| Por
Carolina Maria Canossa
| Foto: Arquivo/Gazeta
Press |
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| Nadia Comaneci: primeira e única nota 10 da história da ginástica |
Nadia Comaneci, Janet Evans, Martina Navratilova, Steffi
Graff, Lisa Leslie, Yelena Isinbayeva, Inge de Bruijin,
Krisztina Egerszegi, Birgit Fischer, Mia Hamm, Regla
Torres, Catalina Ponor.... O que todos esses nomes têm
em comum? Tratam-se de grandes mulheres que conseguiram
superar as dificuldades e marcaram seus respectivos
nomes na história do esporte.
No Dia Internacional da Mulher, as esportistas têm
muito a comemorar. Até algumas décadas
atrás, elas nem tinham autorização
para competir. Nos Jogos disputados na Antiguidade grega,
por exemplo, o regulamento previa que as mulheres sequer
podiam acompanhar as competições, que
eram disputadas por homens totalmente nus. E o preconceito
continuou na primeira Olimpíada da Era Moderna:
em Atenas-1896, não havia nenhuma representante
do sexo feminino lutando por medalhas.
O cenário mudou e muito. Em Atenas-2004, por
exemplo, havia 4329 mulheres atletas, cerca de 40% do
total de competidores. Em alguns países como
o Brasil, por exemplo, elas chegaram a somar quase metade
da delegação. E, de acordo com as expectativas
do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o
país de Daiane dos Santos e Marta deve manter
o patamar para as Olimpíadas de Pequim.
Entre as dificuldades de ser uma atleta de alto rendimento
está a questão da vaidade. Técnico
campeão olímpico de vôlei com o
time masculino em Barcelona-1992, José Roberto
Guimarães já enfrentou problemas no comando
da seleção feminina ao tentar impor uma
rotina de musculação mais intensa para
as jogadas da equipe nacional. Dona do melhor resultado
feminino da vela brasileira na história - a quarta
colocação no Mundial da classe 470 em
2006, ao lado de Isabel Swan - Fernanda Oliveira já
teve que engordar para poder seguir competitiva.
Foto: AFP |
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| Isinbayeva é o maior nome do atletismo mundial no momento |
“Muitas vezes temos que aumentar a musculação
para ficar mais forte e não mais bonita. Por
causa da vela, eu e a Isabel já tivemos que emagrecer
e engordar algumas vezes. Tem que ter um namorado compreensivo”,
brinca a atleta, que tem boas chances de em Pequim se
tornar a brasileira medalhista no esporte que mais deu
pódios olímpicos ao país. “Para
a mulher, é bem mais complicado se manter no
esporte, pois com uns 30 anos ela começa a querer
ter filho e a coisa fica complicada”, emenda Fernanda,
acostumada a vencer homens nas disputas de sua classe.
As mulheres só foram autorizadas a competir
nas Olimpíadas em Paris-1900, quando tiveram
22 representantes. Primeira campeã olímpica,
a tenista britânica Charlotte Cooper - então
uma estrela três vezes dona do título de
Wimbledon - conquistou a medalha de ouro usando um longo
vestido, com direito a babados e rendas.
Com participações discretas nos Jogos
seguintes, as mulheres só voltariam a chamar
a atenção em Amsterdã-1928, quando
três competidoras desmaiaram após a final
dos 800m rasos. Com a repercussão negativa do
caso, o presidente do Comitê Olímpico Internacional
(COI) à época, o conde belga de Baillet-Latour,
chegou a declarar que havia se arrependido de permitir
a inclusão de atletas do sexo feminino no atletismo,
novidade daquela edição dos Jogos.
A ameaça não chegou a se concretizar,
mas as atletas do sexo feminino só voltariam
a correr em distâncias acima de 200m em Olimpíadas
nos Jogos de Tóquio-1964. Foi em 1928, aliás,
que surgiu a primeira grande musa olímpica: a
canadense Ethel Catherwood, ouro no salto em altura.
Ao mostrar as pernas durante a execução
de seu movimento, ela levantou aplausos do público
masculino – voltou ao seu país natal como
heroína e ganhou uma bolsa se estudos no valor
de US$ 3 mil, que usou para fazer aulas de
piano erudito, motivo para abandonar a carreira esportiva.
| Foto: João Pires/Fotojump |
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| Maria Esther Bueno é tida como o maior nome do tênis brasileiro em todos os tempos. Mais que Guga. |
A primeira brasileira a competir em uma Olimpíada
foi a gaúcha Maria Lenk, que caiu logo nas eliminatórias
dos 100m livre, 100m costas e 200m peito em Los Angeles-1932.
Repetiu a dose em Berlim-1936, quando chegou à
disputa com expectativa de pódio dos 200m peito,
modalidade na qual competia com um estilo muito parecido
ao que hoje é visto em disputas de borboleta.
Ela, porém, decepcionou na disputa, caindo logo
nas eliminatórias, desempenho ruim provocado
pela viagem de um mês até a Alemanha, onde
chegou com problemas musculares causados por causa da
falta de condições de treinamento no navio
que a levou até a Europa. Em 1939, a nadadora
viria a bater os recordes mundiais da prova e também
dos 400m peito.
Outra brasileira de destaque no mundo do esporte só
apareceria no final dos anos 50, através de Maria
Esther Bueno. Jovem e bonita, a paulistana conquistou
em toda sua carreira três títulos individuais
em Wimbledon e quatro do Aberto dos Estados Unidos,
além de ter chegado à final do Aberto
da Austrália e de Roland Garros. Além
disso, ela chegou a 11 finais de Grand Slams em duplas
e totaliza mais de 500 títulos na soma total.
Se à época houvesse um ranqueamento mundial,
ela provavelmente figuraria no topo da lista por muito
tempo.
Maria Esther também teria grandes chances de
se tornar a primeira medalhista olímpica brasileira
da história, mas nem teve a chance de tentar,
porque o tênis deixou de ser disputado após
os Jogos de Paris-1924, por conta de inúmeras
discussões a respeito da profissionalização
da modalidade, que só voltaria a recuperar o
status olímpico em 1988.
Desta forma, as primeiras medalhas olímpicas
brasileiras entre as mulheres chegariam apenas em Atlanta-1996,
quando o basquete campeão mundial de Hortência
e Magic Paula conquistou a prata, enquanto o vôlei
de Ana Moser e Fernanda Venturini ficou com o bronze.
Porém, o destaque feminino mesmo naquela edição
foi para a participação nacional no vôlei
de praia, em que Jaqueline e Sandra bateram Mônica
e Adriana na decisão, dando origem à única
dobradinha verde-amarela em uma Olimpíada.
Mas nem tudo no esporte feminino são alegrias:
em 1984, por exemplo, a corredora suíça
Gabrielle Andersen-Scheiss arrastou-se até a
linha de chegada da primeira prova de maratona olímpica
entre mulheres da história – completou
a prova quase desfalecida, provocando mudança
na regra que desclassificava um competidor que precisava
de ajuda médica. Anos depois, Florence Griffith-Joyner
e Marion Jones tiveram seus nomes eternamente associados
ao doping. Mesmo assim, não conseguiram manchar
uma história cujas mulheres pretendem escrever
ainda mais capítulos em agosto, durante as Olimpíadas
de Pequim. |