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Gafes, vexames e problemas no
"melhor" Pan
Por Julio Simões, especial
para Gazeta Esportiva.Net
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Foto Divulgação/COB
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| Hóquei sobre grama: time montado de improviso
pagou caro no Pan |
Os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro terminam
sem registrar problemas graves. Nem a violência
urbana da capital fluminense, nem a possibilidade de
doping prejudicaram o andamento da competição.
Mesmo assim, não foi só de maravilhas
composto o maior evento esportivo das Américas,
que em algumas situações mais parecia
uma disputa colegial.
O hóquei sobre grama brasileiro, por exemplo,
deixou o Pan com a sensação de que não
deveria nem ter entrado em campo. No feminino, o Brasil
sofreu a maior goleada da competição (21
a 0 para a Argentina) e terminou sem ter marcado um
gol sequer. Pior: sofreu 53 gols em cinco jogos, contabilizando
a média de 10,6 gols por partida.
O masculino, por outro lado, conseguiu o feito que
as mulheres não alcançaram: marcar um
gol. O heróico autor foi Picles, que conseguiu
o feito na derrota por 8 a 1 para Trinidad e Tobago.
Mesmo assim, o time levou 57 gols e terminou com a média
de 11,4 sofridos por confronto. Em um cálculo
aproximado, o Brasil sofreu um gol a cada seis minutos, contabilizando
ambas as categorias.
Já outras modalidades sofreram com a deficiência
na infra-estrutura construída para o evento.
Caso principalmente do beisebol e do softbol, que sofreram
com ventos e chuvas, tiveram canceladas as decisões
do bronze e o softbol sequer acabou. As precipitações
também obrigaram o tênis a deixar as instalações
Clube Marapendi para que fosse possível encerrar
a disputa.
No beisebol, o bronze acabou dividido entre Nicarágua
e México, que não poderia ficar mais tempo
no Rio para a disputa, que havia sido adiada devido
às chuvas. O softbol, que antes do início
do Pan ganhou destaque com o ensaio fotográfico
sensual realizado pela seleção brasileira
para divulgar o esporte, precisou interromper as disputas
pelo mesmo motivo. O ouro, então, ficou com os
Estados Unidos, que teve melhor campanha na primeira
fase.
Até o maior símbolo dos Jogos sofreu
com os “fenômenos naturais”.
A tocha pan-americana apagou por cerca de meia hora – também
por culpa da chuva e do forte vento que atingiu o Rio
de Janeiro – e foi reacendida em seguida por
funcionários do Maracanã. Além
disso, a medalha de alguns atletas, como dos judocas
Tiago Camilo e Danielle Zangrando, quebraram e obrigaram
o COB a trocá-las.
O Comitê Olímpico Brasileiro, aliás,
protagonizou uma cena histórica na abertura dos
Jogos. Percebendo a hostilidade da torcida presente
no Maracanã com o presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva, o dirigente máximo
da entidade olímpica, Carlos Arthur Nuzman, tomou
a frente e declarou aberto o evento, prática
que sempre foi realizada por chefes de estado.
O impacto foi tão grande que Lula não
participou da cerimônia de encerramento do Pan.
Os Jogos, aliás, devem ser o principal cartão
de visitas do Brasil para uma futura candidatura à
sede das Olimpíadas. O presidente da Odepa, no
entanto, declarou ter visto pontos positivos e negativos,
mas pediu cautela ao afirmar que o fato de ter
realizado o Pan não credencia o Rio a abrigar
os Jogos Olímpicos no futuro.
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