Cidade do Rock: um
equívoco total na organização
Por Fernando Ferreira
| Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta
Press |
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| Operários tentam sanar os problemas sem
fim da sede de beisebol e softbol nos Jogos |
Um dos objetivos do Rio de Janeiro em organizar os
Jogos Pan-americanos era mostrar que possui condições de abrigar as Olimpíadas de 2016. Pelo que se viu nos últimos 16 dias, a cidade ainda terá que aprender muito caso queira mesmo receber a maior competição esportiva do mundo.
No geral, as instalações do Pan foram elogiadas. O presidente da Organização Desportiva Pan-americana (Odepa), o mexicano Mario Vázquez Raña, deu notas entre 9 e 10 para as arenas. A exceção, porém, foi o Complexo da Cidade do Rock, que recebeu as competições de beisebol e softbol.
No primeiro dia do torneio de beisebol, as partidas noturnas foram canceladas por problemas na iluminação. Depois, com a chuva que desabou no Rio, os campos, que também não possuíam tela de proteção para a platéia, ficaram cheios de lama e rodadas foram constantemente adiadas. No final, a organização precisou dividir a medalha de bronze entre as seleções do México e da Nicarágua.
Público
e imprensa mal tratados |
Em alguns casos, a falha de organização
atingiu os torcedores e os jornalistas que compareceram aos locais de
competições no Rio de Janeiro. Para os profissionais de
imprensa, tribunas pequenas e zonas mistas mal organizadas; já o
público sofreu com problemas nos ingressos.
Antes do Pan, quando a venda de ingressos começou a ser feita
pela Internet, as semifinais de vôlei masculino e feminino não
tinham os horários marcados. Dessa forma, muitos torcedores que
queriam assistir ao Brasil e tinham entradas para os jogos das 15 horas
não puderam entrar nos jogos da seleção, transferido
para as 22 horas.
Pior foi o caso de dois torcedores que acabaram
presos por engano. Eles foram assistir a jogos
de futebol masculino com ingressos sociais,
distribuídos pelo governo do Rio em troca
de alimentos não-perecíveis, e
terminaram dormindo duas noites na cadeia. Isso
aconteceu porque a Força Nacional pensou
que os "meliantes" portavam entradas
falsas, pois os ingressos não tinham
uma tarja de segurança presente nos outros
tíquetes.
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Para o torneio de softbol, as péssimas condições do local foram ainda mais prejudiciais. Um vendaval derrubou as estruturas montadas em tendas de alumínio e lona e adiou a primeira rodada. Com novo cancelamento de partidas, dessa vez por causa das chuvas, o formato da competição foi mudado para diminuir o número de jogos. Apesar dos esforços, as finais não foram disputadas e houve nova divisão de medalhas: Venezuela e Canadá ficaram
com a prata, enquanto os Estados Unidos ficaram com o ouro pela melhor campanha.
Outro local que recebeu críticas foi o Morro do Outeiro, que abrigou as competições de mountain bike e BMX. Na véspera das provas, os ciclistas tiveram de amargar 2h30 de espera para fazer o treino de reconhecimento. Quando a competição começou, mais problemas: o placar eletrônico não funcionou na prova feminina de mountain bike e o telão mostrava apenas imagens de pontos onde a visualização era possível
a olho nu.
A preparação dos voluntários foi algo que também
deixou a desejar. Por mais que tivessem boa vontade,
muitos não sabiam dar informações básicas e agiam
mais como fãs, procurando atletas para tirar fotos.
Vale lembrar que foram gastos mais de R$ 3,5 bilhões
para deixar a cidade do Rio de Janeiro pronta para
convencer dirigentes que pode, enfim, receber um evento
olímpico.