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Crise tira apoio de Nastás
e oposição ganha força
Por Fernando Narazaki
Três semanas. É este período
que o grupo de oposição à gestão Nelson Nastás aposta para mudar
o comando da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Em virtude
de toda crise no tênis nacional, proporcionado pela queda-de-braço
entre Nastás e os jogadores, a oposição trabalhou como nunca
nessa semana para fazer articulações e tentar a imediata saída
do presidente da entidade.
A crise estourou nesta semana com o anúncio da saída de
Gustavo Kuerten da equipe da Copa Davis, em virtude das divergências
com a administração de Nastás. A decisão de Guga foi acompanhada
pelos 20 melhores tenistas do país, que também anunciaram
o boicote à Davis durante a semana. Além disso, o time perdeu
o capitão Jaime Oncins, que entregou o cargo, após ficar apenas
18 dias no cargo.
Com a crise, os dirigentes passaram a mudar suas opiniões.
Há 11 anos no poder, Nastás teve o apoio praticamente unânime
das federações durante este período, mas a série de acusações
da Federação Catarinense de Tênis (FCT) revertou praticamente
o quadro em menos de um ano, já que a entidade presidida por
Jorge Lacerda Rosa iniciou as denúncias em julho do ano passado.
Neste momento, segundo apuração da Gazeta Esportiva.Net
nesta sexta-feira, a oposição conta com o apoio de 13 das
25 federações estaduais, o que já assegura a maioria em uma
possível eleição. Se for levado em consideração os que defendem
uma licença de Nastás ou a intervenção na CBT, exigência aceita
pelos jogadores para voltar à Davis, o número aumenta para
21 federações.
Com o fim da semana da crise, apenas São Paulo e Sergipe
são favoráveis à permanência de Nastás, independente do destino
da equipe na Davis. Antigo aliado de Nastás, o presidente
da Federação Carioca de Tênis, Hélcio Ferreira Silva, é a
mostra dos ‘novos tempos’ na CBT. “É uma situação chata e
ruim para a gente, mas é uma rua de mão única. Chegou a um
ponto onde não deveria ter chegado e o Nelson vai ter de sair.
Não tem jeito”, explica o dirigente.
Além do Rio de Janeiro, a oposição ganhou neste ano o apoio
de Rio Grande do Sul e Amazonas, que se aliaram, assim, ao
Movimento Tênis Brasil, fundado pela FCT no ano passado com
a intenção de ‘moralizar’ o tênis nacional. No ano passado,
o movimento já contava com Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso
do Sul, Goiás, Tocantins, Alagoas, Pará, Maranhão e Distrito
Federal.
Preocupados com a imagem perante seus filiados, os presidentes,
que outrora apoiavam Nastás, estudam a mudança de comportamento
e não são mais tão favoráveis ao dirigente. “Existe uma série
de denúncias que precisam ser investigadas. Sempre fui a favor
do Nastás, mas agora acredito que a renúncia dele seja o melhor
caminho para o bem do tênis”, afirma Frederico Muniz, presidente
da Federação Pernambucana de Tênis.
Neste sábado, Muniz terá uma reunião com os presidentes
das federações de Alagoas (Luís Angelo Cavalieri) e Paraíba
(Antônio Esteves Neto), que pode aumentar mais a vantagem
da oposição. “Vou expor a eles o que está havendo. Não houve
uma mudança de lado, mas eles apenas viram a verdade. Chegou
a hora de derrubar o Nastás”, comenta Cavalieri, que foi um
dos primeiros a encampar a briga de Rosa contra a CBT.
Com o crescimento da oposição, os dirigentes entraram com
um pedido para a realização de uma assembléia para a destituição
de Nastás, exigência feita pelos tenistas para retornarem
à Copa Davis. “É um momento de decisão no tênis. Não temos
de ficar esperando e era preciso uma atitude. Chamamos esta
assembléia e temos certeza que vamos sair com a vitória. É
uma pessoa que não faz nada e tem de ser preso mesmo por formação
de quadrilha, assim como o (Raul) Cilento (presidente da Federação
Paulista)”, acusa o presidente da Federação Brasiliense, Arnaldo
Gomes.
Convicto em sua opinião, Nastás afirma que não está preocupado
com a mobilização dos opositores e assegura ainda ter maioria
na votação. “Estou conversando com as federações e estou tranqüilo.
Não vai acontecer nada e estou sendo vítima de um processo
que não deveria acontecer”, diz o presidente, que não admite
a hipótese de pedir licença ou aceitar uma intervenção na
entidade.
Para ele, o jogo político tomou o cenário do tênis brasileiro
e levou os atletas a tomarem partido de uma forma inadvertida.
“Eles não fizeram uma coisa boa. Eles ouviram muita coisa
e acabou influenciando. Acharam que tinham de tomar uma atitude
e tiveram uma decisão extrema. É tudo um movimento politiqueiro
e que nada vai acontecer”, afirma.
Confiante, Nastás aposta nos votos da região Norte e Nordeste
para sair com o mandato assegurado até o final do ano. Um
dos exemplos é o presidente da Federação Sergipana, Edmílson
Barbosa Barreto, que critica duramente os ‘rivais’. “Os jogadores
têm de jogar e não ficar se envolvendo em outras coisas. Eu
estou do lado do Nastás e ele não tem de renunciar, nem pedir
licença, nem nada. Ele sabe que tem o apoio de outras federações
do Nordeste”, aponta.
De qualquer forma, uma decisão precisa ser tomada até 29
de março, quando a CBT precisa entregar uma relação com, pelo
menos, dois tenistas para o duelo contra os paraguaios. Sem
Guga e Saretta, o Brasil pode apelar até para os juvenis.
“Se precisar, vamos ter um time de juvenis. Não tem o menor
problema e vai ser importante para o currículo deles”, avalia
Nastás. Se perder, o país amarga mais um ano na Zona Americana
da Copa Davis, a segunda divisão da competição, e aumentar
mais a crise na modalidade.
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