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Arbitragem da discórdia
e sempre culpada
Por Theo Ruprecht, especial
para a Gazeta Esportiva.Net
| Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta
Press |
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| info da foto |
Os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro deixaram
claro que a arbitragem das Américas ainda precisa evoluir.
Entre reclamações e confusões causadas por decisões
polêmicas dos juízes, fica a impressão de que
o quadro de medalhas poderia ter outros números.
Um dos fatos mais marcantes aconteceu na categoria meio-leve do judô feminino. Depois de empatarem no tempo normal, a brasileira Érika Miranda e a cubana Sheila Espinosa foram para a prorrogação, com o golden score, onde o árbitro dominicano Juan Chalas puniu a judoca do Brasil por um falso ataque. A decisão deixou a medalha de ouro com Cuba e irritou os torcedores, que começaram a atirar copos e papéis em direção à cubana e aos árbitros.
A partir daí, uma confusão entre a delegação cubana
e a torcida aconteceu nas arquibancadas, envolvendo
também Eduardo Costa, interventor da Federação Cearense
de Judô, que foi punido pelo COB. Para ele, tudo aconteceu
por conta da “péssima qualidade da arbitragem no Pan”.
Alegando insegurança, os árbitros deixaram o local dos
confrontos e fizeram uma reunião para saber se as disputas
seriam reiniciadas. Com a ajuda dos próprios atletas,
que pediram calma ao público, os duelos restantes puderam
ser realizados.
As reclamações no judô não pararam por aí. No confronto
entre o cubano Oscar Brayson e João Gabriel Schlliter
na categoria pesado, a situação chegou a ser cômica.
O juiz deu a vitória para o brasileiro, mas percebeu
que os árbitros de cadeira haviam decidido a favor do
judoca de Cuba e teve de voltar atrás, declarando Brayson
como vencedor do embate. Depois questionou-se o fato
de um bandeira ser cubano naturalizado norte-americano.
A disputa da Hobie Cat 16 também foi recheada de polêmicas. Depois do cancelamento das duas regatas, os brasileiros Bernardo Arndt e Bruno Oliveira tinham pontuação suficiente para garantir o ouro sem necessidade da disputa da Medal Race, última etapa que vale o dobro de pontos das outras.
No entanto, outros cinco competidores protestaram contra os atletas do Brasil, alegando que uma das peças do barco estava fora dos padrões da competição. O problema seria em uma peça que fica no topo do mastro que, no barco dos brasileiros, é de alumínio. Nas outras embarcações, a mesma peça é de carbono. A organização aceitou o argumento e, mesmo depois de um recurso, manteve a decisão, desclassificando os brasileiros do Pan.
Decepcionado com a decisão, Arndt lamentou a atitude tomada pela organização e avisou que não compete mais na classe. “Vou abandonar essa classe, não quero mais. Inclusive, vou vender o meu barco”, disparou.
O boxe também foi manchado pela atuação da arbitragem.
Mas pelo menos houve reparação no caso de Davi Souza.
O pugilista vencia Carlos Zambrano até os últimos segundos
do quarto assalto, quando o peruano conseguiu encaixar
dois golpes e deixar o duelo empatado em 5 a 5.
Na decisão dos árbitros, foi dada a vitória
para Zambrano. Irritado, o brasileiro prometeu entrar
com um recurso para mudar o resultado do duelo. “Estou
consciente que ganhei a luta. Eu nunca vi um lutador
fazer dois pontos em quatro segundos e depois ganhar
no desempate”, declarou na ocasião.
| Foto Fernando Pilatos/Gazeta
Press |
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| Enquanto cubanas comemoram, Zé Roberto
reclama do último ponto na decisão
feminina de vôlei |
O chefe da equipe de boxe do Brasil, Otílio Toledo,
alegou que os árbitros usaram um critério de pontuação
que ainda não havia entrado em vigor. A organização
do Pan concordou com o argumento e reverteu o resultado,
colocando Davi Souza nas quartas-de-final. O brasileiro
foi eliminado nas semifinais pelo porto-riquenho Abner
Cotto Román e ficou com a medalha de bronze.
Popó também reclamou dos juízes. Apesar de criticar a falta de “malandragem” dos boxeadores brasileiros, ele ressaltou que alguns árbitros deixaram de dar pontos em momentos decisivos.
Outra brasileira que saiu irritada com a arbitragem foi Natalia Falavigna. Na disputa pelo ouro com Rosário Espinoza na categoria acima de 67kg no taekwondo, que também foi para a prorrogação, as duas lutadoras trocaram uma seqüência de golpes e os árbitros deram a vitória para a mexicana, alegando que ela teria acertado sua adversária primeiro.
A delegação brasileira apresentou um recurso à Odepa
(Organização Desportiva Pan-americana) para tentar reverter
o resultado. No entanto, a organização não aceitou,
confirmando o ouro para a mexicana.
Em sua estréia na categoria até 49kg, Valdirene Ferreira foi derrotada pela argentina Lucia López. Na ocasião, ela lamentou a postura da arbitragem. “Não validaram alguns golpes que entraram na argentina e deram ponto para um chute que pegou no meu braço. Fiquei um pouco em dúvida com a marcação”, revelou.
E não foram só os brasileiros que reclamaram no taekwondo. Revoltado com a atuação do porto-riquenho Louis Arroyo após a derrota do venezuelano Carlos Vasquez para o norte-americano Jamos Moontasri, o técnico da seleção masculina da Venezuela foi tirar satisfações com o árbitro. A segurança do local teve que ser ativada para evitar um incidente mais grave.
O carateca Vinícius Silva também teve dúvidas no duelo contra o venezuelano Jean Carlos Pena. “Gostaria de ver a reprise. Fiquei com a impressão de que o ponto era meu, não do venezuelano. Como ele é mais velho e conhecido que eu, parti para o ataque na prorrogação, porque não queria deixar a decisão na bandeirada (decisão dos juízes)”, disparou.
A esgrima também foi alvo de reclamações com relação aos árbitros. Depois de conquistar a medalha de bronze, o esgrimista Renzo Agresta deixou claro a sua insatisfação com a arbitragem da semifinal que disputou contra o canadense Phillipe Beaudry, na qual foi derrotado por 15 a 12. “Na minha opinião, algumas decisões da arbitragem contra mim poderiam ter sido interpretadas de outra maneira”, disparou. A irritação foi tanta que ele se recusou a dar entrevistas logo depois do duelo. Cinco minutos depois, ele voltou à zona mista e pediu desculpas por não ter atendido os jornalistas.
Até no vôlei feminino houve reclamações. Depois do tie-break, quando as cubanas venceram o Brasil por 17 a 15 e ficaram com a medalha de ouro, o treinador José Roberto Guimarães apontou a arbitragem como uma das responsáveis pela derrota. Para ele, o último ponto da seleção de Vuba foi ilegal. “Foi do meu lado. A bola saiu. Tenho que dar os parabéns ao time de Cuba, mas a última bola foi fora”, avaliou.
No entanto, os erros de arbitragem não foram característica exclusiva do Pan
do Rio de Janeiro. Em Santo Domingo-03, entre outros absurdos, a seleção brasileira
de basquete feminino sofreu um “ponto fantasma”. No primeiro quarto do duelo
válido pelas semifinais contra os Estados Unidos, a mesa de anotações deu um
ponto a mais para as norte-americanas. Apesar dos protestos no intervalo e depois
do jogo, a organização não anulou o confronto, que terminou com a derrota da
seleção canarinho por 75 a 69 na prorrogação. |