Voltar para a home Quarta, 03 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
17/08/2007
Montagem sobre fotos de Fernando Pilatos e Túlio Vidal/Gazeta Press

Tênis, Fórmula 1, vela e hipismo. No Brasil, todos estes esportes passam pelo mesmo problema, que é o de lidar com o estigma de serem modalidades restritas às elites. Afinal, não são todos os pais que podem investir em um filho kartista ou em uma filha tenista, apostando em um futuro brilhante para uma criança que começa a demonstrar alguma aptidão.

Foto: Fernando Soutello/Gazeta Press
Foto: Fernando Soutello/Gazeta Press
Nem mesmo o sucesso de Rodrigo Pessoa consegue tornar o hipismo mais popular no Brasil

Mesmo assim, alguns dos problemas referentes a tal preceito vêm sendo combatidos nos últimos anos; a Fórmula 1 foi a primeira e já revelou ídolos como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, não demorando para cair no gosto do público brasileiro. Em menor escala, o mesmo fenômeno pôde ser visto após a ascensão de Gustavo Kuerten no tênis, desde que o catarinense conquistou Roland Garros em 97 e virou figurinha fácil nas discussões esportivas.

Mesmo a vela conseguiu emplacar seus principais nomes, fazendo com que Robert Scheidt e seus oito títulos mundiais da classe Star sejam lembrados sem muito esforço. Mas antes mesmo disso, o hipismo já tentava se popularizar no Brasil, promovendo os resultados de ídolos como o de Rodrigo Pessoa, campeão olímpico em 2004, ou o de Álvaro Afonso de Miranda Neto, o Doda, campeão pan-americano por equipes em 99.

Então, qual seria a principal dificuldade para estabelecer o hipismo como um esporte popular no Brasil? Os próprios cavaleiros divergem acerca das razões, mas cada um dá um palpite para fortalecer a imagem do esporte no país. Para César Almeida, campeão por equipes dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, o segredo está na falta de patrocínio e de exposição na mídia, que dificultam a aproximação dos ginetes ao público brasileiro.

“Acho que o que falta é incentivo de empresas, de patrocínios. A gente tem muita dificuldade de realizar grandes eventos por falta de patrocinadores”, explicou o experiente Cesinha. “Se a gente tivesse mais apoio, conseguisse entrar um pouco mais na mídia, teríamos um retorno maior, sem dúvida nenhuma. Aí então eu acredito que o esporte poderia ficar um pouco mais popular do que ele é”, completou.

A opinião é um pouco diferente da que é expressa pelo próprio Doda. Responsável pela organização do Athina Onassis International Horse Show, que hospedou o primeiro CSI cinco estrelas do Brasil, o cavaleiro acredita que o público e a imprensa precisam dar maior valor aos atletas, tendo em vista que as competições da modalidade não têm grande repercussão no Brasil.

“Muitas pessoas dizem que é impossível popularizar o hipismo, por ser um esporte de elite. Mas ele é menos de elite que a Fórmula 1”, explicou Doda, durante a realização do evento, na primeira semana de agosto. “Acho que o que falta é o reconhecimento aos nossos ídolos”, completou, ainda sem explicar em definitivo o motivo da falta de popularidade da prática.

Organizador da competição, André Stuart Kahl Beck tem uma linha de raciocínio bem parecida com a do cavaleiro. Para ele, a massificação do hipismo deve ser dividida em duas fases, sendo que a primeira é conseqüência do pensamento defendido por Doda e Cesinha: antes de mais nada, é preciso cativar o público infantil, incentivando as crianças à montaria.

“Hoje, para uma criança conseguir montar um cavalo e ter aulas duas vezes por semana é relativamente fácil. Não é caro, assim como não é caro ter aulas de tênis, de natação e de inglês”, opinou André, que sugere a segunda fase como um período de incentivo aos talentos que se revelarem nas hípicas – novamente com o apoio de patrocínios.

André ainda acredita na força das emissoras de televisão para disseminar a idéia entre o público brasileiro. Para ele, é a TV “que vai massificar o show que a gente quer tanto mostrar”, o que difere do ponto-de-vista de Rodrigo Pessoa.

Principal ídolo da modalidade no país, Rodrigo garante que a torcida sempre deu valor a seus feitos e sempre o tratou com carinho. Bem como a própria imprensa, “desde o início da minha carreira. Fora alguns incidentes com algumas pessoas, sempre me deram apoio”.

anuncie seu carro
Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net