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12/09/2007
Montagem sobre foto de Túlio Vidal/Gazeta Press

Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Medalha de ouro no Pan, Edinanci Silva é uma das principais figuras da equipe feminina e esperança de medalha
Programação
13 de setembro- Quinta-feira
Categorias em disputa: meio-pesado e pesado
11 horas: Qualificatórias e repescagens
19h30: Cerimônia de abertura
20h45: Finais
14 de setembro - Sexta-feira
Categorias em disputa: meio-médio e médio
11 horas: Qualificatórias e repescagens
20h45: Finais
15 de setembro - Sábado
Categorias em disputa: meio-leve e leve
11 horas: Qualificatórias e repescagens
20h45: Finais
16 de setembro - Domingo
Categorias em disputa: ligeiro e absoluto
12 horas: Qualificatórias e repescagens
20h45: Finais
Confira a equipe brasileira que vai disputa o Mundial:

Feminino
Ligeiro (até 48kg): Daniela Polzin
Meio-leve (até 52kg): Érika Miranda
Leve (até 57kg): Danielle Zangrando
Meio-médio (até 63kg): Daniele Yuri
Médio (até 70kg): Mayra Aguiar
Meio-pesado (até 78kg): Edinanci Silva
Pesado (acima de 78kg): Priscila Marques
Absoluto: Priscila Marques

Masculino
Ligeiro (até 60kg): Breno Alves
Meio-leve (até 66kg): João Derly
Leve (até 73kg): Leandro Guilheiro
Meio-médio (até 81kg): Tiago Camilo
Médio (até 90kg): Carlos Honorato
Meio-pesado (até 100kg): Luciano Côrrea
Pesado (acima de 100kg): João Gabriel Schilliter
Absoluto: Daniel Hernandes

Confira todas as medalhas do Brasil em Mundiais:

Ouro
2005: João Derly (meio-leve)

Prata
1993: Aurélio Miguel (meio-pesado)
1997: Aurélio Miguel (meio-pesado)

Bronze
1971: Chiaki Ishii (meio-pesado)
1979: Walter Carmona (médio)
1987: Aurélio Miguel (meio-pesado)
1993: Rogério Sampaio (leve)
1995: Danielle Zangrando (leve)
1997: Edinanci Silva (meio-pesado) e Fúlvio Myata (ligeiro)
1999: Sebastian Pereira (leve)
2003: Mario Sabino (meio-pesado), Edinanci Silva (meio-pesado) e Carlos Honorato (médio)
2005: Luciano Côrrea (meio-pesado)

Donas de medalhas em todas as categorias nos Jogos Pan-americanos, as judocas brasileiras querem usar o Mundial do Rio de Janeiro, que começa nesta quinta-feira e vai até o dia 16, como forma de se consolidar perante o grande público. A idéia é se desvencilhar definitivamente da sombra do masculino.

Os resultados mostram que elas têm tudo para conseguir se destacar na Arena Olímpica, palco da ginástica e do basquete no Pan: além dos dois ouros, quatro pratas e um bronze no Rio 2007, as representantes nacionais vêm de uma temporada onde conseguiram o histórico resultado de subir ao ponto mais alto em uma Supercopa do Mundo, feito alcançado pela experiente Edinanci Silva.

Bronze em Mundiais em duas oportunidades (1997 e 2003), a paraibana Edinanci chega à disputa como uma das favoritas entre as meio-pesados, categoria na qual pretende competir nos Jogos Olímpicos de Pequim, o quarto e possivelmente último de sua carreira. De olho em uma final no Rio, a judoca é, ao lado da leve Danielle Zangrando, a mais experiente da seleção, formada por uma mistura entre gerações, cujas atletas variam entre os 31 de Edinanci e os 16 de Mayra Aguiar.

Apesar da grande diferença de idade, as brasileiras asseguram que este é o grupo mais homogêneo que já disputou um Mundial. “Não se pode dizer que esta é a melhor seleção da história porque o ano ainda não acabou. Mas todas as atletas são muito boas e têm possibilidade de conseguir um bom resultado. Nunca tivemos tantas chances”, aponta a ligeiro Daniela Polzin. “Somos uma grande equipe com vários talentos individuais. Vivemos um grande momento”, completa.

E o que provocou essa mudança? A técnica Rosicléia Campos, que assumiu a seleção em 2005. Segundo as atletas, a ex-judoca foi a responsável por introduzir uma nova mentalidade no time nacional. Mas, como não poderia deixar de ser, o caminho não foi nada fácil. O maior percalço veio logo de cara, quando nenhuma das meninas conseguiu subir ao pódio no Mundial do Cairo. A pesado Priscila Marques relembra os momentos de tensão vividos durante e após a disputa. “Estava me sentindo muito preparada para a competição, mas perdi uma luta faltando dez segundos para o final. Depois disso, não tive estímulo nenhum para lutar pelo bronze”, conta a atleta.

O abatimento após a derrota se repetiu com toda a equipe brasileira e obrigou a treinadora a tomar uma atitude drástica. “No aeroporto, ela deu um esporro muito grande na gente e disse que se fosse para continuar daquele jeito, ela não queria. O ouro no Mundial era importante, mas a gente não brigou depois das derrotas. A partir desse momento, mudamos a nossa visão”, relembra Priscila.

Medalhista de bronze no Mundial de 1995, Danielle Zangrando também aponta uma maior união entre as meninas da seleção brasileira. “Quando eu entrei na seleção, com 15 anos, não tinha esse feedback das meninas mais velhas, de elas nos ensinarem e passarem experiência. Era uma coisa meio cada um por si. Agora, servimos como uma espécie de escudo para as mais jovens. Isso já deu certo no Pan e nas etapas da Copa do Mundo, onde elas lutaram muito bem”, destaca.

Atleta mais jovem do time, Mayra Aguiar confirma. “Quando eu entrei na seleção, até senti um pouco de receio porque elas eram mais velhas. Mas, no final, elas me tratam muito bem. São um espelho para mim. Aqui é a minha segunda família”, comenta a novata, que pode repetir o feito de Zangrando, que subiu a um pódio do Mundial, com 16 anos. “Dá para esperar qualquer coisa”, sorri a gaúcha.

Responsável por tirar a experiente Vânia Ishii da seleção, a meio-médio Danielli Yuri ressalta que as novatas serão franco-atiradoras no Mundial. “A esperança é conseguir a vaga olímpica, mas a vontade é medalhar. Mas o que vier é lucro”, admite a atleta. “Já percebi que se eu ficar pensando na Vânia, não rendo nada. Quero fazer a minha história, não viver a dela”, ressalta. O Mundial é mais um teste nesta trajetória.

Vencedora de duas etapas da Copa do Mundo e vice-campeã do Pan 2007, a meio-leve Érika Miranda observa que as viagens promovidas pela comissão técnica e o reforço no trabalho físico feito com as atletas, a partir de 2006, também foi bastante importante para o crescimento do judô feminino brasileiro. “No começo, ninguém acreditava no nosso trabalho, mas acho que a equipe já cresceu quase 100% depois que forçamos a parte física e começamos a ir para Cuba, Equador, Europa... Antes, sempre tinha uma que se destacava, mas agora está todo mundo subindo junto”, resume a competidora.

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