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Por Fernando Narazaki
Um momento histórico. O mineiro André
Sá está colocando o seu nome entre
os maiores do tênis brasileiro com o ótimo
desempenho apresentado no Torneio de Wimbledon.
Pela terceira vez em todos os tempos, o Brasil
tem um representante nas quartas-de-final da competição
mais importante de grama na modalidade. Antes dele,
apenas o gaúcho Thomaz Koch, em 1967, e o
catarinense Gustavo Kuerten, em 1999, chegaram tão
longe na chave masculina.
Em entrevista exclusiva a Gazeta Esportiva.Net,
o mineiro nem parece acreditar no que está
fazendo em Londres. Com metas modestas no início
da competição, Sá já
sonha com o título de Wimbledon, mas sabe
que é o grande azarão.
Na quarta-feira, ele terá pela frente o
inglês Tim Henman, quinto do mundo no ranking
de entradas da ATP. Sá enfrentará
a torcida inglesa, que não vê um tenista
do país triunfar em Wimbledon desde 1936,
quando Fred Perry foi campeão.
Mas, o fato de enfrentar um tenista local não
assusta o mineiro. Para ele, a sua performance foi
acima do esperado e qualquer resultado já
é lucro. Sá tentará tirar
proveito da pressão que a torcida exerce
sobre Henman para surpreender novamente.
Veja abaixo os trechos da entrevista exclusiva
com André Sá feita por telefone nesta
segunda-feira:
Gazeta Esportiva Net: Hoje você superou
o espanhol Feliciano Lopez. Como foi o jogo e o
que você destaca em sua performance?
André Sá: Foi realmente um
dia emocionante. Consegui uma vitória histórica
e joguei muito bem. O cara exigiu muito e sacava
bem. Consegui vencer e estou realmente feliz.
GE Net: É um feito histórico para
o tênis brasileiro. O que você sente,
igualando uma marca de Gustavo Kuerten e Thomaz
Koch?
Sá: Isso é muito grande. Nem quero
pensar muito nisso, mas sei que é muito importante
para mim e para o tênis brasileiro.
GE Net: Você esperava chegar tão longe
em Wimbledon?
Sá: Não. Tinha planos modestos, mas
agora que cheguei, eu quero mais. Ainda vem mais
por aí e sei que posso conseguir. Agora,
só faltam três partidas para o título.
GE Net: É um sonho distante a conquista
do título?
Sá: Não. Faltam três jogos e
estou confiante. Sei que têm outros caras
muito bons, mas posso chegar lá aos poucos.
GE Net: Bom, o seu próximo jogo será
contra o Tim Henman. O que você espera dessa
partida?
Sá: É um jogo muito duro. Ele tem
a responsabilidade e vou fazer o meu jogo.
GE Net: E a emoção de jogar provavelmente
na quadra central, como está lidando com
isso?
Sá: É uma emoção sem
dúvida. Provavelmente, o jogo será
na quadra central e realizo um dos meus sonhos.
Jogar na quadra central de Wimbledon, o torneio
mais famoso do mundo, contra um dos melhores do
mundo e com a arquibancada cheia. É uma sensação
diferente, pois até agora só joguei
em quadras menores e posso dar trabalho para o Henman.
GE Net: Qual é a tática para bater
o Henman?
Sá: Ele é um jogador de saque-voleio.
Vou usar minha devolução para mantê-lo
no fundo da quadra. Quero fazer um jogo tático
e tentar aproveitar essa chance. Meu objetivo na
partida será subir à rede antes do
HHenman para matar os pontos. Posso ganhar.
GE Net: Os ingleses cobram muito de seus tenistas,
por causa do tabu de 66 anos. Você pretende
usar essa arma no jogo de quarta-feira?
Sá: Os ingleses cobram muito do Henman. Ele
é o preferido deles e todo mundo espera que
ele seja campeão. É sempre uma pressão
muito grande quando você joga em casa. Lógico
que vou usar toda essa pressão na partida.
Se fizer um jogo equilibrado, a torcida pode cobrar
dele e aí eu posso aproveitar.
GE Net: Infelizmente, as emissoras de televisão
no Brasil não estão transmitindo o
torneio de Wimbledon e não podemos ter uma
noção do que está acontecendo.
Qual a explicação para os sul-americanos
estarem tão bem neste ano?
Sá: É o torneio das surpresas neste
ano. Jamais tinha visto Agassi e Sampras cair no
mesmo dia e estamos aproveitando. Como não
choveu aqui na semana passada, a quadra ficou muito
seca e os jogadores puderam ficar mais no fundo
da quadra. A devolução entrava, pois
ficava mais fácil de acertar o timing (tempo)
da bola. Com isso, podemos parar os jogos de saque
e voleio. O saque forte não resolvia tanto
assim, pois dava tempo de alcançar a bola.
Com isso, eu, o (argentino David) Nalbandian e o
(equatoriano Nicolás) Lapentti chegamos aqui.
GE Net: A bola é outro fator que colabora
com esta subida dos sul-americanos?
Sá: Realmente, a bola está mais pesada
do que no ano passado. Isso aumenta a troca de bolas
e aqui, existe uma preocupação grande
com isso. Mas, também tem a evolução
dos sul-americanos. Nós provamos que podemos
jogar bem em todos os pisos e daremos trabalho mesmo
na grama, onde não estamos muito acostumados.
Está todo mundo jogando bem.
GE Net: E como está a repercussão
de vocês por aí?
Sá: Eles estão surpresos, mas podemos
aprontar mais...
GE Net: Ontem (domingo) tivemos a final da Copa
do Mundo. Você assistiu ao jogo?
Sá: Lógico que vi a final. Eu e o
Bocão (técnico de Sá) assistimos
aqui no quarto onde estamos hospedados. Foi sensacional
e comemorei muito. Gritei muito e fiquei muito feliz.
Agora, ganhei e foi um final de semana fantástico.
Depois do jogo, fomos comemorar e treinei até
com a camisa da seleção. Foi muito
bom. Somos penta.
GE Net: Mas isso até acabando sendo ruim
para você, pois tira um pouco da repercussão
do seu sucesso, não é?
Sá: É, mas não estou preocupado
com isso. Sei que os brasileiros vão estar
acompanhando agora que acabou a Copa e vão
me dar aquela força. Podem confiar. Sei que
será difícil, mas tenho chances.
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