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31/08/2003

Grand Slam só pela televisão para brasileiros

Torneios em casa, uma das soluções
Challengers e Futures realizados no Brasil
Foto: Dalia Gabanyi/Divulgação
Foto : Divulgação
Ferreiro, uma das revelações

Disputar um torneio do Grand Slam é o sonho de todo tenista. É a chance de se faturar um bom punhado de dólares, conseguir um considerável salto no ranking mundial e sair do anonimato. O exemplo que ilustra perfeitamente esse quadro saiu quase desconhecido de Florianópolis e voltou de Paris idolatrado, em 1997. Gustavo Kuerten fez os jogadores brasileiros acreditarem mais em si mesmos. Ao longo dos últimos seis anos, no entanto, poucos conseguiram entrar na chave principal do Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon ou Aberto dos Estados Unidos, os quatro eventos que compõem o Grand Slam.

Neste ano, em Nova York, o Brasil colocou apenas dois representantes – Guga e o paulista Flávio Saretta - na chave de 128 vagas, abertas aos melhores do ranking. Foi a menor participação do país em um torneio de Grand Slam desde Wimbledon’2001, quando André Sá e Fernando Meligeni disputaram o centenário torneio inglês.

Mas se os jogadores brasileiros ganharam alguém em quem se espelhar, como explicar a ausência nos torneios mais importantes do circuito profissional?

Transição. Esta pode ser uma das respostas. Uma nova geração está dando seus primeiros passos e, segundo especialistas, tem tudo para ocupar posições de destaque na classificação da ATP.

O gaúcho Franco Ferreiro é uma dessas promessas. Em seu primeiro ano como tenista profissional, o jogador de 19 anos vai colecionando seus primeiros títulos e planeja chegar ao topo. "Prefiro não fazer projetos a longo prazo, mas é claro que a minha meta é ser um top 10 e ganhar títulos. Estou começando e preciso trabalhar muito para chegar lá", diz.

Foto: Dalia Gabanyi/Divulgação
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Braga tem exemplos veteranos

Nesta temporada, Ferreiro foi campeão nos futures de Goiás e México, além de fazer outras duas finais. Começou o ano na 915ª colocação e atualmente já ocupa a 416ª posição. "Ainda tem uma ‘estrada’ longa, mas estou feliz com a minha progressão", destaca ele, que tem predileção por dois pisos antagônicos: a velocidade da grama e a lentidão do saibro. "Wimbledon tem muita tradição e a grama é o tipo de quadra onde eu gostaria muito de ganhar um título. Roland Garros é o torneio preferido por jogadores sul-americanos, é onde todo mundo adora jogar e, é claro, também faz a minha cabeça."

Há quem esteja com a idade avançada e, não por isso, deixa de sonhar. Em sua segunda temporada como profissional, o mineiro Pedro Braga, de 28 anos, gaba-se do "ótimo" condicionamento físico. "Viajei 25 semanas neste ano e não tive nenhum problema de contusão", comenta ele que foi campeão do future de Orange Park, na Flórida (EUA).

Atual 306º do mundo, Braga reconhece que começou bem tarde, mas mesmo assim acredita que pode figurar entre as principais estrelas do circuito. "Se não acreditasse, não estaria treinando o dia todo e viajando para todos os lados em busca de títulos", dispara, usando exemplos para mostrar que idade não é motivo para desistir. "Veja o (Andre) Agassi. Ele começou a jogar ainda melhor depois que fez 30 anos. Tem outros tenistas, como o (Todd) Martin e o (Younes) El Aynaoui que também jogam no mais alto nível mesmo tendo passado dos 30."

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