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23/05/2004
Monsieur Gugá ou apenas Gustavo Kuerten
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Por Fernando Narazaki

Demorou, mas finalmente chegou a hora da verdade para o brasileiro Gustavo Kuerten. Depois de três decepções nos Masters Series, o catarinense terá pela frente o desafio do Aberto da França, em Roland Garros, piso onde se consagrou e colocou seu nome entre os melhores do tênis mundial.

Foto Reuters

Após a tolerância de 2002, quando Guga ainda se recuperava da operação no quadril, o brasileiro joga a competição parisiense com a missão de mostrar que ainda é um dos melhores no saibro. Na terra batida, ele conquistou 13 títulos e foi taxado o melhor desta superfície em 2001, quando teve um incrível currículo de 33 vitórias e duas derrotas, com cinco títulos, incluindo o triunfo na capital francesa.

Entretanto, desde a cirurgia, Guga não levanta um título no saibro e vem colecionando fracassos e decepções. Durante as últimas competições, o ex-número um do mundo cansou de afirmar que estava se preparando para o Aberto da França, que queria chegar da melhor forma possível e buscava ritmo de jogo. Não conseguiu.

Nos últimos dois meses, Guga sequer passou da terceira rodada nos Masters Series de Monte Carlo, Roma e Hamburgo, os três principais eventos neste piso até agora. Em 2003, ele jogou seis torneios no saibro, sendo semifinalista em Acapulco e Buenos Aires, que não contaram com a participação dos melhores do mundo.

Guga vive uma situação que não enfrentava desde 1996, quando estreou em torneios deste porte, ainda era um ilustre desconhecido para a maioria dos brasileiros e caiu na estréia em Paris. Desde então, o catarinense sempre chegou embalado e com bons desempenhos nos eventos anteriores a Roland Garros. Em 1997, quando surgiu para o mundo, ele vinha embalado pelo título no Challenger de Curitiba, jogado na semana anterior ao Grand Slam.

No ano seguinte, Guga foi semifinalista no Masters Series de Roma, última competição antes de Roland Garros. Em 1999, foi a vez de o brasileiro chegar à Paris com os títulos de Monte Carlo e Roma. Na outra temporada, Guga foi campeão em Hamburgo e vice em Roma. Já em 2001, o brasileiro teve o título de Monte Carlo e a final em Roma. Mesmo no ano passado, quando ainda se recuperava da operação, Guga teve as quartas-de-final em Hamburgo, antes de Paris. Agora, nem isso...

Após a queda em Roma, o brasileiro admitiu que faltava confiança em seu jogo. O catarinense mudou a postura no Masters Series de Hamburgo, chegou à terceira rodada, mas voltou a repetir os erros anteriores e sucumbiu diante do sul-africano Wayne Ferreira, que está longe de ter um bom desempenho no saibro. Eliminado, o brasileiro aproveitou para se empenhar nos treinos e esquecer um pouco o mau momento que vem atravessando.

Em Roland Garros, Guga precisa de um bom desempenho para manter a promessa de voltar aos dez melhores do mundo até o final de junho. Depois do torneio francês, quando precisa defender os pontos das oitavas-de-final de 2002, o calendário prevê duas semanas de competições na grama, piso que não é o predileto do brasileiro, que culminam com o Torneio de Wimbledon no final de junho.

Uma má performance compromete o sonho de Guga, que deve 'se conformar' em ficar entre os 20 melhores do mundo. Para alcançar este objetivo, o brasileiro sabe que terá de vencer os seus rivais mais temidos. Desde a operação, Guga coleciona uma série de derrotas contra os jogadores que o sucederam no reinado da terra batida.

Depois da operação, o brasileiro perdeu os dois jogos contra o argentino Gastón Gaudio (o segundo maior vitorioso no saibro em 2002), e caiu nos confrontos contra os espanhóis Juan Carlos Ferrero (dois títulos e duas semifinais em 2003), Carlos Moyá (maior vitorioso no saibro em 2003) e Albert Costa (atual campeão de Roland Garros), e o argentino Agustín Calleri (vice em Hamburgo na última semana). Um amargo jejum que o catarinense precisa suplantar, se quiser sonhar com a conquista do quarto título em Roland Garros.

Neste ano, Guga chega desacreditado. A série de resultados frustrantes levou a própria organização de Roland Garros a riscar o nome do tricampeão da lista de favoritos. Para os especialistas, os mais cotados à taça são Ferrero, Costa, Moyá, Gaudio, Calleri, os argentinos David Nalbandian e Guillermo Coria, o suíço Roger Federer, os norte-americanos Andy Roddick e James Blake, e o australiano Lleyton Hewitt.

E Guga? Segundo a própria organização "é um jogador que pode se superar na atmosfera do Aberto da França, mas tem poucas chances". Resta ao próprio catarinense encontrar de novo a ‘confiança’, de que tanto reclamou, e acima de tudo o jogo agressivo e com golpes precisos, que caracterizaram o desempenho de Guga nas suas três conquistas em Paris.

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