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08/03/2008
Montagem sobre fotos Gazeta Press

Por Carolina Maria Canossa

Foto: Arquivo/Gazeta Press
Nadia Comaneci: primeira e única nota 10 da história da ginástica

Nadia Comaneci, Janet Evans, Martina Navratilova, Steffi Graff, Lisa Leslie, Yelena Isinbayeva, Inge de Bruijin, Krisztina Egerszegi, Birgit Fischer, Mia Hamm, Regla Torres, Catalina Ponor.... O que todos esses nomes têm em comum? Tratam-se de grandes mulheres que conseguiram superar as dificuldades e marcaram seus respectivos nomes na história do esporte.

No Dia Internacional da Mulher, as esportistas têm muito a comemorar. Até algumas décadas atrás, elas nem tinham autorização para competir. Nos Jogos disputados na Antiguidade grega, por exemplo, o regulamento previa que as mulheres sequer podiam acompanhar as competições, que eram disputadas por homens totalmente nus. E o preconceito continuou na primeira Olimpíada da Era Moderna: em Atenas-1896, não havia nenhuma representante do sexo feminino lutando por medalhas.

O cenário mudou e muito. Em Atenas-2004, por exemplo, havia 4329 mulheres atletas, cerca de 40% do total de competidores. Em alguns países como o Brasil, por exemplo, elas chegaram a somar quase metade da delegação. E, de acordo com as expectativas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o país de Daiane dos Santos e Marta deve manter o patamar para as Olimpíadas de Pequim.

Entre as dificuldades de ser uma atleta de alto rendimento está a questão da vaidade. Técnico campeão olímpico de vôlei com o time masculino em Barcelona-1992, José Roberto Guimarães já enfrentou problemas no comando da seleção feminina ao tentar impor uma rotina de musculação mais intensa para as jogadas da equipe nacional. Dona do melhor resultado feminino da vela brasileira na história - a quarta colocação no Mundial da classe 470 em 2006, ao lado de Isabel Swan - Fernanda Oliveira já teve que engordar para poder seguir competitiva.

Foto: AFP
Isinbayeva é o maior nome do atletismo mundial no momento

“Muitas vezes temos que aumentar a musculação para ficar mais forte e não mais bonita. Por causa da vela, eu e a Isabel já tivemos que emagrecer e engordar algumas vezes. Tem que ter um namorado compreensivo”, brinca a atleta, que tem boas chances de em Pequim se tornar a brasileira medalhista no esporte que mais deu pódios olímpicos ao país. “Para a mulher, é bem mais complicado se manter no esporte, pois com uns 30 anos ela começa a querer ter filho e a coisa fica complicada”, emenda Fernanda, acostumada a vencer homens nas disputas de sua classe.

As mulheres só foram autorizadas a competir nas Olimpíadas em Paris-1900, quando tiveram 22 representantes. Primeira campeã olímpica, a tenista britânica Charlotte Cooper - então uma estrela três vezes dona do título de Wimbledon - conquistou a medalha de ouro usando um longo vestido, com direito a babados e rendas.

Com participações discretas nos Jogos seguintes, as mulheres só voltariam a chamar a atenção em Amsterdã-1928, quando três competidoras desmaiaram após a final dos 800m rasos. Com a repercussão negativa do caso, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) à época, o conde belga de Baillet-Latour, chegou a declarar que havia se arrependido de permitir a inclusão de atletas do sexo feminino no atletismo, novidade daquela edição dos Jogos.

A ameaça não chegou a se concretizar, mas as atletas do sexo feminino só voltariam a correr em distâncias acima de 200m em Olimpíadas nos Jogos de Tóquio-1964. Foi em 1928, aliás, que surgiu a primeira grande musa olímpica: a canadense Ethel Catherwood, ouro no salto em altura. Ao mostrar as pernas durante a execução de seu movimento, ela levantou aplausos do público masculino – voltou ao seu país natal como heroína e ganhou uma bolsa se estudos no valor de US$ 3 mil, que usou para fazer aulas de piano erudito, motivo para abandonar a carreira esportiva.

Foto: João Pires/Fotojump
Maria Esther Bueno é tida como o maior nome do tênis brasileiro em todos os tempos. Mais que Guga.
A primeira brasileira a competir em uma Olimpíada foi a gaúcha Maria Lenk, que caiu logo nas eliminatórias dos 100m livre, 100m costas e 200m peito em Los Angeles-1932. Repetiu a dose em Berlim-1936, quando chegou à disputa com expectativa de pódio dos 200m peito, modalidade na qual competia com um estilo muito parecido ao que hoje é visto em disputas de borboleta.

Ela, porém, decepcionou na disputa, caindo logo nas eliminatórias, desempenho ruim provocado pela viagem de um mês até a Alemanha, onde chegou com problemas musculares causados por causa da falta de condições de treinamento no navio que a levou até a Europa. Em 1939, a nadadora viria a bater os recordes mundiais da prova e também dos 400m peito.

Outra brasileira de destaque no mundo do esporte só apareceria no final dos anos 50, através de Maria Esther Bueno. Jovem e bonita, a paulistana conquistou em toda sua carreira três títulos individuais em Wimbledon e quatro do Aberto dos Estados Unidos, além de ter chegado à final do Aberto da Austrália e de Roland Garros. Além disso, ela chegou a 11 finais de Grand Slams em duplas e totaliza mais de 500 títulos na soma total. Se à época houvesse um ranqueamento mundial, ela provavelmente figuraria no topo da lista por muito tempo.

Maria Esther também teria grandes chances de se tornar a primeira medalhista olímpica brasileira da história, mas nem teve a chance de tentar, porque o tênis deixou de ser disputado após os Jogos de Paris-1924, por conta de inúmeras discussões a respeito da profissionalização da modalidade, que só voltaria a recuperar o status olímpico em 1988.

Desta forma, as primeiras medalhas olímpicas brasileiras entre as mulheres chegariam apenas em Atlanta-1996, quando o basquete campeão mundial de Hortência e Magic Paula conquistou a prata, enquanto o vôlei de Ana Moser e Fernanda Venturini ficou com o bronze. Porém, o destaque feminino mesmo naquela edição foi para a participação nacional no vôlei de praia, em que Jaqueline e Sandra bateram Mônica e Adriana na decisão, dando origem à única dobradinha verde-amarela em uma Olimpíada.

Mas nem tudo no esporte feminino são alegrias: em 1984, por exemplo, a corredora suíça Gabrielle Andersen-Scheiss arrastou-se até a linha de chegada da primeira prova de maratona olímpica entre mulheres da história – completou a prova quase desfalecida, provocando mudança na regra que desclassificava um competidor que precisava de ajuda médica. Anos depois, Florence Griffith-Joyner e Marion Jones tiveram seus nomes eternamente associados ao doping. Mesmo assim, não conseguiram manchar uma história cujas mulheres pretendem escrever ainda mais capítulos em agosto, durante as Olimpíadas de Pequim.

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