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20/12/2007
Montagem sobre foto Fernando Pilatos/Gazeta Press


Por Felipe Held, especial para a GE.Net

Prova de rua mais tradicional do atletismo brasileiro, a Corrida Internacional de São Silvestre dará continuidade neste ano, em sua 83ª edição, a um costume que desde 2004 marca o evento: o troféu aos campeões masculino e feminino será o Marco da Paz. O prêmio idealizado pelo italiano Gaetano Brancati Luigi foi entregue nesta quarta-feira pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) aos diretores da Fundação Cásper Líbero (FCL). Eles serão repassados ao campeão e à campeã da prova, no dia 31 de dezembro.

O ano de 2007 será o quarto em que o Marco da Paz será entregue aos vencedores da São Silvestre. O troféu é uma representação em madeira do monumento de mesmo nome, localizado no Pátio do Colégio – local da fundação da cidade de São Paulo – e inaugurado no Natal de 2000.

Assim como no original, o laurel da última prova de atletismo da temporada possui a pomba (representando a Anunciação), o sino (a música da paz), o arco (portal para uma nova vida) e os cinco continentes (fazendo alusão à fraternidade entre a população mundial).

O troféu do Marco da Paz passou a ser o prêmio aos campeões da tradicional corrida de rua em sua 80ª edição, em 2004, como explica Júlio Deodoro, superintendente da Gazeta Esportiva.Net e diretor geral da São Silvestre.

“Conheci o Luigi na Lapa no início dos anos 80. Quando a São Silvestre faria 80 anos, liguei para a ACSP procurando por uma empresa que também estivesse para completar a mesma idade. Foi quando o Luigi me contou a história do Marco. Aparentemente as pessoas não vêem a essência do troféu, mas com o tempo se verá que há um significado muito grande”, comentou Deodoro.

Presidente da Fundação Cásper Líbero, Paulo Camarda ilustrou outra função do prêmio. “O mundo tem que se conscientizar da importância da paz e passe a cobrá-la dos governantes. Mas não só a paz deve ser pedida, mas também a preservação do meio ambiente, que é algo muito importante para a sociedade. E acredito que a São Silvestre levará essa mensagem para todo o mundo”, assegurou.

Alencar Burti, presidente da ACSP, fez a conexão do Marco da Paz com o esporte. “Nesse momento controverso por que passa a sociedade mundial, a paz é dever nosso. Sei que notícias boas não vendem, mas algum dia as pessoas vão entender que é de paz que o mundo precisa. E o esporte é fundamental para isso”, declarou, antes de ser apoiado por Leonardo Placucci Filho, vice-presidente do Conselho Diretor da Fundação Cásper Líbero.

“O troféu nada mais é que um instrumento para que possamos, com o esporte, fazer um mundo melhor o mais rápido possível”, observou Placucci Filho. “A Fundação Cásper Líbero se sente bastante honrada por manter como parceiro a Associação Comercial de São Paulo. Só podemos agradecer. Temos certeza de que os vencedores da São Silvestre serão os mensageiros que estarão levando a paz a toda parte do mundo por onde competem. O esporte também é uma grande ferramenta para que transformemos a sociedade para o bem, a fim de que possamos ter um mundo melhor”, completou.

Deodoro reforçou as teses citadas: “A idéia de dar o Marco da Paz a todos os campeões da São Silvestre representa a necessidade de o mundo se envolver na busca pela paz e levá-la a todas as pessoas. Também temos que transmitir a mensagem do amor, que ultimamente anda em falta. Só que devemos plantar a semente. A São Silvestre faz isso, pois além da competição e do lado festivo, há a disputa para vencer não só um desafio individual, mas os 20 mil participantes, representando a população mundial, simbolizará o triunfo sobre as diferenças sociais”.

O diretor geral da São Silvestre, Júlio Deodoro, acompanhado por Paulo Camarda, presidente da Fundação Cásper Líbero, e do vice do Conselho Diretor, Leonardo Placucci Filho, também entregou convites especiais da corrida a Alencar Burti, presidente da ACSP, e Gaetano Luigi.

A história do Marco da Paz: Se uma das metas do Marco da Paz é unir os povos do planeta, a idéia do surgimento do monumento já faz alusão ao objetivo, pois sua história começou na Europa e atravessou o Oceano Atlântico antes de ser inaugurado no Brasil.

Isso porque em 1945, quando Luigi tinha oito anos e ainda morava na Itália. “Tenho que agradecer a Deus por nunca ter desistido de persistir neste sonho, que nasceu em 45 quando os sinos da Europa anunciaram o término da 2ª Guerra Mundial. Aquele momento ficou gravado na minha mente e nunca se apagou, nascendo assim o desejo dentro de mim de um dia criar alguma coisa que cativasse a humanidade no caminho da paz”, relembrou.

Mas o projeto só foi executado mais de meio século depois, do outro lado do Atlântico, após Luigi passar alguns anos na Argentina e, enfim, migrar para o Brasil. Em um dia de 1999 na ACSP, o italiano Luigi percebeu que o sino da igreja do Pátio do Colégio, do outro lado da Rua Boa Vista, não era tocado e foi atrás do porquê.

“Fui ao Padre, perguntei e ele me falou que o sino havia sido roubado há 15 anos. Aí está a marca do destino: por que ninguém havia notado antes – e nem eu, que há 30 anos já fazia parte da Associação Comercial? As coisas estão marcadas pelo destino!”, ressaltou.

Luigi, então, pediu apoio ao presidente da ACSP, Alencar Burti. “Como nossas atitudes sempre são de colaborar, falei para o padre que em poucos dias arrumaríamos um sino para ele. Comentei o caso com o nosso querido mandatário e ele prontamente apoiou e me liberou para resolver o problema”, observou. Estava dado o passo para que o monumento fosse idealizado.

“Na hora de colocar o sino, que leva o nome de Alencar Burti, apareceu o desenho do Marco da Paz por causa de um raio de sol das 15h30. Depois de 55 anos nascia o Marco da Paz em uma visão obtida por uma doação importante para a igreja, que até hoje tem o sino na torre e toca todos os dias”, orgulhou-se.

Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
Leonardo Placucci Filho, vice-presidente do Conselho Diretor da FCL; Alencar Burti, presidente da ACSP; Paulo Camarda, presidente da FCL; Gaetano Brancati Luigi, assessor da presidência da ACSP; e Júlio Deodoro, superintendente da Gazeta Esportiva.Net, durante a entrega do troféu Marco da Paz.


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