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Por Fernando Narazaki
“Ainda não sei quantas provas vou disputar em Pequim,
mas vou priorizar as que tenho chances de medalha”.
A frase dita pelo nadador Thiago Pereira, após encerrar
a participação nos Jogos Pan-americanos, é um privilégio
no esporte brasileiro neste momento. A um ano do início
das Olimpíadas de Pequim, apenas Thiago e pouco mais
de 100 atletas sabem que estarão na China no próximo
ano.
Até agora, nove modalidades terão presença de brasileiros
nos Jogos: atletismo, futebol masculino, handebol masculino
e feminino, hipismo (equipes do adestramento, CCE e
saltos), natação, pentatlo moderno, saltos ornamentais,
tiro e vela. Porém os únicos nominalmente assegurados
em Pequim, salvo alguma contusão, são a pernambucana
Yane Marques, do pentatlo moderno, o brasiliense César
Castro, dos saltos ornamentais, o paulista Stênio Yamamoto
e o carioca Júlio Almeida, ambos no tiro.
Mas dificilmente nomes como Jadel Gregório, Maurren
Higa Maggi e Keila Costa (do atletismo) ou os nadadores
César Cielo, Rebeca Gusmão, Flávia Delaroli e Thiago
Pereira (que tem índice em cinco provas individuais)
terão suas marcas superadas até o final da seleção.
Já o restante terá de conquistar o seu lugar na equipe,
manter-se com um dos melhores índices ou melhorar o
ranqueamento mundial de sua modalidade para ir a Pequim.
Das nove modalidades, três delas (handebol, hipismo
e pentatlo moderno) aproveitaram o Pan do Rio de Janeiro
para carimbar o passaporte. O evento ainda distribuiu
vagas no pólo aquático, hóquei sobre grama, triatlo,
tênis de mesa e nado sincronizado, mas os brasileiros
acabaram superados. A situação mais dramática foi a
do hóquei sobre grama, que já ficou sem esperanças de
levar sua equipe à China, tanto no masculino, como no
feminino. A mesma realidade vive o beisebol, que sequer
irá disputar o Pré-olímpico Mundial, última tentativa
de ir aos Jogos, pois não obteve classificação necessária
na seletiva continental.
Para evitar o mesmo fim trágico destes dois esportes
coletivos, o Brasil viverá dois meses decisivos a partir
justamente desta quarta-feira. Coincidentemente, neste
mesmo 8 de agosto inicia-se o Mundial de Canoagem, na
cidade alemã de Duisburg, que concederá 130 vagas para
as Olimpíadas. Oito dias depois, será a vez de os competidores
do pentatlo moderno tentarem fazer companhia a Yane
Marques. No dia 19, o softbol tem a última chance de
assegurar uma inédita participação olímpica.
Já no dia 22, tem início o Pré-olímpico das Américas
de basquete masculino, em Las Vegas. Com o reforço dos
jogadores da NBA (Nenê, Leandrinho, Tiago Splitter e
possivelmente Anderson Varejão e Baby), o país tenta
retornar aos Jogos Olímpicos após 12 anos. Fechando
o mês, o remo busca vagas no Mundial de Munique, e o
atletismo terá mais uma competição para obtenção de
índices com o Mundial de Osaka. Em setembro, dois “gigantes”
do esporte brasileiro terão a chance de entrar para
o seleto grupo dos classificados.
Responsável por quatro ouros e 11 pódios no Pan, a
ginástica artística definirá no Mundial de Stuttgart,
entre 1º e 9 de setembro, se terá novamente uma equipe
completa feminina e conseguirá o mesmo feito no masculino,
já que em Atenas-2004 o país teve apenas uma vaga, que
acabou nas mãos de Mosiah Rodrigues. Para isso, a equipe
precisa terminar entre as 12 melhores do evento. A competição
foi a razão para Daiane dos Santos evitar as disputas
por aparelhos no Rio de Janeiro. “Não podemos parar.
Agora é pensar no Mundial e tentar colocar o máximo
de brasileiros nas Olimpíadas”, afirmou Diego Hypólito.
Já no Rio de Janeiro, entre 13 e 16 de setembro, o
judô definirá 70 vagas para os Jogos, com a qualificação
dos cinco melhores de cada categoria. “Espero conseguir
a classificação e ajudar o Brasil”, disse o meio-leve
João Derly, ouro no Pan, lembrando que o responsável
pela obtenção da vaga não estará automaticamente garantido
nas Olimpíadas, pois a delegação brasileira será definida
através de uma seletiva no próximo ano. E a série de
Mundiais e competições seletivas também será feita no
basquete feminino, canoagem, ciclismo (estrada), ginástica
rítmica, levantamento de peso, lutas, pentatlo moderno
e taekwondo neste mesmo mês.
Mas para boa parte dessas equipes, a vaga dificilmente
virá nos eventos mundiais. É na disputa continental
que o Brasil aposta suas fichas para ir a Pequim e a
maioria desses eventos será realizada apenas em 2008.
“A nossa esperança é tentar uma vaga já no Mundial,
mas a gente sabe que será difícil. A expectativa é que
na seletiva da América no ano que vem a gente consiga
assegurar as quatro vagas para o Brasil”, afirmou Marcelino
Barros, técnico da seleção brasileira de taekwondo,
esporte responsável pela primeira medalha de ouro no
Pan, com Diogo Silva.
Um retrato mais cruel que a badalação vista com as
161 medalhas obtidas no Pan. Nas Olimpíadas, modalidades
que foram ao lugar mais alto do pódio no Rio de Janeiro
sabem que apenas ir a Pequim terá o gosto de dever cumprido.
“Conseguir a classificação direta é a nossa meta”, resumiu
a ginasta Tayanne Mantovanelli, que ajudou o Brasil
a conquistar três ouros com o conjunto da ginástica
rítmica no Rio de Janeiro. Em 2004, o país só se classificou
para a modalidade com o convite dado pelo COI para garantir
a “universalidade” das equipes.
Mas não serão apenas pré-olímpicos que definirão os
lugares em Pequim. Em modalidades como badminton, ciclismo,
esgrima, tênis, tênis de mesa, triatlo e vôlei de praia,
uma participação regular em todos os eventos do calendário
internacional é vital para a classificação, já que eles
adotarão o ranking mundial para definir boa parte ou
até integralmente os competidores nas Olimpíadas. “Por
isso temos de manter sempre o mesmo nível para ter vagas.
É um trabalho feito durante todo o ano e que temos certeza
que dará certo”, disse o técnico Mauro Ribeiro, da seleção
brasileira de ciclismo.
Uma disputa que a Gazeta Esportiva.Net detalha
nesta reportagem especial como será a busca dos brasileiros
pela vaga olímpica e, pelo menos, para igualar as 26
modalidades que foram a Atenas e trouxeram dez medalhas,
sendo cinco de ouro, duas de prata e três de bronze.
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