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06/05/2003
Falta de confiança atormenta Guga, dizem especialistas
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Guga contra a pior queda de sua carreira
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Por Fernando Narazaki

Desde que colocou seu nome entre os grandes do tênis internacional, o brasileiro Gustavo Kuerten nunca teve um desempenho tão ruim no saibro, piso que o consagrou, como o apresentado após a cirurgia no lado direito do quadril, em fevereiro do ano passado.

Nesta terça-feira, Guga sofreu mais um revés na carreira. Ele foi derrotado pelo argentino Gastón Gaudio por 2 sets a 1, com parciais de 6/3, 2/6 e 6/4, na primeira rodada do Masters Series de Roma, disputado em quadras de saibro na Itália.

Com isso, o 'rei do saibro' em 2001 fica cada vez mais longe deste status e quebra mais um recorde negativo na terra batida. Guga teve a pior campanha em seis participações no torneio italiano, desde que estreou em 1998.

Antes da péssima performance neste ano, o catarinense foi campeão em Roma em 1999, vice em 2000 e 2001, e semifinalista em 1998. Até o desempenho de 2003, o pior resultado de Guga fora na última temporada, quando caiu na segunda rodada.

A queda na estréia é apenas mais um deslize na trajetória do catarinense no saibro. Desde que voltou às competições, Guga obteve 'apenas' 19 vitórias em 29 jogos, um aproveitamento de 65,52% na quadra de terra batida. É o pior desempenho do catarinense desde que triunfou pela primeira vez em Roland Garros, em junho de 1997.

Naquela temporada, Guga venceu 12 em 15 jogos no saibro durante o Aberto da França e após a competição de Grand Slam. Além do título em Paris, o catarinense ainda foi vice em Bolonha. No ano seguinte, o brasileiro teve uma ligeira queda, ganhando 24 das 35 partidas disputadas neste tipo de superfície.

Em 1999, Guga subiu de rendimento, conquistou os títulos de Monte Carlo e Roma, vencendo 21 das 27 partidas (77,78%). Cada vez melhor, o tenista de Florianópolis ganhou 27 de 31 partidas (87,10%) na terra batida. Mas, foi em 2001, que Guga viveu o seu grande momento no saibro.

Em uma temporada praticamente impecável, o brasileiro ganhou 33 de 35 partidas (94,29%) na sua quadra predileta e trouxe cinco títulos na bagagem. A ótima performance lhe valeu o apelido de ‘rei do saibro’ no circuito, posto que não tinha um dono desde a aposentadoria do austríaco Thomas Muster, que ganhou 40 de seus 44 títulos na terra batida.

Mal sabia o catarinense que este seria o seu último ano de glórias. Em fevereiro de 2002, ele passou pela operação no quadril e nunca mais voltou a ser o mesmo. No saibro, ele jamais venceu novamente e sequer chegou a uma decisão. O tabu já chega a 21 meses, pois não conquista um título desde julho do ano passado.

Desde então, Guga obteve 19 vitórias em 29 jogos, amargou a pior campanha em Roma e segue sem convencer os torcedores mais fanáticos no piso que o consagrou. Basta lembrar que o melhor resultado de Guga no saibro foram as semifinais em Buenos Aires e Acapulco, torneios de menor expressão e que não contaram com os melhores do mundo.

Nos dois Masters Series disputados até agora no saibro (Monte Carlo e Roma), o brasileiro caiu na segunda e primeira rodadas, respectivamente, perdendo assim uma boa chance de subir no ranking. Na próxima semana, Guga joga o Masters Series de Hamburgo, última competição antes de Roland Garros. É a última oportunidade de, como o próprio brasileiro diz, ganhar confiança e ritmo para encarar o desafio do tetra em Paris.

Ano

Vitórias

Derrotas

Aproveitamento

Títulos

1996

5

7

41,67%

-

1997 antes RG

2

5

28,57%

-

1997

12

3

80%

1 (Roland Garros)

1998

24

11

68,57%

2 (Mallorca e Stuttgart)

1999

21

6

77,78%

2 (Monte Carlo e Roma)

2000

27

4

87,10%

3 (Santiago, Roland Garros e Hamburgo)

2001

33

2

94,29%

5 (Buenos Aires, Acapulco, Monte Carlo, Roland Garros e Stuttgart)

2002

10

6

62,5%

-

2003

9

5

64,29%

-

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