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Por Fernando Narazaki
Demorou, mas finalmente chegou a hora da verdade para o
brasileiro Gustavo Kuerten. Depois de três decepções nos Masters
Series, o catarinense terá pela frente o desafio do Aberto
da França, em Roland Garros, piso onde se consagrou e colocou
seu nome entre os melhores do tênis mundial.
| Foto Reuters |
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Após a tolerância de 2002, quando Guga ainda se recuperava
da operação no quadril, o brasileiro joga a competição parisiense
com a missão de mostrar que ainda é um dos melhores no saibro.
Na terra batida, ele conquistou 13 títulos e foi taxado o
melhor desta superfície em 2001, quando teve um incrível currículo
de 33 vitórias e duas derrotas, com cinco títulos, incluindo
o triunfo na capital francesa.
Entretanto, desde a cirurgia, Guga não levanta um título
no saibro e vem colecionando fracassos e decepções. Durante
as últimas competições, o ex-número um do mundo cansou de
afirmar que estava se preparando para o Aberto da França,
que queria chegar da melhor forma possível e buscava ritmo
de jogo. Não conseguiu.
Nos últimos dois meses, Guga sequer passou da terceira rodada
nos Masters Series de Monte Carlo, Roma e Hamburgo, os três
principais eventos neste piso até agora. Em 2003, ele jogou
seis torneios no saibro, sendo semifinalista em Acapulco e
Buenos Aires, que não contaram com a participação dos melhores
do mundo.
Guga vive uma situação que não enfrentava desde 1996, quando
estreou em torneios deste porte, ainda era um ilustre desconhecido
para a maioria dos brasileiros e caiu na estréia em Paris.
Desde então, o catarinense sempre chegou embalado e com bons
desempenhos nos eventos anteriores a Roland Garros. Em 1997,
quando surgiu para o mundo, ele vinha embalado pelo título
no Challenger de Curitiba, jogado na semana anterior ao Grand
Slam.
No ano seguinte, Guga foi semifinalista no Masters Series
de Roma, última competição antes de Roland Garros. Em 1999,
foi a vez de o brasileiro chegar à Paris com os títulos de
Monte Carlo e Roma. Na outra temporada, Guga foi campeão em
Hamburgo e vice em Roma. Já em 2001, o brasileiro teve o título
de Monte Carlo e a final em Roma. Mesmo no ano passado, quando
ainda se recuperava da operação, Guga teve as quartas-de-final
em Hamburgo, antes de Paris. Agora, nem isso...
Após a queda em Roma, o brasileiro admitiu que faltava confiança
em seu jogo. O catarinense mudou a postura no Masters Series
de Hamburgo, chegou à terceira rodada, mas voltou a repetir
os erros anteriores e sucumbiu diante do sul-africano Wayne
Ferreira, que está longe de ter um bom desempenho no saibro.
Eliminado, o brasileiro aproveitou para se empenhar nos treinos
e esquecer um pouco o mau momento que vem atravessando.
Em Roland Garros, Guga precisa de um bom desempenho para
manter a promessa de voltar aos dez melhores do mundo até
o final de junho. Depois do torneio francês, quando precisa
defender os pontos das oitavas-de-final de 2002, o calendário
prevê duas semanas de competições na grama, piso que não é
o predileto do brasileiro, que culminam com o Torneio de Wimbledon
no final de junho.
Uma má performance compromete o sonho de Guga, que deve
'se conformar' em ficar entre os 20 melhores do mundo. Para
alcançar este objetivo, o brasileiro sabe que terá de vencer
os seus rivais mais temidos. Desde a operação, Guga coleciona
uma série de derrotas contra os jogadores que o sucederam
no reinado da terra batida.
Depois da operação, o brasileiro perdeu os dois jogos contra
o argentino Gastón Gaudio (o segundo maior vitorioso no saibro
em 2002), e caiu nos confrontos contra os espanhóis Juan Carlos
Ferrero (dois títulos e duas semifinais em 2003), Carlos Moyá
(maior vitorioso no saibro em 2003) e Albert Costa (atual
campeão de Roland Garros), e o argentino Agustín Calleri (vice
em Hamburgo na última semana). Um amargo jejum que o catarinense
precisa suplantar, se quiser sonhar com a conquista do quarto
título em Roland Garros.
Neste ano, Guga chega desacreditado. A série de resultados
frustrantes levou a própria organização de Roland Garros a
riscar o nome do tricampeão da lista de favoritos. Para os
especialistas, os mais cotados à taça são Ferrero, Costa,
Moyá, Gaudio, Calleri, os argentinos David Nalbandian e Guillermo
Coria, o suíço Roger Federer, os norte-americanos Andy Roddick
e James Blake, e o australiano Lleyton Hewitt.
E Guga? Segundo a própria organização "é um jogador que
pode se superar na atmosfera do Aberto da França, mas tem
poucas chances". Resta ao próprio catarinense encontrar de
novo a ‘confiança’, de que tanto reclamou, e acima de tudo
o jogo agressivo e com golpes precisos, que caracterizaram
o desempenho de Guga nas suas três conquistas em Paris.
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