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Tênis, Fórmula 1, vela e hipismo. No Brasil,
todos estes esportes passam pelo mesmo problema, que
é o de lidar com o estigma de serem modalidades
restritas às elites. Afinal, não são
todos os pais que podem investir em um filho kartista
ou em uma filha tenista, apostando em um futuro brilhante
para uma criança que começa a demonstrar
alguma aptidão.
| Foto: Fernando Soutello/Gazeta Press |
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| Nem mesmo o sucesso de Rodrigo Pessoa consegue
tornar o hipismo mais popular no Brasil |
Mesmo assim, alguns dos problemas referentes a tal
preceito vêm sendo combatidos nos últimos
anos; a Fórmula 1 foi a primeira e já
revelou ídolos como Emerson Fittipaldi, Nelson
Piquet e Ayrton Senna, não demorando para cair
no gosto do público brasileiro. Em menor escala,
o mesmo fenômeno pôde ser visto após
a ascensão de Gustavo Kuerten no tênis,
desde que o catarinense conquistou Roland Garros em
97 e virou figurinha fácil nas discussões
esportivas.
Mesmo a vela conseguiu emplacar seus principais nomes,
fazendo com que Robert Scheidt e seus oito títulos
mundiais da classe Star sejam lembrados sem muito esforço.
Mas antes mesmo disso, o hipismo já tentava se
popularizar no Brasil, promovendo os resultados de ídolos
como o de Rodrigo Pessoa, campeão olímpico
em 2004, ou o de Álvaro Afonso de Miranda Neto,
o Doda, campeão pan-americano por equipes em
99.
Então, qual seria a principal dificuldade para
estabelecer o hipismo como um esporte popular no Brasil?
Os próprios cavaleiros divergem acerca das razões,
mas cada um dá um palpite para fortalecer a imagem
do esporte no país. Para César Almeida,
campeão por equipes dos Jogos Pan-americanos
do Rio de Janeiro, o segredo está na falta de
patrocínio e de exposição na mídia,
que dificultam a aproximação dos ginetes
ao público brasileiro.
“Acho que o que falta é incentivo de empresas,
de patrocínios. A gente tem muita dificuldade
de realizar grandes eventos por falta de patrocinadores”,
explicou o experiente Cesinha. “Se a gente tivesse
mais apoio, conseguisse entrar um pouco mais na mídia,
teríamos um retorno maior, sem dúvida
nenhuma. Aí então eu acredito que o esporte
poderia ficar um pouco mais popular do que ele é”,
completou.
A opinião é um pouco diferente da que
é expressa pelo próprio Doda. Responsável
pela organização do Athina Onassis International
Horse Show, que hospedou o primeiro CSI cinco estrelas
do Brasil, o cavaleiro acredita que o público
e a imprensa precisam dar maior valor aos atletas, tendo
em vista que as competições da modalidade
não têm grande repercussão no Brasil.
“Muitas pessoas dizem que é impossível
popularizar o hipismo, por ser um esporte de elite.
Mas ele é menos de elite que a Fórmula
1”, explicou Doda, durante a realização
do evento, na primeira semana de agosto. “Acho
que o que falta é o reconhecimento aos nossos
ídolos”, completou, ainda sem explicar
em definitivo o motivo da falta de popularidade da prática.
Organizador da competição, André
Stuart Kahl Beck tem uma linha de raciocínio
bem parecida com a do cavaleiro. Para ele, a massificação
do hipismo deve ser dividida em duas fases, sendo que
a primeira é conseqüência do pensamento
defendido por Doda e Cesinha: antes de mais nada, é
preciso cativar o público infantil, incentivando
as crianças à montaria.
“Hoje, para uma criança conseguir montar
um cavalo e ter aulas duas vezes por semana é
relativamente fácil. Não é caro,
assim como não é caro ter aulas de tênis,
de natação e de inglês”, opinou
André, que sugere a segunda fase como um período
de incentivo aos talentos que se revelarem nas hípicas
– novamente com o apoio de patrocínios.
André ainda acredita na força das emissoras
de televisão para disseminar a idéia entre
o público brasileiro. Para ele, é a TV
“que vai massificar o show que a gente quer tanto
mostrar”, o que difere do ponto-de-vista de Rodrigo
Pessoa.
Principal ídolo da modalidade no país,
Rodrigo garante que a torcida sempre deu valor a seus
feitos e sempre o tratou com carinho. Bem como a própria
imprensa, “desde o início da minha carreira.
Fora alguns incidentes com algumas pessoas, sempre me
deram apoio”.
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