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Por Fernando Narazaki
A cena já está tornando-se comum. Todo ano,
espanhóis, argentinos e alguns dos principais tenistas
do circuito desistem do Torneio de Wimbledon. Em 2003, a situação
não é diferente. Até agora, um verdadeiro
batalhão de grandes jogadores confirmou que não
jogará o tradicional evento londrino, que começa
nesta segunda-feira no complexo do All England Club.
Esvaziado, o torneio vai perdendo cada vez mais a importância
no meio que mais interessa: os tenistas. Muitos reclamam da
falta de tempo de adaptação entre o saibro e
o grama, outros chiam das regras do torneio londrino, e alguns
protestam do tratamento dado aos estrangeiros
em Wimbledon.
Até sexta-feira, a lista dos ausentes tinha os espanhóis
Albert Costa, Alex Corretja e Carlos Moyá, os suecos
Magnus Norman e Thomas Johansson, o alemão Tommy Haas,
o chileno Marcelo Ríos, o russo Marat Safin, o croata
Goran Ivanisevic, o norte-americano Pete Sampras e o holandês
Richard Krajicek, estes três últimos campeões
de Wimbledon.
Na chave feminina, as ausência mais sentidas serão
da francesa Amelie Mauresmo, da norte-americana Monica Seles,
da suíça Martina Hingis e da russa Anna Kournikova.
Nem o Brasil terá chance de ver o evento, já
que nenhuma emissora comprou os direitos de transmissão.
Ao mesmo tempo, o brasileiro terá uma boa notícia.
A volta de Gustavo Kuerten ao torneio londrino após
dois anos de ausência. Mas o próprio catarinense
conhece suas limitações. Sabe-se que Guga não
gosta de atuar na grama e que seu jogo não se encaixa
no massacrante saque-voleio utilizado freqüentemente
neste tipo de superfície.
Além disso, o catarinense não joga na grama
desde a metade de julho de 2000, quando participou da derrota
campanha do Brasil nas semifinais da Copa Davis contra a Austrália,
em Melbourne. Na ocasião, Guga perdeu o único
jogo que fez. Para evitar expectativas dos mais afoitos, o
brasileiro já revelou que sua participação
é uma incógnita até para ele.
"Faz três anos que não jogo na grama e por
isso vai ser uma incógnita a maneira como vou jogar",
avaliou o catarinense, que tenta apagar a má impressão
que ficou da temporada de saibro, quando não conseguiu
chegar a uma final e amargou a queda nas oitavas-de-final
de Roland Garros. Após o torneio parisiense, Guga tratou
de treinar muito em Florianópolis, onde adaptou uma
quadra sintética para as condições que
deve encontrar em Wimbledon.
"Treinamos esses dias aqui mas o último feeling
mesmo a gente vai ter em Wimbledon. A grama lá é
uma questão de inspiração, do momento.
O jogador só pega confiança na hora da partida",
disse o brasileiro. Em quatro participações
anteriores, Guga teve como melhor resultado as quartas-de-final
em 1999, quando caiu diante do norte-americano Andre Agassi.
Aliás, é esta participação que
o técnico de Guga, Larri Passos, tratou de lembrar
ao seu pupilo nos últimos dias. Larri está animado
para a participação do catarinense. "Quero
que ele jogue bem relaxado e que quando vier uma bola que
quique mal, por exemplo, que ele tente esquecer e dê
risada", disse o treinador.
Na estréia, Guga enfrenta o holandês John Van
Lottum, 92º do mundo, e que vem embalado pela ida às
quartas-de-final do Torneio de Saint Hertogenbosch, nessa
semana, seu melhor resultado na temporada.
Será o segundo confronto entre eles, sendo que Van
Lottum foi o vencedor no Challenger de Dresden, em 1996, em
partida disputada no saibro, a predileta de Guga. Se passar
pela estréia, o catarinense passa a ter mais dificuldades
em seu caminho. Na segunda rodada, o ex-número um do
mundo pegaria o vencedor da partida entre o norte-americano
Todd Martin, semifinalista em Wimbledon por duas oportunidades,
e o espanhol Fernando Vicente.
Na terceira rodada, Guga poderia ter pela frente o alemão
Rainer Schuettler, enquanto o holandês Sjeng Schalken
poderia ser o rival na rodada seguinte. Em caso de vitória,
Guga corre o risco de enfrentar o suíço Roger
Federer ou o argentino Gastón Gaudio por uma vaga nas
semifinais, quando poderia ter pela frente o australiano Lleyton
Hewitt.
Outro que terá um torneio crucial é o mineiro
André Sá. Em péssima fase, o tenista
venceu apenas duas das últimas 17 partidas que disputou.
Agora, o mineiro terá de defender, nada menos, que
os pontos conquistados com as quartas-de-final do ano passado.
Uma situação complicada levando-se em conta
que Sá pode enfrentar o argentino David Nalbandian,
vice-campeão de 2002, que fez história ao tornar-se
o primeiro latino-americano a decidir o título de Wimbledon
na era profissional. Na primeira rodada, o mineiro encara
o argentino Mariano Puerta, que tem resultados desprezíveis
na grama.
Já o paulista Flávio Saretta tenta manter a
boa fase atravessada em sua primeira competição
sob o comando do técnico Carlos Chabalgoity, que assumiu
o lugar de João Zwetsch. Saretta foi protagonista de
uma das maiores surpresas de Wimbledon no ano passado, ao
eliminar o sueco Thomas Johansson, que fora campeão
do Aberto da Austrália no início da temporada,
por 3 sets a 2, com parciais de 6/7 (2-7), 6/4, 7/6 (7-4),
3/6 e 12/10.
"Foi a melhor partida da minha vida. Foi um marco na
minha carreira, pois naquele dia, vi que podia fazer frente
a qualquer um no circuito", lembra Saretta, que ainda
venceu outro jogo, antes de ser eliminado por André
Sá na terceira rodada. Em 2003, o paulista foi favorecido
no sorteio e estréia contra o desconhecido escocês
Alan Mackin, 360º do mundo.
O britânico é um tenista sem história
nas competições da ATP. Até hoje, ele
disputou apenas um torneio na carreira e foi justamente em
Wimbledon-2002, quando perdeu do finlandês Jarkko Nieminen
logo na estréia. Em 2003, o escocês jogou apenas
challengers e futures, sem ter conseguido passar sequer da
segunda rodada.
Se passar pelo britânico, Saretta terá um pouco
mais de dificuldade na fase seguinte, quando pega o vencedor
da partida entre o argentino Agustín Calleri e o romeno
Adrian Voinea. Na terceira rodada, o paulista poderia jogar
contra os russos Nikolay Davydenko ou Mikhail Youzhny.
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