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31/08/2007
Montagem sobre fotos de Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Por Marcelo Cazavia

Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
Diego Hypólito deve disputar os seis aparelhos no Mundial para realizar sonho de estar nas Olimpíadas de Pequim

Classificar tanto a equipe feminina quanto a masculina para os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Este é o resultado que os brasileiros sonham obter no Campeonato Mundial de ginástica artística, entre 1º e 9 de setembro, em Stuttgart. A expectativa da comissão técnica é provar que a modalidade evoluiu como um todo e que o país não vive apenas das boas performances de Daiane dos Santos e Diego Hypólito no solo.

O Mundial é o único caminho rumo a Pequim. As 12 primeiras equipes no feminino e no masculino classificam o time completo (seis ginastas) para as Olimpíadas. Do 13º ao 18º colocado, o país manda dois ginastas, enquanto do 19º ao 28º manda apenas o melhor representante no individual geral em Stuttgart.

A dificuldade maior é entre os homens. O Brasil competiu nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 com a equipe completa no feminino, mas, no masculino, teve apenas Mosiah Rodrigues. E no último Mundial, em Aarhus-2006, as meninas ficaram com a sétima posição, enquanto os meninos terminaram em 18º lugar. E ficará com as mulheres a tarefa de abrir a participação nacional com a disputa das eliminatórias. A equipe inicia a fase classificatória às 10h45 (de Brasília) deste domingo no oitavo grupo do dia, ao lado da Coréia do Norte, Albânia, Colômbia e Belarus. A estréia será no salto, seguido pelas barras assimétricas, pela trave e encerrando com o solo. Os homens competem na segunda-feira, a partir das 11 horas (de Brasília).

“No feminino, pelo que a gente viu, dá para ficar entre as 12 novamente. O masculino é mais complicado, mas, de qualquer forma, a expectativa é boa. Classificar as duas equipes para Pequim é difícil, mas não impossível. Só dá para saber mesmo no dia da competição”, afirma Eliane Martins, coordenadora da seleção brasileira.

O Brasil nunca teve tradição na ginástica artística mundial. Os melhores resultados começaram a aparecer no início do século 21, com Daniele Hypólito. Depois, surgiram os fenômenos Daiane do Santos e Diego Hypólito, que não só colocaram o país no lugar mais alto do pódio em Mundiais como batizaram novos movimentos de solos criados por eles próprios.

Em Stuttgart, a seleção brasileira tem como desafio mostrar que possui ginastas completos. Diego, por exemplo, intensificou o treinamento nos seis aparelhos em vez de se concentrar apenas no solo e no salto, suas especialidades. O ginasta aprovou o treino de pódio realizado na última quinta-feira.

“No solo, tirando a última passada (onde tive uma queda), fui bem e até cheguei a ouvir os aplausos das pessoas que assistiam da arquibancada. A minha série de salto também foi muito boa. No cavalo, nas argolas e na barra, o resultado foi satisfatório. Nas paralelas, minha série foi razoável”, analisa.

Campeão mundial em 2005 e vice em 2006 no solo, Diego sabe que as maiores chances de medalha estão em seu aparelho preferido. “Não vou fazer mais o Hypolito 2, só o Hypolito 1. Apesar da ansiedade, estou confiante que tudo dará certo", aposta, sem dar muita bola ao principal rival, o romeno Marian Dragulescu. “Fiquei sabendo que ele está muito bem, mas o importante é que eu faça a minha parte", diz.

O time masculino terá ainda a presença do experiente Mosiah Rodrigues e dos jovens Danilo Nogueira, Luis Augusto dos Anjos, Arthur Zanetti, Victor Rosa e Caio Costa. A maioria deles protagonizou a melhor participação da história do país nos Jogos Pan-americanos, com os ouros na barra fixa (Mosiah), no salto (Diego) e no solo (Diego), além da prata por equipes e do bronze na barra fixa (Danilo Nogueira).

A competição do Rio de Janeiro, porém, não serve de parâmetro porque a América tem apenas os Estados Unidos entre as grandes potências da ginástica mundial. " Fomos segundo no Pan, mas são realidades diferentes. Temos que correr atrás”, admite Mosiah.

“Individualmente, seria mesmo o Diego o único que teria chance de medalhas no masculino”, confessa Eliane, lembrando que o irmão mais novo de Daniele é o segundo colocado no ranking mundial do solo e sétimo no salto. “Mas Mundial é complicado fazer previsão de número de medalhas, principalmente porque faz tempo que a gente não vê as outras equipes. Se sairmos com uma medalha, seja no masculino ou no feminino, está ótimo”, pondera.

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Daiane dos Santos ainda se recupera de lesão no tornozelo e equipe feminina aposta em Laís Souza e Jade Barbosa

A equipe feminina é formada por Daiane dos Santos, Daniele Hypólito, Laís Souza, Jade Barbosa, Khiuani Dias, Ana Claudia Silva e Ethiene Franco. Mais carismática e principal ginasta brasileira da história, Daiane dos Santos tem sido vítima de inúmeras contusões desde Atenas-2004, que comprometeram inclusive sua participação nos Jogos Pan-americanos.

Com um 2006 praticamente sabático, a veterana foi apenas a quarta colocada no solo no Mundial de Aarhus e participou apenas de duas etapas da Copa do Mundo. Em maio, ela ficou com o ouro de sua principal prova em Moscou e, em dezembro, repetiu o resultado na final da competição, disputada em São Paulo. Neste ano, ela competiu apenas em Ghent e ficou com o bronze do solo.

A lesão sofrida no tornozelo durante o Pan, inclusive, postergou sua viagem para a Europa – apenas na última semana a ginasta teve sua liberação médica para participar do Mundial. Entretanto, sua condição física ainda não é a ideal. “A Daiane treinou salto e solo na última quarta-feira, mas não estava totalmente 100%. A esperança é que ela melhore até a competição”, avalia Eliane.

Sem ver muitas expectativas na participação de Daiane, as expectativas brasileiras estão depositadas em Jade Barbosa e Laís Souza. Principal revelação da nova geração, aos 16 anos Jade disputa seu primeiro Mundial tentando superar a inexperiência e a instabilidade emocional – no Pan, por exemplo, entrou na última rotação do individual geral em primeiro lugar, mas caiu nas barras assimétricas, chorou e acabou ficando até mesmo fora do pódio.

“A Jade passou superbem no treino de pódio do individual geral, não errou nada”, comemora Eliane, que vê grande chance de pódio para a ginasta no salto. “Em nível de dificuldade, só a chinesa (Fei Cheng), atual bicampeã mundial, faz um salto igual ao da Jade”, conta.

Laís Souza também convive com os recorrentes problemas de lesão que geralmente acometem os ginastas. Dona do prêmio Brasil Olímpico de 2006, a atleta não participou de nenhuma etapa da Copa do Mundo no primeiro semestre para se recuperar plenamente para os Jogos Pan-americanos e Mundial.

Mas apesar de ter chamado bastante a atenção, Laís luta por seu primeiro pódio em Mundiais. Em Aarhus-2006, seu melhor desempenho aconteceu no salto com a quarta colocação, enquanto no solo ela terminou em oitavo. Nas etapas da Copa do Mundo, somou seis medalhas, mas nenhuma de ouro – bronze na trave e solo em Cottbus; prata no solo e bronze no salto em Moscou; e bronze no solo e prata na salto em São Paulo.

Primeira das brasileiras a conquistar resultados significativos, Daniele Hypólito geralmente garante pontos importantes para a equipe na classificação geral com sua participação regular em todos os aparelhos. Entretanto, dificilmente disputará alguma medalha individual.

PROGRAMAÇÃO
(horário de Brasília)

Sábado (01/09)

Eliminatórias femininas (5h às 13h)
Abertura oficial da competição (14h)

Domingo (02/09)
Eliminatórias femininas (5h às 16h)
Segunda-feira (03/09)
Eliminatórias masculinas (5h às 16h)
Terça-feira (04/09)
Eliminatórias masculinas (5h às 16h)
Quarta-feira (05/09)
Final por equipes feminina (9h às 12h)
Quinta-feira (06/09)
Final por equipes masculina (9h às 12h)
Sexta-feira (07/09)

Final do individual geral masculino (a partir das 9h)
Final do individual geral feminino (a partir das 14h)

Sábado (08/09)

Finais de salto e barras assimétricas feminino (a partir das 9h)
Finais de solo, cavalo com alças e argolas masculino (a partir das 9h)

Domingo (09/09)

Finais de trave e solo feminino (a partir das 9h)
Finais de salto, barras paralelas e barra fixa masculino (a partir das 9h)

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