Por Fernando Narazaki
De um lado, três disputam a liderança do ranking e 48 dos 50
melhores do mundo estarão no evento. Já do outro, as três últimas
campeãs estão fora e quatro das top seis podem nem jogar.
É desta forma paradoxal que o Aberto da Austrália começa
nesta noite de domingo. O primeiro Grand Slam da temporada
assiste a um dos mais esperados eventos masculinos, enquanto
a chave feminina sofre com o esvaziamento.
| Foto: Reuters |
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O maior foco de atenção ficará por conta da briga entre o
norte-americano Andy Roddick, do suíço Roger Federer e do
espanhol Juan Carlos Ferrero, que só dependem de seus esforços
para terminar o evento na liderança do ranking. Semifinalista
em 2003, Roddick atua pela primeira vez em um Grand Slam com
a responsabilidade de número um do mundo.
O jovem de 21 anos garante estar preparado para o desafio
que virá. "Sei que todos querem me vencer. Eles adoram vencer
do número um, mas eu adoro este tipo de desafio e estou pronto",
comenta Roddick, que não terá vida fácil na Austrália.
Logo na estréia, ele terá uma partida complicada contra
o chileno Fernando Gonzalez, 35º do mundo. Se passar, ele
pode ter pela frente o marroquino Younes El Aynaoui nas oitavas-de-
final. "Não será fácil, mas estou preparado. Estou no olho
do furacão, mas estou disposto a tudo", avalia.
Quem pode se aproveitar desta 'pressão' sobre Roddick são
Ferrero e Federer. Os dois também só dependem do título para
ir à liderança, sendo que o espanhol tem uma caminhada relativamente
mais fácil. Ele estréia diante do compatriota Albert Montañés,
e só deverá ter trabalho a partir das oitavas-de-final, quando
pode duela contra o tcheco Jiri Novak.
Já o suíço terá rivais de maior tradição no piso sintético.
Na estréia, ele joga contra Alex Bogomolov Jr., vindo do qualifying.
Já na terceira rodada, Federer pode ter pela frente o sueco
Jonas Bjorkman, semifinalista em 2002, antes de um temível
duelo com o australiano Lleyton Hewitt nas oitavas-de-final.
Aliás, Hewitt é a maior incógnita da competição. Em cinco
participações, ele nunca passou das oitavas-de-final, mas
está confiante que mudará a escrita. "Estou melhor preparado.
Pude descansar bem e estou confiante. A pressão também será
bem menor e vai me ajudar", explica Hewitt, que vem do título
em Sydney, no último sábado.
Ex-número um do mundo, Hewitt é a maior esperança do país
para quebrar o jejum de 28 anos sem títulos no torneio. A
última conquista masculina de um tenista local foi em 1976,
com Mark Edmondson. A outra aposta dos torcedores australianos
é Mark Philippoussis, vice de Wimbledon e décimo do mundo.
| Foto: Reuters |
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Apesar da briga pela ponta e dos australianos, a maior atenção
do evento estará destinada a um veterano. Com 33 anos, o norte-americano
Andre Agassi ganhou três das últimas quatro edições, é o maior
vencedor da era profissional (com quatro taças) em Melbourne
e é o homem a ser batido.
Na última semana, ele foi vice no desafio-exibição Kooyong,
e mostrou que está em grande forma. "As peças estão no lugar.
Sinto que posso pisar na quadra e ter um bom desempenho, forçando
alguém a jogar bem para me derrotar", revela. Agassi estréia
contra o australiano Todd Larkham e pode ser o rival de Gustavo
Kuerten já nas oitavas.
Mas, para este confronto tornar-se realidade, o catarinense
precisa derrubar o tabu de nunca ter passado do segundo jogo
no evento. Até hoje, Guga disputou sete vezes o Grand Slam
australiano, mas fracassou e foi eliminado nos últimos cinco
anos em jogos de cinco sets.
Desta vez, o tenista garante que a história será diferente.
"Essa semana em Auckland foi importante para mim, sei que
estou batendo bem na bola, agora tenho mais um dia pra treinar
aqui e vou entrar em quadra tentando fazer o meu melhor",
diz Guga, que abre sua participação contra o holandês John
Van Lottum.
O Brasil ainda terá mais dois representantes em Melbourne,
mas ambos deram azar no sorteio. Flávio Saretta duela com
o eslovaco Dominik Hrbaty, campeão em Adelaide e Auckland
neste ano, e o paulista Ricardo Mello enfrenta o argentino
David Nalbandian, oitavo do mundo. Saretta caiu na estréia
nas duas participações anteriores, enquanto Mello faz apenas
sua estréia em Grand Slam.
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Feminino
Se o torneio esbanja atrações para o torcedor, o contrário
pode ser visto na chave feminina. Das seis melhores do ranking,
apenas a belga Justine Henin e a francesa Amelie Mauresmo
chegam à Melbourne sem problemas. As norte- americanas Serena
Williams (terceira do mundo) e Jennifer Capriati (sexta) nem
foram à Austrália, alegando contusões. Serena é a atual campeã
e Capriati faturou em 2001 e 2002.
Se não bastasse a baixa das duas, o evento ainda pode perder
a belga Kim Clijsters (segunda) e a norte-americana Lindsay
Davenport (quinta), que se contundiram na última semana e
ainda são dúvidas. Clijsters sofreu uma torção no tornozelo
durante a Copa Hopman, e Davenport machucou o braço nas quartas-de-final
de Sydney. As duas realizam exames médicos ainda neste domingo
para definir sua participação.
Caso Davenport não jogue, o Aberto da Austrália ficará simplesmente
sem uma vencedora das edições anteriores. Além de Davenport,
Serena e Capriati, a francesa Mary Pierce (campeã em 1995)
e a norte-americana Monica Seles (vencedora em 1991, 1992,
1993 e 1996) também desistiram, alegando contusões.
Um quadro triste para as mulheres, que apostam assim as fichas
em Henin, Mauresmo e na norte-americana Venus Williams, recém-recuperação
de uma contusão. "Tomei muitas pancadas de uma vez só no ano
passado, mas estou pronta", diz Venus, atual 11ª do mundo
e vice-campeã de 2003.
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