|
Por Fernando Narazaki
Pete Sampras x Andre Agassi. Serena Williams x Venus Williams.
No ano passado, o torcedor norte-americano comemorou as duas
finais com os embates dos maiores ídolos do país
e a organização do Aberto dos EUA dava pulos
de alegria nos bastidores. Agora, a euforia da última
edição deu lugar à decepção
entre todos os envolvidos no último Grand Slam da temporada.
Ao contrário do que sempre acontece, o evento mais
esperado da competição está marcado logo
para o primeiro dia. Mais precisamente na cerimônia
de abertura, uma mera formalidade que mal é acompanhada
até pelos jornalistas. Em 2003, a atração
receberá todos os holofotes e as atenções
do mundo. Tudo por causa de Pete Sampras. Maior ídolo
do país e um dos maiores nomes do tênis, o atleta
anunciará a aposentadoria das quadras.
Atual campeão do torneio, Sampras se despede com 64
títulos, sendo 14 de Grand Slam, recorde no circuito
profissional. Com a saída de Sampras, os torcedores
poderiam esperar pelas irmãs Venus e Serena Williams,
finalistas de 2002. Entretanto, as duas anunciaram que não
jogarão a competição para frustração
geral.
Quinta do mundo, Venus não se recuperou de uma lesão
muscular na região do estômago, que a atrapalha
desde o Torneio de Wimbledon. Com isso, ela perde a chance
de tentar a quarta final consecutiva em Flushing Meadows,
já que foi campeã em 2000 e 2001, e vice no
ano passado. Já a irmã Serena ainda se recupera
da operação sofrida no joelho há três
semanas e só volta às competições
em outubro.
Com isso, o torcedor dos EUA não terá muitos
motivos para assistir ao evento local. Se não bastasse
isso, o sorteio ainda não foi muito favorável.
Número um do mundo, Andre Agassi terá uma complicada
partida contra o experiente espanhol Alex Corretja. Já
o norte-americano Andy Roddick, campeão dos Masters
Series do Canadá e de Cincinnati, duela com o inglês
Tim Henman.
Além de não provocar muitos suspiros nos norte-americanos,
o brasileiro também não terá muitos motivos
para assistir à competição. O catarinense
Gustavo Kuerten realizou uma decepcionante campanha nos torneios
que antecederam o Aberto dos EUA. Guga venceu apenas quatro
dos oito jogos que disputou, chegou às quartas-de-final
em Los Angeles e Long Island, mas decepcionou nos Masters
Series do Canadá e Cincinnati, em que nem passou da
estréia.
A campanha do catarinense foi decepcionante. Apesar das duas
vitórias recentes em Long Island, Guga não tem
muito o que comemorar. Ele só disputou a competição
para ganhar ritmo de jogo, pois havia fracassado nos Masters
Series de Cincinnati e do Canadá, quando não
passou da estréia. O objetivo foi alcançado
com quatro partidas (três de simples e uma de duplas)
na semana, mas o desempenho do brasileiro ficou devendo.
Ele amargou a primeira derrota em cinco confrontos contra
El Aynaoui. Além disso, o catarinense obteve vitórias
sobre os eslovacos Dominik Hrbaty e Karol Beck, que não
estão entre os top 50 do mundo. Após Wimbledon,
Guga só triunfou em Long Island e Los Angeles (em que
derrotou o norte-americano Eric Taino e o canadense Frederic
Niemeyer, que nem estão entre os top 100) em toda temporada
de competições em quadras sintéticas
na América do Norte.
A campanha só não foi pior do que a apresentada
no último ano, quando Guga também caiu nas quartas-de-final
de Los Angeles, e na primeira rodada dos Masters Series do
Canadá e de Cincinnati. Mas, na época, o brasileiro
teve jogos duros contra Andre Agassi (Los Angeles) e Tim Henman
(Cincinnati), especialistas nesta quadra.
Em 2003, a situação foi diferente. Guga amargou
a derrota contra o tenista de pior ranking (Frederic Niemeyer,
então 314º do mundo, no Canadá), o primeiro
revés diante de um argentino no sintético (Mariano
Zabaleta em Cincinnati) e contra o marroquino El Aynaoui (Long
Island).
Nos anos anteriores, a comparação torna-se
até injusta. Em 2001, Guga foi campeão em Indianápolis,
vice em Cincinnati e semifinalista em Los Angeles. Na temporada
anterior, o catarinense levantou a taça em Indianápolis
e foi semifinalista em Cincinnati.
Já o paulista Flávio Saretta vem em situação
oposta. Em ascensão, o paulista chegou ao grupo dos
50 melhores do mundo pela primeira vez na carreira e ainda
apresentou um bom desempenho em Cincinnati, quando alcançou
a terceira rodada. Em Flushing Meadows, Saretta busca a primeira
vitória na competição, já que
perdeu do dinamarquês Kenneth Carlsen na estréia
em 2002.
Mas, logo na estréia, o paulista terá um compromisso
difícil. Ele enfrenta o local Vincent Spadea, 32º
do mundo, que terá todo o apoio da torcida. A vantagem
de Saretta é que ele venceu os dois confrontos anteriores
contra o norte-americano.
O Brasil terá apenas os dois tenistas na chave principal.
Será a menor participação do país
em um torneio de Grand Slam desde Wimbledon-2001, quando André
Sá e Fernando Meligeni disputaram o tradicional evento
londrino.
|