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12/07/2007
Fotos Gazeta Press

Por Marta Teixeira

Conheça as expectativas do Brasil
em cada modalidade

Atletismo - Brasileiros chegam ao Rio com "melhor preparação da história"

Basquete - Tri e despedidas garantem a emoção nas quadras

Badminton - No badminton, experiência masculina é esperança de medalha

Beisebol - Brasil testa experiência internacional para tentar pódio inédito

Boliche - Sem público, boliche tentará medalha inédita

Boxe - Confiança reforçada para ampliar medalhas de Santo Domingo

Canoagem - Na canoagem brasileira, “o ouro é só um detalhe”

Caratê - Preparação é aposta carateca para garimpar ouro no Pan

Ciclismo - No ciclismo, maior esperança de medalha é na estrada

Esgrima - Após inúmeros entraves, esgrima tenta fim de jejum

Esqui aquático - Wake e esqui convivem com ânsia da primeira medalha

Futebol - Esnobado, Pan vê time sub-17 fazer vezes de anfitrião

Futsal - Ainda sem Olimpíadas, modalidade aproveita pelo menos o Pan

Ginástica artística - Seleção evita favoritismo em vestibular para o Mundial

Ginástica rítimica - Renovado, Brasil defende soberania de quase uma década

Ginástica de trampolim - Ganhar prestígio junto ao COB é meta da modalidade

Handebol - Sob peso do favoritismo, Brasil põe em quadra escola espanhola

Hipismo/Adestramento - Com mudança de última hora, adestramento luta por medalha

Hipismo/CCE - Brasil busca medalha e vaga olímpica no CCE

Hóquei sobre grama - Depois de muita polêmica, importante mesmo é participar

Judô - De olho no Mundial, Brasil busca domínio no tatame

Levantamento de peso - Mesmo com 15 atletas, expectativa é apenas legado

Lutas - Modalidade planeja mais que medalha com Antoine Jaoude

Maratonas aquáticas - Poliana Okimoto é esperança de primeira medalha

Nado sincronizado - Em expansão, modalidade aposta em pódio

Natação - Participação com recorde é a meta no Rio

Patinação - Estréia em Pan motiva equipe de velocidade

Pentalo moderno - Investimento de olho em passaporte para Pequim-2008

Pólo aquático - Preparação motiva, mas não ilude modalidade

Remo - Remadas na Lagoa para quebrar jejum de ouro

Saltos ornamentais -Para saltadores, ordem é evitar promessa de medalhas

Softbol - Softbol espera medalha para coroar planejamento do Pan

Squash - Mais experiente, homens planejam troca da prata por ouro

Taekwondo - Em evolução, taekwondo confia em melhor participação da história

Tênis - Sem Guga, nova geração tenta se firmar em casa

Tênis de mesa - Tênis de mesa luta por recordes pessoais e vagas olímpicas

Tiro com arco - Colado no Mundial, Pan perde status para arqueiros

Tiro esportivo - Vagas olímpicas são incentivo a mais para atiradores

Triatlo - Em casa, triatletas tentam manter tradição de pódio

Vela - Anfitriões entram favoritos a três medalhas de ouro

Vôlei - Qualquer coisa menos que o ouro será zebra

Vôlei de praia - Na areia, vôlei também carrega obrigação de fazer bonito

Participação histórica, resultado idem, polêmicas que ainda vão dar pano para manga e uma indisfarçável ambição futura marcam o início da 15ª edição dos Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro. A cerimônia de abertura às 17 horas desta sexta-feira, no estádio do Maracanã, é o começo de mais uma etapa em um projeto que só vai ser concluído de fato com a conquista brasileira do direito de realizar os Jogos Olímpicos de 2016.

O Rio já apresentou sua candidatura e tem angariado apoio nas Américas, inclusive do presidente da Organização Desportiva Pan-americana, Mário Vázques Raña. Organizar um Pan-americano memorável é a arma para convencer os olhos estrangeiros que o país tem competência para receber os principais eventos internacionais.

De quebra, o sucesso do Pan ainda coloca um pouco mais de fôlego à candidatura nacional pela Copa do Mundo de 2014. Mas este já é outro departamento.

Durante os 19 dias de competição – na prática o torneio teve início nesta quinta-feira com os primeiros jogos de futebol feminino – a capital fluminense vai receber cerca de 5.500 atletas, competindo em 34 modalidades. As novidades do programa no Brasil são o futsal, cuja campanha para se tornar esporte olímpico sofreu um baque com o anúncio que deixará o pan-americano na próxima edição, e ginástica de trampolim.

Das 42 nações representadas, obviamente o Brasil é a maior. País-sede, teve vaga assegurada em todas as modalidades e não quis desperdiçar nenhuma oportunidade. Sem tradição no Brasil e com poucos praticantes profissionais, patinação de velocidade e hóquei na grama driblaram obstáculos estruturais para se manter na disputa.

Contrastando com esta realidade, o Brasil aguarda grandes resultados de seus gigantes esportivos. Referência em nível internacional, modalidades como vôlei, judô, natação, atletismo e ginástica figuram entre as principais esperanças de ouro e contribuição para o sonhado resultado histórico.

Outros esportes têm chance olímpica no Rio. Handebol, nado sincronizado, saltos e CCE no hipismo, pentatlo, pólo aquático, tênis de mesa, triatlo, hóquei na grama e tiro esportivo distribuem vagas para os Jogos de Pequim-2008. Além disso, em natação e atletismo funcionará como competição para os atletas buscarem índice.

Com uma motivação imediata ou a longo prazo, todos têm papel fundamental na ambição do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) de desbancar o Canadá da terceira colocação na classificação geral. Nem mesmo os esportes ‘nanicos’, aqueles que só ganham visibilidade na época de eventos como o Pan, escapam da expectativa.

Após um inédito ciclo de preparação com auxílio de recursos públicos regulares (oriundos da Lei Agnelo/Piva, que destina parte da renda das loterias para o esporte), o coordenador técnico do COB e chefe de missão no Pan, Marcus Vinícius Freire, aposta: “acho que vamos ter algumas surpresas agradáveis”.

Nos Jogos de Santo Domingo-2003, o Brasil terminou na quarta colocação geral com 123 medalhas – 29 ouros, 40 pratas e 54 bronzes – contra 128 dos canadenses – 29 ouros, 57 pratas e 42 bronzes. Superar os canadenses vai requerer apenas um ouro a mais ou 17 vice-campeonatos extras.

Ambicioso nas competições, o projeto brasileiro do Pan também não poupou esforços, ou recursos, nas sedes. Cartão de visitas do país, as instalações esportivas receberam atenção extra nos Jogos. Quatro foram construídas especialmente para o evento: Arena Olímpica do Rio, Parque Aquático Maria Lenk, Velódromo e Estádio Olímpico João Havelange (este último, mais uma prova que a ambição esportiva dos dirigentes nacionais não esquece nem por um momento a candidatura da Copa).

A organização mantém em segredo o custo total do evento. Sempre que questionado sobre o assunto, o presidente do COB e do Comitê Organizador dos Jogos (CO-Rio), Carlos Arthur Nuzman, responde da mesma forma: cada esfera envolvida comunica seus gastos.

Mas nem entre eles há um consenso orçamentário. No início da semana, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, colocou a conta do Pan em quase R$ 3,5 bilhões, cálculo sempre rebatido pelas outras esferas do governo e também pelo CO-Rio.

O argumento é que a União mistura investimentos estruturais, como o empréstimo para a construção da Vila Pan-americana, elogiada como de nível olímpico, com gastos diretos no evento. Mas um cálculo rápido no que já foi divulgado até agora prova que muito dinheiro saiu de vários bolsos.

Números do Pan

Esportes: 34 (28 olímpicos e seis não olímpicos)
Modalidades: 43
Delegações: 42
Atletas: 5.500
Brasileiros: 659 (373 homens e 286 mulheres)
Membros de delegações: 2.000
Sedes: 15 (incluindo a Vila Pan-americana)
Novas instalações: 4 (Arena Olímpica, Parque Aquático Maria Lenk, Velódromo e Estádio Olímpico João Havelange)
Gastos estimados:
Complexo do Maracanã: R$ 252 milhões
João Havelange: R$ 350 milhões
Parque Aquático: R$ 74.827,418,63
Arena Olímpica: 119.137.426,53
Segurança (apenas do Governo Federal) - R$ 562 milhões

As reformas no Complexo do Maracanã, responsabilidade do Governo Estadual, estão estimadas em R$ 252 milhões, muito acima dos iniciais R$ 17,9 milhões programados em 2003. A Prefeitura, somente em novos equipamentos, injetou R$ 350 milhões no João Havelange, R$ 74.827,418,63 no Parque Aquático, R$ 119.137.426,53 na Arena Olímpica e pouco menos de R$ 10 milhões no velódromo.

À União coube, pelos cálculos do Ministério, R$ 1,83 bilhão, sendo R$ 698 milhões em estruturas e R$ 562 milhões em segurança. O Governo Federal contribuiu também com repasses orçamentários tanto para o Município quanto para o Estado do Rio de Janeiro.

Orlando Silva acha que a conta poderia ter ficado mais baixa. As outras partes não concordam. Os rumores de bastidores de várias comissões para investigar as despesas após a conclusão do evento indicam que o assunto ainda vai ter muitos desdobramentos após o dia 29, quando termina a ‘grande festa do esporte nacional’.

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