A prata que machuca
e decepciona
Por Emanuel Colombari,
especial para GE.Net
O Brasil deixa o Pan do Rio de Janeiro com 54 medalhas
de ouro, 40 de prata e 67 de bronze. Mesmo tendo sido
a melhor participação do país na história dos Jogos Pan-americanos,
o desempenho poderia ter sido ainda melhor se alguns imprevistos
não tivessem atrapalhado os planos dos atletas brasileiros.
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Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta
Press
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| Na prorrogação, Natália vê
ouro escapar e se emociona com a medalha de prata |
O principal exemplo é o de Natalia Falavigna,
que ficou com a prata da categoria acima de 67kg do
taekwondo. Estreante nos Jogos, a paranaense era uma
certeza de medalha de ouro até a decisão, quando enfrentou
a mexicana Rosario Espinoza e liderou o combate até
os segundos finais. Porém, em duelo que envolvia duas
campeãs mundiais da modalidade, a mexicana conseguiu
empatar e acabou levando a melhor na prorrogação, que
terminou com uma derrota por 2 a 1 para Natália.
Em nota no dia 17 de julho, data da luta da brasileira, a própria Confederação Brasileira de Taekwondo havia dito que Natália não se considerava favorita, alegando que “todos os países são fortes candidatos ao ouro”. Mesmo assim, não faltou reclamação contra os árbitros e lamentos por parte da taekwondista brasileira, que desabou em prantos após a final.
Mas o exemplo de Natália não foi o único de uma prata
com sabor amargo. Na despedida de Janeth, o basquete
feminino perdeu a final em casa para as norte-americanas,
em jogo que era vencido pelo Brasil por 53 a 49 até
o início do período final.
A expectativa em casa era de faturar a medalha de
ouro, mas ainda há motivos para reclamação: depois do
bronze conquistado em 2003, foi o melhor resultado das
meninas do Brasil desde o Pan de 91, quando Hortência
e Paula comandaram a geração que deu a última
medalha de ouro ao país no evento. E isso levando em
conta que os EUA trouxeram um time formado basicamente
por universitárias.
Mesmo o atletismo, sempre responsável por uma grande
carga de medalhas em Pan-americanos, teve algumas surpresas
desagradáveis no Rio de Janeiro. No salto triplo masculino,
Jefferson Sabino era presença certa no pódio, mas o
bronze foi para o cubano Yoandris Betanzos por uma diferença
mínima: 16,90m contra 16,81m. Menos mal que Jadel Gregório
confirmou o favoritismo e ficou com o ouro na prova,
com 17,27m.
Na desgastante prova feminina dos 3.000m com obtáculos,
a expectativa de dobradinha brasileira quase se cumpriu.
Sabine Heitling fez sua parte e conquistou o ouro, mas
a mexicana Talis Apud tirou a prata de Zenaide Vieira,
que teve que se contentar com o bronze.
No levantamento, a medalha bateu na trave duas vezes:
entre as atletas da categoria até 48kg, Aline Campeiro
acabou machucando o joelho durante uma comemoração,
exatamente quando era a segunda colocada na classificação
geral. A lesão tirou a estreante carioca da disputa
exatamente após a prova de arremesso e a levou direto
para a mesa de cirurgia.
Na categoria até 67kg, a perda do bronze foi uma pequena
e inesperada decepção. Depois de empatar com a venezuelana
Vanessa Nuñez no arranque (90 kg) e no arremesso (109
kg), Jaqueline Ferreira perdeu o bronze, pois era mais
pesada que a rival (63,90 kg contra 63,65 kg). Porém
o mesmo critério acabou dando a mesma medalha
para Fabrício Mafra na categoria até 105kg.
Até mesmo o badminton, que chegou ao Rio de Janeiro
em busca da primeira medalha em Pan-americanos, teve
motivos para lamentar. Apesar de ter conquistado o bronze
com Guilherme Pardo e Guilherme Kumasaka nas duplas
masculinas, o Brasil deixou escapar a chance de repetir
o feito com Thayse Cruz e Paula Beatriz Pereira, eliminadas
nas quartas-de-final das duplas femininas.
Como o badminton dá medalhas de bronze para os competidores eliminados nas semifinais, uma simples vitória nas quartas garantiria a dupla no pódio do Pan. De quebra, Paula ainda caiu também nas quartas-de-final da chave individual, perdendo por 21/5 e 21/17 para a norte-americana Eva Lee – que conquistou a medalha de ouro na disputa. |