| Por
Marta Teixeira
| As
provas e as estrelas |
| Nos cinco eventos programados
para o país serão disputadas 12 das 40 provas
existentes no atletismo. Abrindo o calendário,
o GP paulista terá sete provas no masculino
e nove no feminino.
Veja a programação do evento e
a lista de destaques confirmados:
Feminino
100m rasos, 400m, 1.500m, 100m com barreiras,
salto em altura, salto em distância, lançamento
de disco, lançamento do dardo e revezamento
4x100m.
Masculino
100m, 400m, 1.500m, salto em altura, salto
com vara, arremesso de peso e revezamento
4x100m.
Destaques
Maurren Maggi, 31 anos,
5ª do mundo no salto em distância
com 6,95m. Finalista do Mundial de Osaka
e prata no Mundial Indoor, em março
Ângela White, 27
anos, 7ª nos 100m com barreiras com
12s93. Finalista nas Olimpíadas de
Atenas-2004 (4ª) e em Osaka (8ª)
Kim Kreiner, 30 anos, 8ª
no lançamento do dardo com 64,19m.
Finalista em Atenas (8ª)
Sheena Johnson, 25 anos,
2ª nos 400m com 53s29 e 28ª nos
100m com barreiras com 12s75
Keila Costa, Brasil, 25
anos, 11ª do mundo no salto em distância
com 6,88m
Fábio Gomes da Silva,
Brasil, 24 anos, 17º no salto com vara
com 5,77m
Michael Mathieu, Bahamas,
23 anos, 25º nos 400m com 45s22
Stephanie Brown-Trafton,
Estados Unidos, 28 anos, 28ª no lançamento
do disco com 63,30m
Elisângela Adriano,
Brasil, 35 anos, 30ª no disco com 61,09m
Viktoriya Boyko, Ucrânia,
34 anos, 32ª no disco com 60,65m
Davida Prendergast, Jamaica,
23 anos, 35ª nos 400m com 51s24
Alessandra Resende, Brasil,
32 anos, 40ª no dardo com 59,58m
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São Paulo volta em grande estilo ao circuito dos meetings
internacionais de atletismo. No próximo dia 22 de maio,
o Estádio Ícaro de Castro Melo, no Ibirapuera, recebe
o primeiro dos cinco Grandes Prêmios programados para
o país durante o mês.
Além da brasileira Maurren Higa Maggi, número 5 do
mundo no salto em distância, a Confederação Brasileira
de Atletismo (CBAt) confirma também a presença de outros
três Top 10 do ranking internacional na competição.
A canadense Ângela White puxa a fila, ocupando a sétima
colocação na lista dos 100m com barreiras.
A norte-americana Kim Kreiner, uma posição abaixo
no lançamento de dardo, é outra garantida. Sua compatriota,
Sheena Johnson, campeã no GP Brasil de 2007, em Belém,
e 28 do mundo nas barreiras será uma das adversárias
de Ângela. Ela também disputará a prova no GP de Uberlândia,
que acontece na semana seguinte.
Vice-líder mundial nos 400m com barreiras, Johnson
só disputará sua prova principal no GP de Belém, que
fecha a programação internacional no Brasil, a partir
do dia 25 de maio. Entre os torneios em Minas e Pará
serão disputados os meetings no Rio, dia 18; e em Fortaleza,
dia 21.
Para o presidente da Federação Paulista de Atletismo
(FPA), José Antonio Martins Fernandes, ou Toninho como é chamado, o fim da espera
foi possível pelo desejo de São Paulo recuperar sua
antiga posição. Apesar de organizar eventos do porte
do Troféu Brasil e do Campeonato Sul-americano, este
no ano passado, desde 1996 a cidade não é sede de um
GP.
“Temos o aval do Governo do Estado de São Paulo, através
da Secretaria de Esportes, e da Prefeitura de São Paulo
para agendarmos competições de porte para a cidade”,
explica. “Apresentei o projeto e eles acharam que era
hora de São Paulo retomar esta história antiga”. A BM&F
e o grupo Rede de Energia vão ajudar a pagar as premiações.
Palco de apresentações de estrelas como o norte-americano
Carl Lewis e o ucraniano Sergei Bubka, ainda hoje recordista
mundial no salto com vara, a capital paulista entrou
no ostracismo por problemas de caixa. “Parece que houve
falta de interesse dos patrocinadores. Para fazer um
evento deste nível você precisa ter recursos muito grandes
e (a organização) não estava mais conseguindo”, lembra.
Os GPs fazem parte do IAAF World Tour, principal circuito
da modalidade e São Paulo foi sede de eventos do calendário
durante 11 anos, de 1985 a 1995. Nos últimos anos, o
evento era promovido pelo empresário Vitor Mazzoni.
Com a impossibilidade de mantê-lo, a Confederação
Brasileira de Atletismo (CBAt) assumiu o meeting. De
96 a 2001, a sede foi o Rio de Janeiro. Desde então,
ele acontece em Belém, onde tem o apoio direto do Governo
estadual.
São Paulo teve a chance de voltar ao circuito graças
à expansão de eventos promovida pela CBAt. “Quando assumi
tínhamos apenas um, passamos a dois, três, quando já
me perguntavam (a equipe de apoio) se estava tentando
matá-los. Hoje, chegamos a cinco”, comemora o presidente
da Confederação, Roberto Gesta de Melo.
Autorizados pela Associação Internacional das Federações
de Atletismo (IAAF), os eventos são classificados de
acordo com sua dotação orçamentária. A etapa paulista
terá orçamento de R$ 700 mil, incluindo premiações e
despesas de hospedagem dos atletas. “Este ano ainda
é um meeting regional, não é um de área. Estamos fazendo
um GP menor, mas é internacional e São Paulo volta a
fazer parte do circuito mundial”, destaca Toninho.
Este ano? Isto significa que São Paulo ambiciona reassumir
o principal evento do calendário? O dirigente desconversa.
”São Paulo é o Estado com as melhores condições para
que se realize um evento deste porte. Claro que temos
intenção, mas depende de uma série de questões, principalmente
a financeira, e do interesse do Governo. Estamos pleiteando
e na medida que formos sentindo a necessidade ou que
houver oportunidade, a gente entra com o requerimento.
Mas isto não tem previsão. Depende de apoio e da aprovação
das Federações Brasileira e Internacional porque um
GP de Área equivale a um GP de Fórmula 1, guardadas
as devidas proporções. São feitos apenas 18 no mundo
hoje”.
Sem rivalidade e com mais pistas
- Apesar da satisfação pelo retorno do meeting, o presidente da Federação Paulista descarta que a iniciativa seja uma tentativa
de fazer frente à perda de espaço de São Paulo com o
crescimento do Rio de Janeiro como núcleo das principais
competições esportivas no país. “Acho que São Paulo
nunca perdeu para o Rio, que sempre esteve à frente
em eventos esportivos e internacionais por uma série
de questões. Uma delas o fato de a maioria das Confederações
ficar lá”, minimiza. “São Paulo tem o próprio caminho:
a grande maioria das seleções brasileiras está sediada
aqui por causa dos Jogos Abertos e Regionais e é o Estado
que mais tem difundido o esporte no interior e na capital”.
Considerando intacta a força natural como celeiro
competitivo, o dirigente lamenta apenas a defasagem
em relação aos equipamentos esportivos. “São Paulo deixa
a desejar na questão de equipamentos. Não temos uma
estrutura que possa trazer eventos de nível realmente
grande. O Rio está um passo adiante por causa dos Jogos
Pan-americanos. Hoje São Paulo não tem um ginásio a
altura de um evento internacional. Tem o Ibirapuera,
mas é um ginásio antigo que reconhecidamente precisa
de melhorias urgentes”.
Nem o atletismo escapa muito desta sina. A pista do
Ibirapuera reina absoluta e praticamente isolada. “Só
temos esta pista para treinar, competir e fazer eventos.
Nenhuma cidade do mundo, do porte de São Paulo, tem
uma quantidade tão insignificante assim”, reclama Toninho.
Uma outra foi construída na Praia Grande para os Jogos
Abertos do ano passado. Piracicaba também está construindo
uma, enquanto o Grupo Rede prepara outra, em Bragança,
com recursos particulares. Todas com nível internacional.
”Mas hoje temos apenas uma, o que é uma dificuldade
em ano olímpico para treinamento dos atletas, competições
e eventos internacionais”. A boa notícia é que há sinais
de vontade política para reverter a situação. “Estão
tendo boa vontade com o atletismo e acredito que no
ano que vem já estejamos melhor”.
O Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa também
deve ganhar uma pista nível 1 em breve. “Já foi feita
licitação e estão em fase final para começarem as obras.
A partir do momento que tivermos o Centro Olímpico,
da Prefeitura, e o Ibirapuera, do Estado, você passa
a ter referência forte no atletismo de duas pistas”,
completa. |