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Um
ano ruim para o Brasil
Por Fernando Narazaki
A temporada 2002 não deixará muitas saudades
para o tênis brasileiro. Gustavo Kuerten foi operado,
caiu no ranking e saiu dos top 20. Fernando Meligeni fez grandes
jogos, mas não chegou ao tão sonhado título.
Flávio Saretta iniciou bem o ano e teve de ser internado
no final de 2002, em virtude de uma apendicite. Alexandre
Simoni, Ricardo Mello e Marcos não emplacaram e ainda
não passam de promessas. Os juvenis brasileiros não
tiveram bons resultados internacionais, enquanto o tênis
feminino segue na mesma fase, sem tenistas de expressão
e, agora, sem um torneio da Associação das Tenistas
Profissionais (WTA).
O único que poderá ter boas recordações
é o mineiro André Sá. Ele chegou às
quartas-de-final do Torneio de Wimbledon, igualando o melhor
resultado da história de um tenista brasileiro na competição,
e se firmou entre os melhores, disputando bons jogos com tenistas
como o russo Marat Safin e o norte-americano Andy Roddick.
Sá chegou a ficar perto dos top 50, mas caiu de rendimento
no final do ano e terminou em 66º lugar.
| Foto: Reuters |
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A síntese do tênis
nacional em 2002 foi Gustavo Kuerten. Após levar uma
virada histórica do francês Julien Boutter na estréia
do Aberto da Austrália, quando venceu os dois primeiros
sets e permitiu a virada, e cair na primeira rodada de Buenos
Aires, Guga reuniu-se com sua equipe e decidiu se submeter a
uma operação no lado direito do quadril. A cirurgia
foi realizada nos EUA e o catarinense surpreendeu pela recuperação
rápida.
Em seis semanas, Guga já estava de volta às
quadras. O recomeço foi complicado e o catarinense
amargou derrotas no saibro, que culminou com o fim da invencibilidade
de 17 jogos no Aberto da França com a derrota diante
do espanhol Albert Costa nas oitavas-de-final. Os maus resultados
seguiram na temporada de quadras rápidas na América
do Norte, quando o ex-número um do mundo chegou até
a tomar uma bronca pública do técnico Larri
Passos, após abandonar a partida de estréia
no Masters Series do Canadá.
Em 30 de agosto, quando tudo parecia levar a um péssimo
ano já que Guga amargava a pior posição
desde Roland Garros/1997 o catarinense iniciou a reação
na segunda rodada do Aberto dos EUA, quando não deu
chances ao russo Marat Safin e venceu o então segundo
do mundo em apenas três sets. O brasileiro só
cairia nas oitavas-de-final diante do holandês Sjeng
Schalken.
O bom resultado animou Guga no Torneio de Costa do Sauípe.
Na Bahia, ele fez grandes jogos, superou o calor de 40 graus
centígrados e arrebatou o título com uma histórica
vitória sobre o argentino Guillermo Coria por 2 sets
a 1, com parciais de 6/7 (4-7), 7/5 e 7/6 (7-2), sendo aplaudido
de pé pelos torcedores. O catarinense ainda chegou
à final inédita em uma competição
de carpete, mas acabou derrotado pelo francês Paul-Henri
Mathieu em Lyon.
Com a boa performance e um jogo consistente, Guga terminou
o ano em 37º lugar e com tempo de fazer uma pré-temporada
para voltar com bons resultados em 2003. "Espero voltar
aos top 10 no final do primeiro semestre de 2003. Estou animado
e fazia tempo que não ficava assim em dezembro. Estou
louco para voltar e chegar aos melhores de novo", afirmou
o catarinense, que ainda confirmou a participação
no Torneio de Wimbledon, após dois anos de ausência.
Fernando Meligeni é outro que termina 2002 com pretensões
otimistas. "Foi o melhor ano da minha vida. Joguei muito
disposto e voltei a ter a mesma vontade de alguns anos",
disse Fininho, que foi à final de Acapulco, às
semifinais de Estoril e às quartas-de-final de Washington
em 2002. Ele permaneceu entre os 100 melhores do mundo o ano
todo e faltou apenas o título para que o tenista de
31 anos encerrasse o ano da forma que gostaria. "Agora
é buscar o título em 2003. É isso que
preciso e vou buscar. Afinal, faz quatro anos que não
ganho um torneio da ATP".
Para o mineiro André Sá e o paulista Flávio
Saretta, o ano foi de provação. "Comecei
mal, mas consegui me recuperar. Faltaram detalhes para chegar
aos top 50, mas fui às quartas em Wimbledon e não
tenho do que reclamar", avaliou Sá, que teve como
melhor resultado as quartas-de-final em Wimbledon, Delray
Beach, Amsterdã e Costa do Sauípe. Já
o paulista Saretta pôde jogar os quatro torneios de
Grand Slam pela primeira vez e foi às semifinais de
Saint Poelten. O único fato a lamentar foi a crise
no apêndice em setembro, durante a repescagem da Copa
Davis, que levou o tenista à mesa de cirurgia e encerrou
prematuramente o ano. Mesmo assim, Saretta encerra 2002 como
92º do mundo.
Além das carreiras individuais, Guga, Meligeni, Sá
e Saretta lutarão para manter o Brasil por mais um
ano na elite da Copa Davis. Eles enfrentarão a Suécia,
fora de casa, e podem amargar a repescagem, como aconteceu
neste ano, quando o país perdeu da República
Tcheca na primeira rodada e manteve-se na elite com a vitória
sobre o Canadá por 4 a 0, no Rio de Janeiro.
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