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Por Fernando Narazaki

Labrum acetabular. A fibrocartilagem que cobre a parte anterior da articulação do quadril foi a grande vilã do brasileiro Gustavo Kuerten nos últimos dez meses. A lesão de que o catarinense vinha tanto se queixando foi diagnosticada após exames feitos pela equipe médica da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), depois da decepcionante eliminação de Guga na primeira rodada do Aberto da Austrália.

Agora, o catarinense deverá priorizar as sessões de fisioterapia no local para que consiga voltar o mais rápido possível para as quadras. A curto prazo, está descartada a possibilidade de uma cirurgia.

O médico Marcos Contreras, responsável pelo tratamento do tenista, estima que Guga só deve retornar às quadras no Torneio de Buenos Aires, entre 18 e 24 de fevereiro, em que o brasileiro precisará defender o título obtido no ano passado.

Para o duelo contra a República Tcheca pela primeira rodada da Copa Davis, entre 8 e 10 de fevereiro, a participação do segundo do mundo está praticamente descartada. "Existe grande possibilidade dele ficar fora da Davis. O tipo de piso (carpete em Ostrava) não é dos mais apropriados para a lesão que ele tem. Se fosse hoje, eu vetaria, mas como temos muito tempo até lá, ele pode se recuperar. Se ele estiver muito bem, o que eu acho pouco provável, Guga terá condições de atuar", disse.

Caso o médico vete a participação do brasileiro, ele deverá comunicar o fato ao departamento médico da Confederação Brasileira. "Só preciso ter a avaliação médica do profissional. Se surgir qualquer dúvida, eu posso consultá-lo, mas isso não deverá ser preciso", disse Rogério Teixeira da Silva, coordenador do departamento.

Contreras tratou de lembrar que o objetivo é preparar o brasileiro para a competição de saibro em Buenos Aires. "O nosso objetivo é que ele fique legal para a Argentina. Não penso muito na Davis", afirmou o ortopedista.

O médico preferiu não especificar o tempo de recuperação para o tratamento. "Isso depende do desenvolvimento dele. O trabalho é que fique bom até a Argentina", explicou. Contreras afirmou que a participação do brasileiro nos Masters Series de Indian Wells e Miami, que serão realizados em março, está ameaçada. "O tipo de piso é ruim. Tudo vai depender do desempenho dele na Argentina, que será um teste-piloto para nós. Lógico que a quadra dura castiga mais o corpo, mas ainda temos tempo até lá".

Em sua programação inicial, Guga disputará o Torneio de Acapulco, em que também defenderá o título obtido em 2001, antes dos Masters Series. "Como o saibro é uma quadra mais mole, o impacto é menor. Desta forma, ele deverá jogar", analisou Contreras, que está acompanhando a fisioterapia, que está sob os cuidados de Mariângela Lima.

"O Guga está treinando e foram feitas algumas adaptações no treino dele para que o tenista não sentisse tanto a lesão. É um processo gradual e que esperamos ter os resultados na Argentina. Mas, mesmo assim, já peço que não cobrem resultados dele. Ele está se recuperando e o Guga não precisa provar mais nada para ninguém", afirmou o médico catarinense.

A lesão: Segundo o ortopedista e traumatologista Marcos Contreras, a contusão no labrum acetabular foi causada por trauma. "Ele deve ter feito um movimento de forma inadequada. Isso afetou o labrum, que cobre a articulação do quadril. Esta fibrocartilagem rasgou e está balançando, causando muita dor ao atleta. Além disso, como um pequeno pedaço desta estrutura se interpôs na articulação, ela gerou também o desequilíbrio mecânico", explicou.

O médico afirmou que não houve pubalgia (inflamação na região do púbis) como vinha sendo comentado pela equipe de Guga até então. "Não há qualquer pubalgia. Ele não tem qualquer problema nesta região. E também o desconforto que ele pode ter sentido na coxa foi causada por um tendinite, que é conseqüência da contusão no labrum acetabular", disse.

Em abril do ano passado, o brasileiro já foi forçado a abandonar o Torneio de Barcelona, em virtude da contusão. Na época, a equipe médica da competição espanhola diagnosticou a pubalgia, que foi descartada por Contreras.

Guga passou a reclamar mais das dores na região durante o Masters de Sydney, em que perdeu os três jogos que disputou na primeira fase. Depois disso, o segundo do mundo descansou por duas semanas na Austrália e nas Ilhas Fiji, retomando a fisioterapia apenas na segunda quinzena de dezembro do ano passado.

Durante as três semanas anteriores ao Aberto da Austrália, o catarinense se dedicou a sessões diárias no local. "Será mantido o mesmo tratamento, já que apresentou bons resultados. Ele teve de ir à Austrália apenas para cumprir seu calendário, por uma obrigação", disse Contreras.

Má fase: Gustavo Kuerten enfrenta um inferno astral nunca visto em sua carreira profissional. Desde setembro do ano passado, ele só ganhou uma de 11 partidas que disputou em torneios da ATP. É a maior seqüência negativa da história do brasileiro, que perdeu mais de 900 pontos no ranking de entradas neste período.

Após sua participação no Aberto dos EUA (quando sofreu sua primeira derrota na seqüência diante do russo Yevgeny Kafelnikov), Guga estava com 4.750 pontos. Passados quatro meses, o tenista terá apenas 3.825 pontos, na lista que será divulgada em 30 de janeiro, depois do encerramento do Aberto da Austrália.

Para piorar a situação, Guga terá um primeiro semestre bastante complicado. Ele precisará defender os títulos no Aberto da França, no Masters Series de Hamburgo e nos torneios de Buenos Aires e Acapulco, além do vice no Masters Series de Roma e a terceira rodada no Masters Series de Indian Wells. O total de pontos a ser mantido pelo catarinense é de 2.415 pontos. Caso não consiga defender esta pontuação, Guga corre sério risco de sair do grupo dos 20 melhores do mundo.

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