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08/08/2007
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MODALIDADES
Atletismo Badminton Basquete Beisebol Boxe Canoagem Ciclismo Esgrima Futebol Ginástica Artística Ginástica Rítmica Handebol Hipismo Hóquei sobre Grama Judô Levantamento de Peso Lutas Maratonas Aquáticas
Nado Sincronizado Natação Pentatlo Moderno Pólo Aquático Remo Saltos Ornamentais Softbol Taekwondo Tênis Tênis de Mesa Tiro Tiro com Arco Trampolim Acrobático Triatlo Vela Vôlei Vôlei de Praia  

Por Fernando Narazaki

“Ainda não sei quantas provas vou disputar em Pequim, mas vou priorizar as que tenho chances de medalha”. A frase dita pelo nadador Thiago Pereira, após encerrar a participação nos Jogos Pan-americanos, é um privilégio no esporte brasileiro neste momento. A um ano do início das Olimpíadas de Pequim, apenas Thiago e pouco mais de 100 atletas sabem que estarão na China no próximo ano.

Até agora, nove modalidades terão presença de brasileiros nos Jogos: atletismo, futebol masculino, handebol masculino e feminino, hipismo (equipes do adestramento, CCE e saltos), natação, pentatlo moderno, saltos ornamentais, tiro e vela. Porém os únicos nominalmente assegurados em Pequim, salvo alguma contusão, são a pernambucana Yane Marques, do pentatlo moderno, o brasiliense César Castro, dos saltos ornamentais, o paulista Stênio Yamamoto e o carioca Júlio Almeida, ambos no tiro.

Mas dificilmente nomes como Jadel Gregório, Maurren Higa Maggi e Keila Costa (do atletismo) ou os nadadores César Cielo, Rebeca Gusmão, Flávia Delaroli e Thiago Pereira (que tem índice em cinco provas individuais) terão suas marcas superadas até o final da seleção. Já o restante terá de conquistar o seu lugar na equipe, manter-se com um dos melhores índices ou melhorar o ranqueamento mundial de sua modalidade para ir a Pequim.

Das nove modalidades, três delas (handebol, hipismo e pentatlo moderno) aproveitaram o Pan do Rio de Janeiro para carimbar o passaporte. O evento ainda distribuiu vagas no pólo aquático, hóquei sobre grama, triatlo, tênis de mesa e nado sincronizado, mas os brasileiros acabaram superados. A situação mais dramática foi a do hóquei sobre grama, que já ficou sem esperanças de levar sua equipe à China, tanto no masculino, como no feminino. A mesma realidade vive o beisebol, que sequer irá disputar o Pré-olímpico Mundial, última tentativa de ir aos Jogos, pois não obteve classificação necessária na seletiva continental.

Para evitar o mesmo fim trágico destes dois esportes coletivos, o Brasil viverá dois meses decisivos a partir justamente desta quarta-feira. Coincidentemente, neste mesmo 8 de agosto inicia-se o Mundial de Canoagem, na cidade alemã de Duisburg, que concederá 130 vagas para as Olimpíadas. Oito dias depois, será a vez de os competidores do pentatlo moderno tentarem fazer companhia a Yane Marques. No dia 19, o softbol tem a última chance de assegurar uma inédita participação olímpica.

Já no dia 22, tem início o Pré-olímpico das Américas de basquete masculino, em Las Vegas. Com o reforço dos jogadores da NBA (Nenê, Leandrinho, Tiago Splitter e possivelmente Anderson Varejão e Baby), o país tenta retornar aos Jogos Olímpicos após 12 anos. Fechando o mês, o remo busca vagas no Mundial de Munique, e o atletismo terá mais uma competição para obtenção de índices com o Mundial de Osaka. Em setembro, dois “gigantes” do esporte brasileiro terão a chance de entrar para o seleto grupo dos classificados.

Responsável por quatro ouros e 11 pódios no Pan, a ginástica artística definirá no Mundial de Stuttgart, entre 1º e 9 de setembro, se terá novamente uma equipe completa feminina e conseguirá o mesmo feito no masculino, já que em Atenas-2004 o país teve apenas uma vaga, que acabou nas mãos de Mosiah Rodrigues. Para isso, a equipe precisa terminar entre as 12 melhores do evento. A competição foi a razão para Daiane dos Santos evitar as disputas por aparelhos no Rio de Janeiro. “Não podemos parar. Agora é pensar no Mundial e tentar colocar o máximo de brasileiros nas Olimpíadas”, afirmou Diego Hypólito.

Já no Rio de Janeiro, entre 13 e 16 de setembro, o judô definirá 70 vagas para os Jogos, com a qualificação dos cinco melhores de cada categoria. “Espero conseguir a classificação e ajudar o Brasil”, disse o meio-leve João Derly, ouro no Pan, lembrando que o responsável pela obtenção da vaga não estará automaticamente garantido nas Olimpíadas, pois a delegação brasileira será definida através de uma seletiva no próximo ano. E a série de Mundiais e competições seletivas também será feita no basquete feminino, canoagem, ciclismo (estrada), ginástica rítmica, levantamento de peso, lutas, pentatlo moderno e taekwondo neste mesmo mês.

Mas para boa parte dessas equipes, a vaga dificilmente virá nos eventos mundiais. É na disputa continental que o Brasil aposta suas fichas para ir a Pequim e a maioria desses eventos será realizada apenas em 2008. “A nossa esperança é tentar uma vaga já no Mundial, mas a gente sabe que será difícil. A expectativa é que na seletiva da América no ano que vem a gente consiga assegurar as quatro vagas para o Brasil”, afirmou Marcelino Barros, técnico da seleção brasileira de taekwondo, esporte responsável pela primeira medalha de ouro no Pan, com Diogo Silva.

Um retrato mais cruel que a badalação vista com as 161 medalhas obtidas no Pan. Nas Olimpíadas, modalidades que foram ao lugar mais alto do pódio no Rio de Janeiro sabem que apenas ir a Pequim terá o gosto de dever cumprido. “Conseguir a classificação direta é a nossa meta”, resumiu a ginasta Tayanne Mantovanelli, que ajudou o Brasil a conquistar três ouros com o conjunto da ginástica rítmica no Rio de Janeiro. Em 2004, o país só se classificou para a modalidade com o convite dado pelo COI para garantir a “universalidade” das equipes.

Mas não serão apenas pré-olímpicos que definirão os lugares em Pequim. Em modalidades como badminton, ciclismo, esgrima, tênis, tênis de mesa, triatlo e vôlei de praia, uma participação regular em todos os eventos do calendário internacional é vital para a classificação, já que eles adotarão o ranking mundial para definir boa parte ou até integralmente os competidores nas Olimpíadas. “Por isso temos de manter sempre o mesmo nível para ter vagas. É um trabalho feito durante todo o ano e que temos certeza que dará certo”, disse o técnico Mauro Ribeiro, da seleção brasileira de ciclismo.

Uma disputa que a Gazeta Esportiva.Net detalha nesta reportagem especial como será a busca dos brasileiros pela vaga olímpica e, pelo menos, para igualar as 26 modalidades que foram a Atenas e trouxeram dez medalhas, sendo cinco de ouro, duas de prata e três de bronze.

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