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12/03/2004
Crise tira apoio de Nastás e oposição ganha força
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Crise tira apoio de Nastás e oposição ganha força

Por Fernando Narazaki

Três semanas. É este período que o grupo de oposição à gestão Nelson Nastás aposta para mudar o comando da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Em virtude de toda crise no tênis nacional, proporcionado pela queda-de-braço entre Nastás e os jogadores, a oposição trabalhou como nunca nessa semana para fazer articulações e tentar a imediata saída do presidente da entidade.

A crise estourou nesta semana com o anúncio da saída de Gustavo Kuerten da equipe da Copa Davis, em virtude das divergências com a administração de Nastás. A decisão de Guga foi acompanhada pelos 20 melhores tenistas do país, que também anunciaram o boicote à Davis durante a semana. Além disso, o time perdeu o capitão Jaime Oncins, que entregou o cargo, após ficar apenas 18 dias no cargo.

Com a crise, os dirigentes passaram a mudar suas opiniões. Há 11 anos no poder, Nastás teve o apoio praticamente unânime das federações durante este período, mas a série de acusações da Federação Catarinense de Tênis (FCT) revertou praticamente o quadro em menos de um ano, já que a entidade presidida por Jorge Lacerda Rosa iniciou as denúncias em julho do ano passado.

Neste momento, segundo apuração da Gazeta Esportiva.Net nesta sexta-feira, a oposição conta com o apoio de 13 das 25 federações estaduais, o que já assegura a maioria em uma possível eleição. Se for levado em consideração os que defendem uma licença de Nastás ou a intervenção na CBT, exigência aceita pelos jogadores para voltar à Davis, o número aumenta para 21 federações.

Com o fim da semana da crise, apenas São Paulo e Sergipe são favoráveis à permanência de Nastás, independente do destino da equipe na Davis. Antigo aliado de Nastás, o presidente da Federação Carioca de Tênis, Hélcio Ferreira Silva, é a mostra dos ‘novos tempos’ na CBT. “É uma situação chata e ruim para a gente, mas é uma rua de mão única. Chegou a um ponto onde não deveria ter chegado e o Nelson vai ter de sair. Não tem jeito”, explica o dirigente.

Além do Rio de Janeiro, a oposição ganhou neste ano o apoio de Rio Grande do Sul e Amazonas, que se aliaram, assim, ao Movimento Tênis Brasil, fundado pela FCT no ano passado com a intenção de ‘moralizar’ o tênis nacional. No ano passado, o movimento já contava com Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Alagoas, Pará, Maranhão e Distrito Federal.

Preocupados com a imagem perante seus filiados, os presidentes, que outrora apoiavam Nastás, estudam a mudança de comportamento e não são mais tão favoráveis ao dirigente. “Existe uma série de denúncias que precisam ser investigadas. Sempre fui a favor do Nastás, mas agora acredito que a renúncia dele seja o melhor caminho para o bem do tênis”, afirma Frederico Muniz, presidente da Federação Pernambucana de Tênis.

Neste sábado, Muniz terá uma reunião com os presidentes das federações de Alagoas (Luís Angelo Cavalieri) e Paraíba (Antônio Esteves Neto), que pode aumentar mais a vantagem da oposição. “Vou expor a eles o que está havendo. Não houve uma mudança de lado, mas eles apenas viram a verdade. Chegou a hora de derrubar o Nastás”, comenta Cavalieri, que foi um dos primeiros a encampar a briga de Rosa contra a CBT.

Com o crescimento da oposição, os dirigentes entraram com um pedido para a realização de uma assembléia para a destituição de Nastás, exigência feita pelos tenistas para retornarem à Copa Davis. “É um momento de decisão no tênis. Não temos de ficar esperando e era preciso uma atitude. Chamamos esta assembléia e temos certeza que vamos sair com a vitória. É uma pessoa que não faz nada e tem de ser preso mesmo por formação de quadrilha, assim como o (Raul) Cilento (presidente da Federação Paulista)”, acusa o presidente da Federação Brasiliense, Arnaldo Gomes.

Convicto em sua opinião, Nastás afirma que não está preocupado com a mobilização dos opositores e assegura ainda ter maioria na votação. “Estou conversando com as federações e estou tranqüilo. Não vai acontecer nada e estou sendo vítima de um processo que não deveria acontecer”, diz o presidente, que não admite a hipótese de pedir licença ou aceitar uma intervenção na entidade.

Para ele, o jogo político tomou o cenário do tênis brasileiro e levou os atletas a tomarem partido de uma forma inadvertida. “Eles não fizeram uma coisa boa. Eles ouviram muita coisa e acabou influenciando. Acharam que tinham de tomar uma atitude e tiveram uma decisão extrema. É tudo um movimento politiqueiro e que nada vai acontecer”, afirma.

Confiante, Nastás aposta nos votos da região Norte e Nordeste para sair com o mandato assegurado até o final do ano. Um dos exemplos é o presidente da Federação Sergipana, Edmílson Barbosa Barreto, que critica duramente os ‘rivais’. “Os jogadores têm de jogar e não ficar se envolvendo em outras coisas. Eu estou do lado do Nastás e ele não tem de renunciar, nem pedir licença, nem nada. Ele sabe que tem o apoio de outras federações do Nordeste”, aponta.

De qualquer forma, uma decisão precisa ser tomada até 29 de março, quando a CBT precisa entregar uma relação com, pelo menos, dois tenistas para o duelo contra os paraguaios. Sem Guga e Saretta, o Brasil pode apelar até para os juvenis. “Se precisar, vamos ter um time de juvenis. Não tem o menor problema e vai ser importante para o currículo deles”, avalia Nastás. Se perder, o país amarga mais um ano na Zona Americana da Copa Davis, a segunda divisão da competição, e aumentar mais a crise na modalidade.

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