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Por Marcelo Cazavia
| Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press |
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| Diego Hypólito deve disputar os seis aparelhos
no Mundial para realizar sonho de estar nas Olimpíadas
de Pequim |
Classificar tanto a equipe feminina quanto a masculina
para os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Este é o
resultado que os brasileiros sonham obter no Campeonato
Mundial de ginástica artística, entre 1º e 9 de setembro,
em Stuttgart. A expectativa da comissão técnica é provar
que a modalidade evoluiu como um todo e que o país não
vive apenas das boas performances de Daiane dos Santos
e Diego Hypólito no solo.
O Mundial é o único caminho rumo a Pequim. As 12 primeiras
equipes no feminino e no masculino classificam o time
completo (seis ginastas) para as Olimpíadas. Do 13º
ao 18º colocado, o país manda dois ginastas, enquanto
do 19º ao 28º manda apenas o melhor representante no
individual geral em Stuttgart.
A dificuldade maior é entre os homens. O Brasil competiu
nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 com a equipe completa
no feminino, mas, no masculino, teve apenas Mosiah Rodrigues.
E no último Mundial, em Aarhus-2006, as meninas ficaram
com a sétima posição, enquanto os meninos terminaram
em 18º lugar. E ficará com as mulheres a tarefa
de abrir a participação nacional com a
disputa das eliminatórias. A equipe inicia a
fase classificatória às 10h45 (de Brasília)
deste domingo no oitavo grupo do dia, ao lado da Coréia
do Norte, Albânia, Colômbia e Belarus. A
estréia será no salto, seguido pelas barras
assimétricas, pela trave e encerrando com o solo.
Os homens competem na segunda-feira, a partir das 11
horas (de Brasília).
“No feminino, pelo que a gente viu, dá para ficar
entre as 12 novamente. O masculino é mais complicado,
mas, de qualquer forma, a expectativa é boa. Classificar
as duas equipes para Pequim é difícil, mas não impossível.
Só dá para saber mesmo no dia da competição”, afirma
Eliane Martins, coordenadora da seleção brasileira.
O Brasil nunca teve tradição na ginástica artística
mundial. Os melhores resultados começaram a aparecer
no início do século 21, com Daniele Hypólito.
Depois, surgiram os fenômenos Daiane do Santos e Diego
Hypólito, que não só colocaram o país no lugar mais
alto do pódio em Mundiais como batizaram novos movimentos
de solos criados por eles próprios.
Em Stuttgart, a seleção brasileira tem como desafio
mostrar que possui ginastas completos. Diego, por exemplo,
intensificou o treinamento nos seis aparelhos em vez
de se concentrar apenas no solo e no salto, suas especialidades.
O ginasta aprovou o treino de pódio realizado na última
quinta-feira.
“No solo, tirando a última passada (onde tive uma
queda), fui bem e até cheguei a ouvir os aplausos das
pessoas que assistiam da arquibancada. A minha série
de salto também foi muito boa. No cavalo, nas argolas
e na barra, o resultado foi satisfatório. Nas paralelas,
minha série foi razoável”, analisa.
Campeão mundial em 2005 e vice em 2006 no solo, Diego
sabe que as maiores chances de medalha estão em seu
aparelho preferido. “Não vou fazer mais o Hypolito 2,
só o Hypolito 1. Apesar da ansiedade, estou confiante
que tudo dará certo", aposta, sem dar muita bola ao
principal rival, o romeno Marian Dragulescu. “Fiquei
sabendo que ele está muito bem, mas o importante é que
eu faça a minha parte", diz.
O time masculino terá ainda a presença do experiente
Mosiah Rodrigues e dos jovens Danilo Nogueira, Luis
Augusto dos Anjos, Arthur Zanetti, Victor Rosa e Caio
Costa. A maioria deles protagonizou a melhor participação
da história do país nos Jogos Pan-americanos, com os
ouros na barra fixa (Mosiah), no salto (Diego) e no
solo (Diego), além da prata por equipes e do bronze
na barra fixa (Danilo Nogueira).
A competição do Rio de Janeiro, porém, não serve de
parâmetro porque a América tem apenas os Estados Unidos
entre as grandes potências da ginástica mundial. " Fomos
segundo no Pan, mas são realidades diferentes. Temos
que correr atrás”, admite Mosiah.
“Individualmente, seria mesmo o Diego o único que
teria chance de medalhas no masculino”, confessa Eliane,
lembrando que o irmão mais novo de Daniele é o segundo
colocado no ranking mundial do solo e sétimo no salto.
“Mas Mundial é complicado fazer previsão de número de
medalhas, principalmente porque faz tempo que a gente
não vê as outras equipes. Se sairmos com uma medalha,
seja no masculino ou no feminino, está ótimo”, pondera.
| Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
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| Daiane dos Santos ainda se recupera de lesão
no tornozelo e equipe feminina aposta em Laís
Souza e Jade Barbosa |
A equipe feminina é formada por Daiane dos Santos,
Daniele Hypólito, Laís Souza, Jade Barbosa, Khiuani
Dias, Ana Claudia Silva e Ethiene Franco. Mais carismática
e principal ginasta brasileira da história, Daiane dos
Santos tem sido vítima de inúmeras contusões desde Atenas-2004,
que comprometeram inclusive sua participação nos Jogos
Pan-americanos.
Com um 2006 praticamente sabático, a veterana foi
apenas a quarta colocada no solo no Mundial de Aarhus
e participou apenas de duas etapas da Copa do Mundo.
Em maio, ela ficou com o ouro de sua principal prova
em Moscou e, em dezembro, repetiu o resultado na final
da competição, disputada em São Paulo. Neste ano, ela
competiu apenas em Ghent e ficou com o bronze do solo.
A lesão sofrida no tornozelo durante o Pan, inclusive,
postergou sua viagem para a Europa – apenas na última
semana a ginasta teve sua liberação médica para participar
do Mundial. Entretanto, sua condição física ainda não
é a ideal. “A Daiane treinou salto e solo na última
quarta-feira, mas não estava totalmente 100%. A esperança
é que ela melhore até a competição”, avalia Eliane.
Sem ver muitas expectativas na participação de Daiane,
as expectativas brasileiras estão depositadas em Jade
Barbosa e Laís Souza. Principal revelação da nova geração,
aos 16 anos Jade disputa seu primeiro Mundial tentando
superar a inexperiência e a instabilidade emocional
– no Pan, por exemplo, entrou na última rotação do individual
geral em primeiro lugar, mas caiu nas barras assimétricas,
chorou e acabou ficando até mesmo fora do pódio.
“A Jade passou superbem no treino de pódio do individual
geral, não errou nada”, comemora Eliane, que vê grande
chance de pódio para a ginasta no salto. “Em nível de
dificuldade, só a chinesa (Fei Cheng), atual bicampeã
mundial, faz um salto igual ao da Jade”, conta.
Laís Souza também convive com os recorrentes problemas
de lesão que geralmente acometem os ginastas. Dona do
prêmio Brasil Olímpico de 2006, a atleta não participou
de nenhuma etapa da Copa do Mundo no primeiro semestre
para se recuperar plenamente para os Jogos Pan-americanos
e Mundial.
Mas apesar de ter chamado bastante a atenção, Laís
luta por seu primeiro pódio em Mundiais. Em Aarhus-2006,
seu melhor desempenho aconteceu no salto com a quarta
colocação, enquanto no solo ela terminou em oitavo.
Nas etapas da Copa do Mundo, somou seis medalhas, mas
nenhuma de ouro – bronze na trave e solo em Cottbus;
prata no solo e bronze no salto em Moscou; e bronze
no solo e prata na salto em São Paulo.
Primeira das brasileiras a conquistar resultados significativos,
Daniele Hypólito geralmente garante pontos importantes
para a equipe na classificação geral com sua participação
regular em todos os aparelhos. Entretanto, dificilmente
disputará alguma medalha individual.
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PROGRAMAÇÃO
(horário de Brasília)
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Sábado
(01/09) |
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Eliminatórias femininas (5h às
13h)
Abertura oficial da competição (14h)
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| Domingo
(02/09) |
| Eliminatórias femininas
(5h às 16h) |
| Segunda-feira
(03/09) |
| Eliminatórias masculinas
(5h às 16h) |
| Terça-feira
(04/09) |
| Eliminatórias masculinas
(5h às 16h) |
| Quarta-feira
(05/09) |
| Final por equipes feminina (9h
às 12h) |
| Quinta-feira
(06/09) |
| Final por equipes masculina (9h
às 12h) |
| Sexta-feira
(07/09) |
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Final do individual geral masculino (a partir
das 9h)
Final do individual geral feminino (a partir das
14h)
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| Sábado
(08/09) |
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Finais de salto e barras assimétricas
feminino (a partir das 9h)
Finais de solo, cavalo com alças e argolas
masculino (a partir das 9h)
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| Domingo
(09/09) |
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Finais de trave e solo feminino (a partir das
9h)
Finais de salto, barras paralelas e barra fixa
masculino (a partir das 9h)
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