincronizado
- Em
expansão, modalidade aposta em pódio
Natação
- Participação
com recorde é a meta no Rio
Patinação
- Estréia
em Pan motiva equipe de velocidade
Pentalo moderno
- Investimento
de olho em passaporte para Pequim-2008
Pólo aquático
- Preparação
motiva, mas não ilude modalidade
Remo - Remadas
na Lagoa para quebrar jejum de ouro
Saltos ornamentais
-Para
saltadores, ordem é evitar promessa de
medalhas
Softbol - Softbol
espera medalha para coroar planejamento do Pan
Squash - Mais
experiente, homens planejam troca da prata por
ouro
Taekwondo - Em
evolução, taekwondo confia em melhor
participação da história
Tênis -
Sem
Guga, nova geração tenta se firmar
em casa
Tênis de mesa
- Tênis
de mesa luta por recordes pessoais e vagas olímpicas
Tiro com arco
- Colado
no Mundial, Pan perde status para arqueiros
Tiro esportivo
- Vagas
olímpicas são incentivo a mais para
atiradores
Triatlo - Em
casa, triatletas tentam manter tradição
de pódio
Vela - Anfitriões
entram favoritos a três medalhas de ouro
Vôlei
- Qualquer
coisa menos que o ouro será zebra
Vôlei de praia
- Na
areia, vôlei também carrega obrigação
de fazer bonito
|
Participação histórica, resultado
idem, polêmicas que ainda vão dar pano para manga e uma
indisfarçável ambição futura marcam o início da 15ª edição
dos Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro. A cerimônia
de abertura às 17 horas desta sexta-feira,
no estádio do Maracanã, é o começo de mais uma etapa em
um projeto que só vai ser concluído de fato com a conquista
brasileira do direito de realizar os Jogos Olímpicos de
2016.
O Rio já apresentou sua candidatura e tem angariado
apoio nas Américas, inclusive do presidente da Organização
Desportiva Pan-americana, Mário Vázques Raña. Organizar
um Pan-americano memorável é a arma para convencer os
olhos estrangeiros que o país tem competência para receber
os principais eventos internacionais.
De quebra, o sucesso do Pan ainda coloca um pouco
mais de fôlego à candidatura nacional pela Copa do Mundo
de 2014. Mas este já é outro departamento.
Durante os 19 dias de competição – na prática o torneio
teve início nesta quinta-feira com os primeiros jogos
de futebol feminino – a capital fluminense vai receber
cerca de 5.500 atletas, competindo em 34 modalidades.
As novidades do programa no Brasil são o futsal, cuja
campanha para se tornar esporte olímpico sofreu um baque
com o anúncio que deixará o pan-americano na próxima
edição, e ginástica de trampolim.
Das 42 nações representadas, obviamente o Brasil é
a maior. País-sede, teve vaga assegurada em todas as
modalidades e não quis desperdiçar nenhuma oportunidade.
Sem tradição no Brasil e com poucos praticantes profissionais,
patinação de velocidade e hóquei na grama driblaram
obstáculos estruturais para se manter na disputa.
Contrastando com esta realidade, o Brasil aguarda
grandes resultados de seus gigantes esportivos. Referência
em nível internacional, modalidades como vôlei, judô,
natação, atletismo e ginástica figuram entre as principais
esperanças de ouro e contribuição para o sonhado resultado
histórico.
Outros esportes têm chance olímpica no Rio. Handebol,
nado sincronizado, saltos e CCE no hipismo, pentatlo,
pólo aquático, tênis de mesa, triatlo, hóquei na grama
e tiro esportivo distribuem vagas para os Jogos de Pequim-2008.
Além disso, em natação e atletismo funcionará como competição
para os atletas buscarem índice.
Com uma motivação imediata ou a longo prazo, todos
têm papel fundamental na ambição do Comitê Olímpico
Brasileiro (COB) de desbancar o Canadá da terceira colocação
na classificação geral. Nem mesmo os esportes ‘nanicos’,
aqueles que só ganham visibilidade na época de eventos
como o Pan, escapam da expectativa.
Após um inédito ciclo de preparação com auxílio de
recursos públicos regulares (oriundos da Lei Agnelo/Piva,
que destina parte da renda das loterias para o esporte),
o coordenador técnico do COB e chefe de missão no Pan,
Marcus Vinícius Freire, aposta: “acho que vamos ter
algumas surpresas agradáveis”.
Nos Jogos de Santo Domingo-2003, o Brasil terminou
na quarta colocação geral com 123 medalhas – 29 ouros,
40 pratas e 54 bronzes – contra 128 dos canadenses –
29 ouros, 57 pratas e 42 bronzes. Superar os canadenses
vai requerer apenas um ouro a mais ou 17 vice-campeonatos
extras.
Ambicioso nas competições, o projeto brasileiro do
Pan também não poupou esforços, ou recursos, nas sedes.
Cartão de visitas do país, as instalações esportivas
receberam atenção extra nos Jogos. Quatro foram construídas
especialmente para o evento: Arena Olímpica do Rio,
Parque Aquático Maria Lenk, Velódromo e Estádio Olímpico
João Havelange (este último, mais uma prova que a ambição
esportiva dos dirigentes nacionais não esquece nem por
um momento a candidatura da Copa).
A organização mantém em segredo o custo total do evento.
Sempre que questionado sobre o assunto, o presidente
do COB e do Comitê Organizador dos Jogos (CO-Rio), Carlos
Arthur Nuzman, responde da mesma forma: cada esfera
envolvida comunica seus gastos.
Mas nem entre eles há um consenso orçamentário. No
início da semana, o ministro dos Esportes, Orlando Silva,
colocou a conta do Pan em quase R$ 3,5 bilhões, cálculo
sempre rebatido pelas outras esferas do governo e também
pelo CO-Rio.
O argumento é que a União mistura investimentos estruturais,
como o empréstimo para a construção da Vila Pan-americana,
elogiada como de nível olímpico, com gastos diretos
no evento. Mas um cálculo rápido no que já foi divulgado
até agora prova que muito dinheiro saiu de vários bolsos.
| Números
do Pan |
| Esportes:
34 (28 olímpicos e seis não olímpicos)
Modalidades: 43
Delegações: 42
Atletas: 5.500
Brasileiros: 659 (373 homens
e 286 mulheres)
Membros de delegações: 2.000
Sedes: 15 (incluindo a Vila Pan-americana)
Novas instalações: 4 (Arena Olímpica,
Parque Aquático Maria Lenk, Velódromo e Estádio
Olímpico João Havelange)
Gastos estimados:
Complexo do Maracanã: R$ 252 milhões
João Havelange: R$ 350 milhões
Parque Aquático: R$ 74.827,418,63
Arena Olímpica: 119.137.426,53
Segurança (apenas do Governo Federal) - R$ 562
milhões |
As reformas no Complexo do Maracanã, responsabilidade
do Governo Estadual, estão estimadas em R$ 252 milhões,
muito acima dos iniciais R$ 17,9 milhões programados
em 2003. A Prefeitura, somente em novos equipamentos,
injetou R$ 350 milhões no João Havelange, R$ 74.827,418,63
no Parque Aquático, R$ 119.137.426,53 na Arena Olímpica
e pouco menos de R$ 10 milhões no velódromo.
À União coube, pelos cálculos
do Ministério, R$ 1,83 bilhão, sendo R$ 698 milhões
em estruturas e R$ 562 milhões em segurança. O Governo
Federal contribuiu também com repasses orçamentários tanto
para o Município quanto para o Estado do Rio de Janeiro.
Orlando Silva acha que a conta poderia ter ficado
mais baixa. As outras partes não concordam. Os rumores
de bastidores de várias comissões para investigar as
despesas após a conclusão do evento indicam que o assunto
ainda vai ter muitos desdobramentos após o dia 29, quando
termina a ‘grande festa do esporte nacional’.
|