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18/01/2004
Por Fernando Narazaki

De um lado, três disputam a liderança do ranking e 48 dos 50 melhores do mundo estarão no evento. Já do outro, as três últimas campeãs estão fora e quatro das top seis podem nem jogar.

É desta forma paradoxal que o Aberto da Austrália começa nesta noite de domingo. O primeiro Grand Slam da temporada assiste a um dos mais esperados eventos masculinos, enquanto a chave feminina sofre com o esvaziamento.
Foto: Reuters

O maior foco de atenção ficará por conta da briga entre o norte-americano Andy Roddick, do suíço Roger Federer e do espanhol Juan Carlos Ferrero, que só dependem de seus esforços para terminar o evento na liderança do ranking. Semifinalista em 2003, Roddick atua pela primeira vez em um Grand Slam com a responsabilidade de número um do mundo.

O jovem de 21 anos garante estar preparado para o desafio que virá. "Sei que todos querem me vencer. Eles adoram vencer do número um, mas eu adoro este tipo de desafio e estou pronto", comenta Roddick, que não terá vida fácil na Austrália.

Logo na estréia, ele terá uma partida complicada contra o chileno Fernando Gonzalez, 35º do mundo. Se passar, ele pode ter pela frente o marroquino Younes El Aynaoui nas oitavas-de- final. "Não será fácil, mas estou preparado. Estou no olho do furacão, mas estou disposto a tudo", avalia.

Quem pode se aproveitar desta 'pressão' sobre Roddick são Ferrero e Federer. Os dois também só dependem do título para ir à liderança, sendo que o espanhol tem uma caminhada relativamente mais fácil. Ele estréia diante do compatriota Albert Montañés, e só deverá ter trabalho a partir das oitavas-de-final, quando pode duela contra o tcheco Jiri Novak.

Já o suíço terá rivais de maior tradição no piso sintético. Na estréia, ele joga contra Alex Bogomolov Jr., vindo do qualifying. Já na terceira rodada, Federer pode ter pela frente o sueco Jonas Bjorkman, semifinalista em 2002, antes de um temível duelo com o australiano Lleyton Hewitt nas oitavas-de-final.

Aliás, Hewitt é a maior incógnita da competição. Em cinco participações, ele nunca passou das oitavas-de-final, mas está confiante que mudará a escrita. "Estou melhor preparado. Pude descansar bem e estou confiante. A pressão também será bem menor e vai me ajudar", explica Hewitt, que vem do título em Sydney, no último sábado.

Ex-número um do mundo, Hewitt é a maior esperança do país para quebrar o jejum de 28 anos sem títulos no torneio. A última conquista masculina de um tenista local foi em 1976, com Mark Edmondson. A outra aposta dos torcedores australianos é Mark Philippoussis, vice de Wimbledon e décimo do mundo.
Foto: Reuters

Apesar da briga pela ponta e dos australianos, a maior atenção do evento estará destinada a um veterano. Com 33 anos, o norte-americano Andre Agassi ganhou três das últimas quatro edições, é o maior vencedor da era profissional (com quatro taças) em Melbourne e é o homem a ser batido.

Na última semana, ele foi vice no desafio-exibição Kooyong, e mostrou que está em grande forma. "As peças estão no lugar. Sinto que posso pisar na quadra e ter um bom desempenho, forçando alguém a jogar bem para me derrotar", revela. Agassi estréia contra o australiano Todd Larkham e pode ser o rival de Gustavo Kuerten já nas oitavas.

Mas, para este confronto tornar-se realidade, o catarinense precisa derrubar o tabu de nunca ter passado do segundo jogo no evento. Até hoje, Guga disputou sete vezes o Grand Slam australiano, mas fracassou e foi eliminado nos últimos cinco anos em jogos de cinco sets.

Desta vez, o tenista garante que a história será diferente. "Essa semana em Auckland foi importante para mim, sei que estou batendo bem na bola, agora tenho mais um dia pra treinar aqui e vou entrar em quadra tentando fazer o meu melhor", diz Guga, que abre sua participação contra o holandês John Van Lottum.

O Brasil ainda terá mais dois representantes em Melbourne, mas ambos deram azar no sorteio. Flávio Saretta duela com o eslovaco Dominik Hrbaty, campeão em Adelaide e Auckland neste ano, e o paulista Ricardo Mello enfrenta o argentino David Nalbandian, oitavo do mundo. Saretta caiu na estréia nas duas participações anteriores, enquanto Mello faz apenas sua estréia em Grand Slam.

Foto: Reuters

Feminino

Se o torneio esbanja atrações para o torcedor, o contrário pode ser visto na chave feminina. Das seis melhores do ranking, apenas a belga Justine Henin e a francesa Amelie Mauresmo chegam à Melbourne sem problemas. As norte- americanas Serena Williams (terceira do mundo) e Jennifer Capriati (sexta) nem foram à Austrália, alegando contusões. Serena é a atual campeã e Capriati faturou em 2001 e 2002.

Se não bastasse a baixa das duas, o evento ainda pode perder a belga Kim Clijsters (segunda) e a norte-americana Lindsay Davenport (quinta), que se contundiram na última semana e ainda são dúvidas. Clijsters sofreu uma torção no tornozelo durante a Copa Hopman, e Davenport machucou o braço nas quartas-de-final de Sydney. As duas realizam exames médicos ainda neste domingo para definir sua participação.

Caso Davenport não jogue, o Aberto da Austrália ficará simplesmente sem uma vencedora das edições anteriores. Além de Davenport, Serena e Capriati, a francesa Mary Pierce (campeã em 1995) e a norte-americana Monica Seles (vencedora em 1991, 1992, 1993 e 1996) também desistiram, alegando contusões.

Um quadro triste para as mulheres, que apostam assim as fichas em Henin, Mauresmo e na norte-americana Venus Williams, recém-recuperação de uma contusão. "Tomei muitas pancadas de uma vez só no ano passado, mas estou pronta", diz Venus, atual 11ª do mundo e vice-campeã de 2003.

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