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Em casa, Brasil bate recorde e
vê Pan das vaias
Da equipe Gazeta Esportiva.Net
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Foto Fernando Pilatos/Gazeta
Press
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| Thiago Pereira faz história no Pan dos
recordes para o Brasil no Rio de Janeiro |
Em sua primeira competição internacional importante
com tempo suficiente para mostrar os benefícios da Lei
Agnelo/Piva, o esporte brasileiro fez bonito. Competindo
em casa, os atletas nacionais superaram e muito as metas
estabelecidas para antes da competição no Rio de Janeiro:
ficar à frente do Canadá no quadro de medalhas, ultrapassar
os 123 pódios obtidos em Santo Domingo-2003 e
superar os 29 ouros conquistados na República Dominicana,
números recordes até então.
É bem verdade que em muitas modalidades os estrangeiros
não competiram com suas equipes principais, baixando
ainda mais o nível técnico do Pan – já abatido pela
falta de investimento da maioria dos países latino-americanos
no esporte. É verdade também que tradicionalmente países
que competem em casa têm uma melhora visível no
desempenho em competições como esta. Porém, não dá para
negar que, apesar de abalos e inúmeros problemas, o
esporte verde-amarelo está em ascensão.
Obviamente isso não significa que o Brasil vai arrebentar
e se tornar a grande surpresa dos Jogos Olímpicos de
Pequim, no ano que vem. Só para se ter uma idéia, depois
da histórica participação de Santo Domingo, os representantes
nacionais angariaram apenas dez medalhas nas Olimpíadas
da Grécia, sendo somente quatro de ouro. Para 2008,
a expectativa é de bons resultados (o que não significa
necessariamente título), apenas em algumas poucas (e
sempre esperadas) modalidades: vôlei, vela, natação,
judô, hipismo, ginástica artística e vôlei
de praia. Mas, por outro lado, o simples fato de o Brasil
já visualizar Cuba como maior rival do continente deve
ser comemorado.
| Análise
das modalidades |
Atletismo -
Recorde é quebrado, mas precisa de ajustes
Badminton
-
Primeira medalha premia balanço positivo
no Pan
Basquete -
Ouro e prata deixam modalidade na liderança
dos coletivos
Beisebol
-
No meio da lama, esporte fica entre desorganização
e decepção
Boliche -
Medalha e visibilidade são destaques do boliche
brasileiro
Boxe -
País dá salto de qualidade e festeja
primeiro ouro desde 1963
Canoagem -
Recordes, um ouro e fim de jejum na canoa brasileira
Caratê -
Tri de Lucélia impulsiona sonho de virar
esporte olímpico
Ciclismo -
Felicidade com recorde de pódios, mas podia
ser melhor
Esgrima -
Brasileiros derrubam jejum e conquistam medalha
feminina
Esqui aquático
-
Ouro de Marreco no wakebord salva participação
apagada
Futebol -
Sucesso das mulheres ameniza fracasso dos garotos
Futsal -
Título inédito quebra jejum, mas pode
ser o único da história
Ginástica artística
-
Fim do tabu e superioridade inédita masculina
Ginástica rítmica
-
Brasil repete 2003 e ganha três ouros no conjunto
Handebol
-
Seleções cumprem objetivo e conquistam
ouros no Pan
Hipismo/Adestramento
-
Bronze coroa trabalho da equipe brasileira
Hipismo/CCE -
Vaga olímpica vira a maior conquista da modalidade
Hipismo/Saltos
- Apesar
da polêmica, Brasil retoma domínio
na equipe
Hóquei sobre grama
-
Saldo negativo de 109 gols e muito vexame
Judô -
Judocas igualam recorde, mas ficam abaixo de meta
Levantamento de peso
-
Medalha de bronze supera expectativas
Lutas -
Melhor participação, mas sem o brilho
esperado
Maratonas aquáticas
-
Bronze no masculino e prata no feminino
Nado
sincronizado -
Desempenho consolida Brasil como terceira força
Natação
-
Thiago Pereira comanda show de recordes no Maria
Lenk
Patinação
-
Atuação da artística salva
participação da patinação
no Pan
Pentalo moderno
-
Ouro feminino, vaga olímpica e alegria de
sobra
Pólo aquático
-
Surpresa positiva e negativa no Rio
Remo
-
Com metade das medalhas, remo amarga queda no Rio
Saltos ornamentais
-
Dois pódios e performance abaixo de 2003
Softbol -
Uma vitória salva Pan das "meninas do
calendário"
Squash
-
Bronze por equipes é único consolo
para brasileiros
Taekwondo
-
Desempenho histórico não diminui insatisfações
Tênis
- Sem
concorrência, tênis volta a subir ao pódio do Pan
Tênis de mesa
-
Ouro por equipes garante Pan histórico
Tiro
com arco -
Brasileiros mantêm jejum de medalhas no Rio
Tiro esportivo
-
Torcida pesa e "explica" desempenho ruim
Trampolim acrobático
-
Giovanna leva bronze, mas outros decepcionam
Triatlo
-
Mulheres decepcionam e Juraci salva esporte de vexame
Vela -
Falta de ventos e arbitragem prejudica representantes
do Brasil
Vôlei -
Vôlei
alterna sensação de alívio
e decepção
Vôlei de praia
-
No Pan, enfim, país celebra seus "reis
da praia" |
Ao término do Rio-2007, os brasileiros somaram apenas
cinco ouros a menos que os cubanos e nada menos que
15 a mais que o Canadá. Na soma total de pódios, o Brasil
ficou com a segunda colocação, com 161 medalhas, 26
a mais do que os cubanos, algo que jamais havia obtido
na história do Pan. Por algumas horas, os representantes
verde-amarelos chegaram até mesmo a ocupar a segunda
colocação do quadro de medalhas – fato que, admite o
chefe de delegação do Brasil, Marcus Vinícius Freire,
foi ajudado pela composição do calendário no Rio de
Janeiro.
“Nós realmente esperávamos uma avalanche de medalhas de Cuba depois das finais dos boxes, das lutas e da canoagem, que foram algumas das últimas a serem disputadas. Em Winnipeg, por exemplo, as provas de canoagem foram antes da cerimônia de abertura, então eles já começaram bem à frente, não tivemos nem chance”, explica o dirigente, bastante contente com o desempenho verde-amarelo. “Fizemos o esperado: superamos 29 medalhas de ouro, 123 no total e ficamos em terceiro na classificação geral. Também não podemos nos esquecer que terminamos em segundo no número total de medalhas e que das 44 modalidades em disputa, medalhamos em 38”, destaca.
Apesar de inesperadas conquistas no badminton, pentatlo
moderno, boliche, luta greco-romana e trampolim acrobático,
Freire prefere não apontar nenhuma medalha surpreendente.
“Acredito que nós não tivemos muitas surpresas. O que
aconteceu é que as modalidades que consideramos carros-chefe
fizeram seus trabalhos bem-feitos, caso do judô, da
ginástica e da natação”, explicou.
Os números dão razão a Marcus Vinícius. Juntos, atletismo,
ginástica, judô, natação e vela conquistaram 83 das
161 medalhas verde-amarelas, ou seja, 51,55% do total.
Todas do quinteto, exceto a vela, contam com apoio forte
de empresas estatais. A Caixa Econômica Federal, por
exemplo, apóia a ginástica e o atletismo. O judô conta
com o apoio da Infraero e a natação dos Correios. Nos
esportes coletivos em que o Brasil também levou medalha,
a mão do governo também está presente: a Petrobras ajuda
o handebol; a Eletrobras, o basquete; os Correios, o
futsal; e o Banco do Brasil ajuda a impulsionar o vôlei
e o vôlei de praia.
Patrocínios privados, caso da Oi, Scania, Samsung, Bombril, Pão de Açúcar e BM&F, ainda estão bem abaixo do desejado. E é justamente este panorama que Marcus Vinícius espera mudar. “Quero que o Pan seja um divisor de águas. Espero que os empresários acreditem que há modalidades que não precisam de muito dinheiro para evoluir”, comenta o dirigente, que agora volta os olhos para as Olimpíadas.
“Na verdade, a preparação para Pequim já começou.
E, assim como no Pan, vamos ter a nossa melhor preparação
da história, já que em Atenas a Lei Agnelo/Piva tinha
pouco tempo. E eu espero que os resultados apareçam”,
sonha o dirigente, que tem a dura missão de evitar que
os brasileiros repitam a queda brusca vista, por exemplo,
na Argentina, que em Mar del Plata-1995 conseguiu 40
ouros e no Rio-2007 apenas 11.
Antes mesmo da disputa direta no quadro de medalhas, a rivalidade com os cubanos
dava sinais de acirramento justamente onde ela é mais
tradicional: o vôlei feminino. Depois da derrota para
Cuba na decisão da modalidade, a torcida reforçou ainda
mais as vaias para os cubanos, que já estavam entalados
na garganta desde horas antes, quando a arbitragem deu
vitória a Oscar Brayson em polêmica luta contra o judoca
brasileiro João Gabriel Schlitter.
A “rixa” chegou à pancadaria com outra decisão polêmica
da arbitragem no judô, onde Érika Miranda perdeu o ouro
para a cubana Sheila Espinosa. Revoltada, a torcida
no Complexo Riocentro começou a jogar copos e papéis
na arena, enquanto as atletas deixavam o local. A briga
se estendeu para a área destinada à delegação cubana,
gerando agressões físicas e verbais de ambas as partes.
Na hora do pódio, mesmo com os atletas entrando de mãos
dadas e pedindo paz, a torcida do Brasil ficou de costas
durante a execução do hino de Cuba, em sinal de protesto.
As vaias, aliás, foram uma constante neste Pan, começando
logo na cerimônia de abertura, quando o presidente Lula
e as delegações de Estados Unidos, Bolívia e Venezuela
foram hostilizadas. Depois, o mesmo aconteceu em disputas
dos esportes coletivos, ginástica, taekwondo, atletismo
e saltos ornamentais, culminando em críticas oriundas
até mesmo de atletas do Brasil. "Fiquei muito mal
com isso, tive que justificar o tempo todo com os atletas
estrangeiros. Assim, o Brasil não vai trazer
mais competições desse nível. Tem
que mudar a cultura do povo", desabafou Ivan Silva,
sétimo colocado no decatlo.
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