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23/08/2003

Esvaziado, Grand Slam enfrenta pessimismo norte-americano

Esvaziado, Grand Slam enfrenta pessimismo norte-americano
Briga por liderança ganha novo capítulo
Confira o campeonato

Por Fernando Narazaki

Pete Sampras x Andre Agassi. Serena Williams x Venus Williams. No ano passado, o torcedor norte-americano comemorou as duas finais com os embates dos maiores ídolos do país e a organização do Aberto dos EUA dava pulos de alegria nos bastidores. Agora, a euforia da última edição deu lugar à decepção entre todos os envolvidos no último Grand Slam da temporada.

Ao contrário do que sempre acontece, o evento mais esperado da competição está marcado logo para o primeiro dia. Mais precisamente na cerimônia de abertura, uma mera formalidade que mal é acompanhada até pelos jornalistas. Em 2003, a atração receberá todos os holofotes e as atenções do mundo. Tudo por causa de Pete Sampras. Maior ídolo do país e um dos maiores nomes do tênis, o atleta anunciará a aposentadoria das quadras.

Atual campeão do torneio, Sampras se despede com 64 títulos, sendo 14 de Grand Slam, recorde no circuito profissional. Com a saída de Sampras, os torcedores poderiam esperar pelas irmãs Venus e Serena Williams, finalistas de 2002. Entretanto, as duas anunciaram que não jogarão a competição para frustração geral.

Quinta do mundo, Venus não se recuperou de uma lesão muscular na região do estômago, que a atrapalha desde o Torneio de Wimbledon. Com isso, ela perde a chance de tentar a quarta final consecutiva em Flushing Meadows, já que foi campeã em 2000 e 2001, e vice no ano passado. Já a irmã Serena ainda se recupera da operação sofrida no joelho há três semanas e só volta às competições em outubro.

Com isso, o torcedor dos EUA não terá muitos motivos para assistir ao evento local. Se não bastasse isso, o sorteio ainda não foi muito favorável. Número um do mundo, Andre Agassi terá uma complicada partida contra o experiente espanhol Alex Corretja. Já o norte-americano Andy Roddick, campeão dos Masters Series do Canadá e de Cincinnati, duela com o inglês Tim Henman.

Além de não provocar muitos suspiros nos norte-americanos, o brasileiro também não terá muitos motivos para assistir à competição. O catarinense Gustavo Kuerten realizou uma decepcionante campanha nos torneios que antecederam o Aberto dos EUA. Guga venceu apenas quatro dos oito jogos que disputou, chegou às quartas-de-final em Los Angeles e Long Island, mas decepcionou nos Masters Series do Canadá e Cincinnati, em que nem passou da estréia.

A campanha do catarinense foi decepcionante. Apesar das duas vitórias recentes em Long Island, Guga não tem muito o que comemorar. Ele só disputou a competição para ganhar ritmo de jogo, pois havia fracassado nos Masters Series de Cincinnati e do Canadá, quando não passou da estréia. O objetivo foi alcançado com quatro partidas (três de simples e uma de duplas) na semana, mas o desempenho do brasileiro ficou devendo.

Ele amargou a primeira derrota em cinco confrontos contra El Aynaoui. Além disso, o catarinense obteve vitórias sobre os eslovacos Dominik Hrbaty e Karol Beck, que não estão entre os top 50 do mundo. Após Wimbledon, Guga só triunfou em Long Island e Los Angeles (em que derrotou o norte-americano Eric Taino e o canadense Frederic Niemeyer, que nem estão entre os top 100) em toda temporada de competições em quadras sintéticas na América do Norte.

A campanha só não foi pior do que a apresentada no último ano, quando Guga também caiu nas quartas-de-final de Los Angeles, e na primeira rodada dos Masters Series do Canadá e de Cincinnati. Mas, na época, o brasileiro teve jogos duros contra Andre Agassi (Los Angeles) e Tim Henman (Cincinnati), especialistas nesta quadra.

Em 2003, a situação foi diferente. Guga amargou a derrota contra o tenista de pior ranking (Frederic Niemeyer, então 314º do mundo, no Canadá), o primeiro revés diante de um argentino no sintético (Mariano Zabaleta em Cincinnati) e contra o marroquino El Aynaoui (Long Island).

Nos anos anteriores, a comparação torna-se até injusta. Em 2001, Guga foi campeão em Indianápolis, vice em Cincinnati e semifinalista em Los Angeles. Na temporada anterior, o catarinense levantou a taça em Indianápolis e foi semifinalista em Cincinnati.

Já o paulista Flávio Saretta vem em situação oposta. Em ascensão, o paulista chegou ao grupo dos 50 melhores do mundo pela primeira vez na carreira e ainda apresentou um bom desempenho em Cincinnati, quando alcançou a terceira rodada. Em Flushing Meadows, Saretta busca a primeira vitória na competição, já que perdeu do dinamarquês Kenneth Carlsen na estréia em 2002.

Mas, logo na estréia, o paulista terá um compromisso difícil. Ele enfrenta o local Vincent Spadea, 32º do mundo, que terá todo o apoio da torcida. A vantagem de Saretta é que ele venceu os dois confrontos anteriores contra o norte-americano.

O Brasil terá apenas os dois tenistas na chave principal. Será a menor participação do país em um torneio de Grand Slam desde Wimbledon-2001, quando André Sá e Fernando Meligeni disputaram o tradicional evento londrino.

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