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Por Fernando Narazaki
A partir desta semana, o
brasileiro Gustavo Kuerten luta para evitar a pior queda de
sua carreira, desde que conquistou o primeiro título
em challengers, em 17 de novembro de 1996, quando levantou
a taça do torneio de Campinas.
Nesta terça, o catarinense estreou no Torneio de Los
Angeles diante do suíço George Bastl. Ele venceu
o adversário por 2 sets a 0, com parciais de 7/5 e
7/6 (9-7), e salvou apenas 15 dos 1.075 pontos, que terá
de defender nas próximas sete semanas, em quadra sintética,
um piso rápido feito de cimento, que não é
sua especialidade.
Caso não consiga manter esta pontuação,
Guga pode ficar, na pior das hipóteses, com apenas
470 pontos. Na lista desta semana, este valor coloca o tenista
na 86ª colocação do ranking de entradas.
Seria a pior posição de Guga desde 13 de janeiro
de 1997, quando ocupava o 89º lugar, ainda não
havia ganho Roland Garros e era um ilustre desconhecido no
circuito internacional.
Somado a isso, o catarinense ficaria atrás dos brasileiros
Fernando Meligeni, André Sá e Flávio
Saretta, que estão entre os 70 melhores do mundo no
momento. A última vez em que não esteve como
o melhor do Brasil se deu em 5 de maio de 1997, antes ainda
de ganhar Roland Garros, quando estava em 67º lugar,
uma posição atrás de Meligeni.
Seria praticamente um recomeço ao catarinense em um
ano dos mais complicados. Em marco, pela primeira vez, Guga
teve de se submeter a uma cirurgia. A artroscopia no lado
direito do quadril tirou o brasileiro por dois meses das quadras
e ainda não convenceu a todos de que o catarinense
está totalmente recuperado.
Para o próprio técnico Larri Passos, o início
dos jogos no piso sintético é a prova de fogo
para o tenista, que ocupa atualmente a 19ª colocação.
"É o início dos torneios mais difíceis
para ele. O Guga está completamente recuperado e vamos
avaliar isso. Estou confiante de que tudo vai dar certo",
disse o treinador, quatro dias antes de o catarinense embarcar
para Stuttgart, onde disputou o torneio alemão na semana
passada.
Já nesta semana, em Los Angeles, Guga terá
a missão de manter as semifinais (75 pontos no ranking
de entradas) alcançadas no ano passado, em que conquistou
o seu melhor desempenho em quadras rápidas. Para isso,
ele teria de vencer o norte-americano Andre Agassi em um possível
encontro nas quartas-de-final.
| Foto: Reuters |
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Na semana seguinte, o brasileiro encontrará uma semana
mais tranqüila. No Masters Series do Canadá, ele
só precisa manter a terceira rodada (75 pontos) do
ano passado, em seu pior desempenho nos torneios de quadras
sintéticas deste período.
Entre 5 e 11 de agosto, Guga encara a missão mais difícil.
Na quadra de Cincinnati, ele luta para defender o título
conquistado no Masters Series da cidade norte-americana. Foi
o terceiro de Guga em quadras rápidas e ele terá
de manter 500 pontos.
Nas duas semanas seguintes, o brasileiro deve descansar, segundo
a programação inicial divulgada pela sua equipe,
e se preparar para o Aberto dos EUA, onde finalmente defende
250 pontos, com as quartas-de-final de 2001.<P>
Além de manter todos os pontos, Guga ainda terá
de ganhar 175 pontos, já que não estará
em Indianápolis (entre 12 e 18 de agosto), onde foi
vice-campeão no ano passado, para não perder
pontos no ranking de entradas. Uma difícil missão
para Guga no piso rápido, em um território que
menospreza o brasileiro e em sua primeira competição
neste tipo de quadra, depois que foi operado no quadril.
Até agora, o catarinense tem dez vitórias nos
15 jogos que disputou desde abril, quando se recuperou da
operação, mesmo jogando no saibro. Para se ter
uma idéia da diferença, no ano passado, ele
venceu 31 dos 33 jogos que disputou neste mesmo tipo de piso.
O tabu incômodo
Se já não bastasse os problemas com a contusão,
o brasileiro Gustavo Kuerten ainda enfrenta um jejum, que
não estava acostumado. Nos últimos 14 torneios
que disputou, Guga não conseguiu passar das quartas-de-final
e ainda amargou a queda na estréia em sete competições.
Em setembro de 2001, ele disputou sua última decisão,
ao abandonar a partida diante do australiano Patrick Rafter
em Indianápolis. É o maior tabu deste porte
com o catarinense desde 21 de fevereiro de 2000, quando completou
16 torneios sem chegar nas semifinais.
Mas, ao contrário do que acontece agora, o brasileiro
havia atingido as quartas-de-final em seis competições
(Roland Garros/99, Wimbledon/99, Aberto dos EUA/99, Cincinnati/99,
Indianápolis/99 e Lyon/99) contra apenas três
dos últimos 15 eventos (Aberto dos EUA/01, Mallorca/02
e Hamburgo/02).
É uma situação bem diferente para quem
chegou a ficar 28 jogos invicto no saibro entre 2000 e 2001,
com direito a quatro títulos consecutivos (Roland Garros/00,
Buenos Aires/01, Acapulco/01 e Monte Carlo/01).
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