Badalados e favoritos,
mas sem sucesso
Por Carolina Canossa, especial
para GE.Net
| Foto Fernando Pilatos/Gazeta
Press |
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| Tido como favorito, vôlei feminino cai
no quinto set e, de quebra, vê o sucesso
da rival Cuba |
Os motivos foram inúmeros, mas a verdade é que o Brasil deixou de ganhar pelo menos cinco medalhas de ouro nesta edição dos Jogos Pan-americanos na qual era apontado como favorito: vôlei feminino, futebol masculino, solo na ginástica artística (Daiane dos Santos), categoria meio-médio do judô (Flávio Canto) e classe Laser da vela (Robert Scheidt).
São medalhas cuja falta no final das contas acabaram
pesando no quadro de medalhas: a diferença entre Brasil
e a segunda colocada Cuba foram exatamente cinco ouros.
E uma das perdas que mais doeram para a torcida verde-amarela
foi a das meninas do vôlei, derrotadas por uma renovada
seleção de Cuba na final depois de desperdiçarem nada
menos que seis match points na partida.
“Estaríamos com outra medalha se a gente soubesse o que aconteceu”, resignou-se a ponteira Paula Pequeno, membro de uma seleção que assim como nas Olimpíadas de Atenas e no Mundial do ano passado, tenta “explicar o inexplicável”.
Ao menos os fãs de vôlei podem argumentar que a
seleção feminina chegou até à decisão do título e
lutou até o final com todas as forças. Mas o que dizer
da seleção de futebol, que contando com uma equipe
sub-17, protagonizou um vexame no Maracanã
e foi eliminada em casa na fase inicial do Pan diante
do Equador sub-20?
Destaque da equipe, o meio-campista Lulinha, candidato à estrela do Corinthians, garante que garra não foi o problema. “Teve horas que nós nos desligamos e sentimos muito o gol de empate. Vale pelo aprendizado, pois tenho certeza que vontade não faltou”, destacou o atleta, que chegou a chorar por não ter conseguido trazer a medalha.
Para o técnico Lucho Nizzo, além da diferença de idade, a tática adotada pelos equatorianos e a expulsão do zagueiro Forster aos 16 minutos do segundo tempo podem ter contribuído para a decepção. “Ninguém gosta de perder dessa maneira (em casa, com o Maracanã lotado), mas isso faz parte do futebol. Não podemos é colocar toda a culpa em cima desses garotos, que ainda vão dar muitas felicidades ao futebol brasileiro”, lembrou.
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Foto Fernando Pilatos/Gazeta
Press
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| Porta-bandeira na abertura, Vanderlei Cordeiro
viu o sonho do tri ruir por causa de cãibras |
Problemas físicos também foram responsáveis por dois
“quase” do Brasil. Primeiro, com Daiane dos Santos,
favorita ao ouro do solo na ginástica. A gaúcha torceu
o tornozelo direito dias antes da estréia, mas conseguiu
ajudar o Brasil a ganhar a prata na disputa feminina
por equipes. Porém, com o esforço, acabou torcendo
o tornozelo esquerdo e não teve condições de buscar
o título. “Meu pé está inchado, ruim e dolorido. Realmente
não dava. Tem o Mundial dentro de um mês. Realmente,
a gente tem de se poupar um pouco”, declarou a atleta
na ocasião.
Dias mais tarde, foi a vez de Flávio Canto sofrer com uma contusão inesperada. O judoca sofreu uma luxação no cotovelo direito ao sofrer uma queda durante a semifinal contra o norte-americano Travis Stevens e não pôde sequer brigar pelo bronze. O problema é sério e pode até mesmo tirar o brasileiro da disputa do Campeonato Mundial de Judô, programado para setembro no Rio de Janeiro.
Na vela, o octacampeão mundial e bi olímpico da classe Laser Robert Scheidt sofreu com a falta de ventos no Rio de Janeiro e acabou ficando com a prata, apenas um ponto atrás do campeão o norte-americano Andrew Campbell. “A temporada na classe Star me atrapalhou na Laser, mas também tive um pouco de falta de sorte. Estava crescendo na competição quando as duas regatas de sexta-feira foram canceladas”, lamentou o velejador, que foi campeão mundial de Star no início do mês e pode ter se despedido da Star no Pan – a decisão definitiva depende da classificação ou não para as Olimpíadas de Pequim na nova classe.
Scheidt chegou a vencer a última regata da disputa, realizada no sábado, mas perdeu o título porque Campbell acabou com a segunda colocação nesta última prova. “Foi uma regata aberta, franca, e quase consegui o título. Liderei desde o começo e, próximo do fim, o Campbell estava em quarto, resultado que me daria a medalha de ouro. Mas ele se recuperou e conseguiu chegar em segundo”, lamentou o velejador, que perdeu a chance de se tornar o primeiro brasileiro tetracampeão individual pan-americano.
Quem também perdeu a chance de ganhar mais um título
consecutivo no Pan (no caso, o terceiro) foi o maratonista
Vanderlei Cordeiro de Lima, que passou uma temporada
treinando na altitude da Colômbia, mas acabou abandonando
a maratona por sentir cãimbras. Porém, o ouro neste
caso foi conquistado pelo mineiro Franck Caldeira,
depois de uma incrível arrancada na parte final da
prova. “É claro que seria melhor ganhar uma medalha,
mas saio daqui com a cabeça erguida. Não tem frustração,
estou contente pela vitória do Franck. Essa foi a
vitória do Brasil”, destacou Vanderlei.