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20/12/2002
Um ano ruim para o Brasil
Feminino: tudo como antes
Hewitt e Serena, os donos do circuito na temporada

 

Um ano ruim para o Brasil

Por Fernando Narazaki

A temporada 2002 não deixará muitas saudades para o tênis brasileiro. Gustavo Kuerten foi operado, caiu no ranking e saiu dos top 20. Fernando Meligeni fez grandes jogos, mas não chegou ao tão sonhado título. Flávio Saretta iniciou bem o ano e teve de ser internado no final de 2002, em virtude de uma apendicite. Alexandre Simoni, Ricardo Mello e Marcos não emplacaram e ainda não passam de promessas. Os juvenis brasileiros não tiveram bons resultados internacionais, enquanto o tênis feminino segue na mesma fase, sem tenistas de expressão e, agora, sem um torneio da Associação das Tenistas Profissionais (WTA).

O único que poderá ter boas recordações é o mineiro André Sá. Ele chegou às quartas-de-final do Torneio de Wimbledon, igualando o melhor resultado da história de um tenista brasileiro na competição, e se firmou entre os melhores, disputando bons jogos com tenistas como o russo Marat Safin e o norte-americano Andy Roddick. Sá chegou a ficar perto dos top 50, mas caiu de rendimento no final do ano e terminou em 66º lugar.

Foto: Reuters
Foto: Reuters
A síntese do tênis nacional em 2002 foi Gustavo Kuerten. Após levar uma virada histórica do francês Julien Boutter na estréia do Aberto da Austrália, quando venceu os dois primeiros sets e permitiu a virada, e cair na primeira rodada de Buenos Aires, Guga reuniu-se com sua equipe e decidiu se submeter a uma operação no lado direito do quadril. A cirurgia foi realizada nos EUA e o catarinense surpreendeu pela recuperação rápida.

Em seis semanas, Guga já estava de volta às quadras. O recomeço foi complicado e o catarinense amargou derrotas no saibro, que culminou com o fim da invencibilidade de 17 jogos no Aberto da França com a derrota diante do espanhol Albert Costa nas oitavas-de-final. Os maus resultados seguiram na temporada de quadras rápidas na América do Norte, quando o ex-número um do mundo chegou até a tomar uma bronca pública do técnico Larri Passos, após abandonar a partida de estréia no Masters Series do Canadá.

Em 30 de agosto, quando tudo parecia levar a um péssimo ano – já que Guga amargava a pior posição desde Roland Garros/1997 – o catarinense iniciou a reação na segunda rodada do Aberto dos EUA, quando não deu chances ao russo Marat Safin e venceu o então segundo do mundo em apenas três sets. O brasileiro só cairia nas oitavas-de-final diante do holandês Sjeng Schalken.

O bom resultado animou Guga no Torneio de Costa do Sauípe. Na Bahia, ele fez grandes jogos, superou o calor de 40 graus centígrados e arrebatou o título com uma histórica vitória sobre o argentino Guillermo Coria por 2 sets a 1, com parciais de 6/7 (4-7), 7/5 e 7/6 (7-2), sendo aplaudido de pé pelos torcedores. O catarinense ainda chegou à final inédita em uma competição de carpete, mas acabou derrotado pelo francês Paul-Henri Mathieu em Lyon.

Com a boa performance e um jogo consistente, Guga terminou o ano em 37º lugar e com tempo de fazer uma pré-temporada para voltar com bons resultados em 2003. "Espero voltar aos top 10 no final do primeiro semestre de 2003. Estou animado e fazia tempo que não ficava assim em dezembro. Estou louco para voltar e chegar aos melhores de novo", afirmou o catarinense, que ainda confirmou a participação no Torneio de Wimbledon, após dois anos de ausência.

Fernando Meligeni é outro que termina 2002 com pretensões otimistas. "Foi o melhor ano da minha vida. Joguei muito disposto e voltei a ter a mesma vontade de alguns anos", disse Fininho, que foi à final de Acapulco, às semifinais de Estoril e às quartas-de-final de Washington em 2002. Ele permaneceu entre os 100 melhores do mundo o ano todo e faltou apenas o título para que o tenista de 31 anos encerrasse o ano da forma que gostaria. "Agora é buscar o título em 2003. É isso que preciso e vou buscar. Afinal, faz quatro anos que não ganho um torneio da ATP".

Para o mineiro André Sá e o paulista Flávio Saretta, o ano foi de provação. "Comecei mal, mas consegui me recuperar. Faltaram detalhes para chegar aos top 50, mas fui às quartas em Wimbledon e não tenho do que reclamar", avaliou Sá, que teve como melhor resultado as quartas-de-final em Wimbledon, Delray Beach, Amsterdã e Costa do Sauípe. Já o paulista Saretta pôde jogar os quatro torneios de Grand Slam pela primeira vez e foi às semifinais de Saint Poelten. O único fato a lamentar foi a crise no apêndice em setembro, durante a repescagem da Copa Davis, que levou o tenista à mesa de cirurgia e encerrou prematuramente o ano. Mesmo assim, Saretta encerra 2002 como 92º do mundo.

Além das carreiras individuais, Guga, Meligeni, Sá e Saretta lutarão para manter o Brasil por mais um ano na elite da Copa Davis. Eles enfrentarão a Suécia, fora de casa, e podem amargar a repescagem, como aconteceu neste ano, quando o país perdeu da República Tcheca na primeira rodada e manteve-se na elite com a vitória sobre o Canadá por 4 a 0, no Rio de Janeiro.

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