Fale conosco Receba o boletim  
20/06/2004

À procura de um sucessor para Sampras

VEJA MAIS
WIMBLEDON

 

Por Fernando Narazaki

A cena já está tornando-se comum. Todo ano, espanhóis, argentinos e alguns dos principais tenistas do circuito desistem do Torneio de Wimbledon. Em 2003, a situação não é diferente. Até agora, um verdadeiro batalhão de grandes jogadores confirmou que não jogará o tradicional evento londrino, que começa nesta segunda-feira no complexo do All England Club.

Esvaziado, o torneio vai perdendo cada vez mais a importância no meio que mais interessa: os tenistas. Muitos reclamam da falta de tempo de adaptação entre o saibro e o grama, outros chiam das regras do torneio londrino, e alguns protestam do tratamento dado aos ‘estrangeiros’ em Wimbledon.

Até sexta-feira, a lista dos ausentes tinha os espanhóis Albert Costa, Alex Corretja e Carlos Moyá, os suecos Magnus Norman e Thomas Johansson, o alemão Tommy Haas, o chileno Marcelo Ríos, o russo Marat Safin, o croata Goran Ivanisevic, o norte-americano Pete Sampras e o holandês Richard Krajicek, estes três últimos campeões de Wimbledon.

Na chave feminina, as ausência mais sentidas serão da francesa Amelie Mauresmo, da norte-americana Monica Seles, da suíça Martina Hingis e da russa Anna Kournikova. Nem o Brasil terá chance de ver o evento, já que nenhuma emissora comprou os direitos de transmissão.

Ao mesmo tempo, o brasileiro terá uma boa notícia. A volta de Gustavo Kuerten ao torneio londrino após dois anos de ausência. Mas o próprio catarinense conhece suas limitações. Sabe-se que Guga não gosta de atuar na grama e que seu jogo não se encaixa no massacrante saque-voleio utilizado freqüentemente neste tipo de superfície.

Além disso, o catarinense não joga na grama desde a metade de julho de 2000, quando participou da derrota campanha do Brasil nas semifinais da Copa Davis contra a Austrália, em Melbourne. Na ocasião, Guga perdeu o único jogo que fez. Para evitar expectativas dos mais afoitos, o brasileiro já revelou que sua participação é uma incógnita até para ele.

"Faz três anos que não jogo na grama e por isso vai ser uma incógnita a maneira como vou jogar", avaliou o catarinense, que tenta apagar a má impressão que ficou da temporada de saibro, quando não conseguiu chegar a uma final e amargou a queda nas oitavas-de-final de Roland Garros. Após o torneio parisiense, Guga tratou de treinar muito em Florianópolis, onde adaptou uma quadra sintética para as condições que deve encontrar em Wimbledon.

"Treinamos esses dias aqui mas o último feeling mesmo a gente vai ter em Wimbledon. A grama lá é uma questão de inspiração, do momento. O jogador só pega confiança na hora da partida", disse o brasileiro. Em quatro participações anteriores, Guga teve como melhor resultado as quartas-de-final em 1999, quando caiu diante do norte-americano Andre Agassi.

Aliás, é esta participação que o técnico de Guga, Larri Passos, tratou de lembrar ao seu pupilo nos últimos dias. Larri está animado para a participação do catarinense. "Quero que ele jogue bem relaxado e que quando vier uma bola que quique mal, por exemplo, que ele tente esquecer e dê risada", disse o treinador.

Na estréia, Guga enfrenta o holandês John Van Lottum, 92º do mundo, e que vem embalado pela ida às quartas-de-final do Torneio de Saint Hertogenbosch, nessa semana, seu melhor resultado na temporada.

Será o segundo confronto entre eles, sendo que Van Lottum foi o vencedor no Challenger de Dresden, em 1996, em partida disputada no saibro, a predileta de Guga. Se passar pela estréia, o catarinense passa a ter mais dificuldades em seu caminho. Na segunda rodada, o ex-número um do mundo pegaria o vencedor da partida entre o norte-americano Todd Martin, semifinalista em Wimbledon por duas oportunidades, e o espanhol Fernando Vicente.

Na terceira rodada, Guga poderia ter pela frente o alemão Rainer Schuettler, enquanto o holandês Sjeng Schalken poderia ser o rival na rodada seguinte. Em caso de vitória, Guga corre o risco de enfrentar o suíço Roger Federer ou o argentino Gastón Gaudio por uma vaga nas semifinais, quando poderia ter pela frente o australiano Lleyton Hewitt.

Outro que terá um torneio crucial é o mineiro André Sá. Em péssima fase, o tenista venceu apenas duas das últimas 17 partidas que disputou. Agora, o mineiro terá de defender, nada menos, que os pontos conquistados com as quartas-de-final do ano passado.

Uma situação complicada levando-se em conta que Sá pode enfrentar o argentino David Nalbandian, vice-campeão de 2002, que fez história ao tornar-se o primeiro latino-americano a decidir o título de Wimbledon na era profissional. Na primeira rodada, o mineiro encara o argentino Mariano Puerta, que tem resultados desprezíveis na grama.

Já o paulista Flávio Saretta tenta manter a boa fase atravessada em sua primeira competição sob o comando do técnico Carlos Chabalgoity, que assumiu o lugar de João Zwetsch. Saretta foi protagonista de uma das maiores surpresas de Wimbledon no ano passado, ao eliminar o sueco Thomas Johansson, que fora campeão do Aberto da Austrália no início da temporada, por 3 sets a 2, com parciais de 6/7 (2-7), 6/4, 7/6 (7-4), 3/6 e 12/10.

"Foi a melhor partida da minha vida. Foi um marco na minha carreira, pois naquele dia, vi que podia fazer frente a qualquer um no circuito", lembra Saretta, que ainda venceu outro jogo, antes de ser eliminado por André Sá na terceira rodada. Em 2003, o paulista foi favorecido no sorteio e estréia contra o desconhecido escocês Alan Mackin, 360º do mundo.

O britânico é um tenista sem história nas competições da ATP. Até hoje, ele disputou apenas um torneio na carreira e foi justamente em Wimbledon-2002, quando perdeu do finlandês Jarkko Nieminen logo na estréia. Em 2003, o escocês jogou apenas challengers e futures, sem ter conseguido passar sequer da segunda rodada.

Se passar pelo britânico, Saretta terá um pouco mais de dificuldade na fase seguinte, quando pega o vencedor da partida entre o argentino Agustín Calleri e o romeno Adrian Voinea. Na terceira rodada, o paulista poderia jogar contra os russos Nikolay Davydenko ou Mikhail Youzhny.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página