"Nanicos"
impulsionam Brasil a encostar em Cuba
Por Fernando Ferreira
| Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta
Press |
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| Com apoio de R$ 600, Diogo Silva trouxe o primeiro
ouro e espera dias melhores |
A terceira posição no quadro geral de medalhas, a cinco ouros da segunda colocada Cuba, deu ao Brasil um desempenho acima do esperado nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. Para chegar a esse resultado, a delegação brasileira contou com o esforço e a dedicação de atletas de esportes “nanicos”, que recebem pouco apoio dos dirigentes e não possuem patrocínio.
O primeiro ouro do Brasil veio do taekwondo, com
Diogo Silva, na categoria até 68kg. Com uma “ajuda”
de R$ 600 mensais, o atleta desabafou após o título.
“A Confederação não dá o que precisamos. Nosso presidente
sempre nos olhava como segunda opção”, reclamou Diogo.
No pentatlo moderno, Yane Marques foi a primeira
mulher a conquistar um ouro para o Brasil na modalidade
em 15 edições do Pan. Sua mãe, que mora
em Recife, veio reforçar a torcida no Rio de Janeiro,
mas precisou parcelar em seis vezes a passagem de
avião. Dificilmente a filha poderá ajudar a quitar
a dívida: ganha R$ 500 por mês.
A situação dos caratecas é ainda pior. Responsável
por duas medalhas de ouro, duas de prata e três de
bronze no Pan, a seleção brasileira de caratê não
recebe verba da Lei Agnelo/Piva por não ser um esporte
olímpico. “Toda a comissão técnica é voluntária”,
confessou o presidente da Confederação Brasileira
de Caratê (CBK), Edgar Ferraz de Oliveira.
A exemplo do arte marcial, outros esportes sem apoio
da Lei Piva também foram ao pódio. O
boliche obteve um bronze, o esqui aquático
faturou um ouro, a patinação artística
conquistou um ouro e um bronze, e o futsal foi ouro
no Pan.