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29/07/2007
Fotos Gazeta Press
"Nanicos" impulsionam Brasil a encostar em Cuba
Por Fernando Ferreira

Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Com apoio de R$ 600, Diogo Silva trouxe o primeiro ouro e espera dias melhores
A terceira posição no quadro geral de medalhas, a cinco ouros da segunda colocada Cuba, deu ao Brasil um desempenho acima do esperado nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. Para chegar a esse resultado, a delegação brasileira contou com o esforço e a dedicação de atletas de esportes “nanicos”, que recebem pouco apoio dos dirigentes e não possuem patrocínio.

O primeiro ouro do Brasil veio do taekwondo, com Diogo Silva, na categoria até 68kg. Com uma “ajuda” de R$ 600 mensais, o atleta desabafou após o título. “A Confederação não dá o que precisamos. Nosso presidente sempre nos olhava como segunda opção”, reclamou Diogo.

No pentatlo moderno, Yane Marques foi a primeira mulher a conquistar um ouro para o Brasil na modalidade em 15 edições do Pan. Sua mãe, que mora em Recife, veio reforçar a torcida no Rio de Janeiro, mas precisou parcelar em seis vezes a passagem de avião. Dificilmente a filha poderá ajudar a quitar a dívida: ganha R$ 500 por mês.

A situação dos caratecas é ainda pior. Responsável por duas medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze no Pan, a seleção brasileira de caratê não recebe verba da Lei Agnelo/Piva por não ser um esporte olímpico. “Toda a comissão técnica é voluntária”, confessou o presidente da Confederação Brasileira de Caratê (CBK), Edgar Ferraz de Oliveira.

A exemplo do arte marcial, outros esportes sem apoio da Lei Piva também foram ao pódio. O boliche obteve um bronze, o esqui aquático faturou um ouro, a patinação artística conquistou um ouro e um bronze, e o futsal foi ouro no Pan.

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