Muita quantidade, baixa
qualidade
Por Emanuel Colombari, especial
para GE.Net
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Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta
Press
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| Sete provas no ciclismo de pista, muita discussão
nos bastidores e pouco resultado na prática. |
O calendário dos Jogos Pan-americanos do Rio
de Janeiro foi dividido em 16 dias para acomodar as
disputas de 44 modalidades. Por ser anfitrião,
o Brasil esteve presente em todas as categorias de
todas as provas e faturou medalhas em 38 delas. Mas,
em seis dos esportes, nem mesmo o fato de jogar em
casa ajudou, e o sonho de subir ao pódio teve
que ser adiado para o Pan de Guadalajara-2011.
E se os destinos de beisebol, ciclismo de pista,
hóquei sobre grama, patinação
de velocidade, softbol e tiro com arco foram os mesmos,
os motivos escolhidos para justificar as chances perdidas
no Pan também: falta de apoio institucional.
Sem conseguirem brilhar, os atletas da lista parecem
terem sentido a diferença que faz a estrutura
e o suporte na hora de participarem competições
maiores. E pagaram o pato.
No beisebol, com apenas uma vitória em três
jogos, o Brasil não conseguiu repetir em casa
o quinto lugar conquistado há quatro anos em
Santo Domingo. Ainda pior, o softbol explicou em campo
o resultado da falta de apoio da qual reclamavam as
jogadoras antes do Pan: quatro jogos, três derrotas
(todas na primeira fase), apenas um run convertido
e segunda pior campanha entre as oito equipes que
estiveram no Rio.
No tiro com arco, apesar das limitações
da prática da modalidade no Brasil, a medalha
escapou por apenas um detalhe - ou melhor, por 11
detalhes. A equipe masculina esteve bem próxima
de faturar o bronze, mas acabou superada pelo México
e ficou com o quarto lugar.
O ciclismo de pista foi outro que decepcionou a torcida
no Velódromo, mantendo um jejum que se estende
desde Mar del Plata-1995. Sobraram a quinta colocação
do Brasil na prova masculina de velocidade e a sexta
na perseguição, ambas por equipes masculinas,
como os principais resultados do Brasil em casa, e
muitas acusações ao técnico de
"favorecimento" na escolha de seu filho
para o evento.
Ainda mais triste foi a campanha do hóquei
sobre grama no Pan. Depois de toda a polêmica
e de toda a dificuldade para montar as equipes que
iriam ao Rio, tanto homens quanto mulheres deram
adeus da forma mais melancólica possível:
com derrotas em todos os jogos. Eles tomaram 57 gols
e fizeram um, enquanto elas sofreram 53 e foram embora
sem marcar gols.
Por fim, para os atletas da patinação
em velocidade, de nada adiantou o período
de preparação na Colômbia, treinando
ao lado da principal potência mundial da modalidade.
No Rio, tudo o que o Brasil conseguiu foi o décimo
lugar nas disputas masculina e feminina de distância
combinada, com Douglas Donato e Thalita Arroyo nas
provas de 15000. Nas de velocidade de 500 metros,
Rafael Romano foi nono e Eliete Reis foi 11ª.
Sem tradição, os atletas de tais modalidades
apresentaram os desempenhos mais negativos do Brasil
em casa. Mesmo assim, o país ainda teve resultados
fracos em modalidades como lutas olímpicas,
levantamento de peso e tiro esportivo, na qual as
poucas medalhas podem maquiar a falta de apoio institucional
- público ou particular - para os atletas.
Da lista, apenas as lutas contam com o suporte de
um órgão ligado ao governo federal.