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16/03/2004
Aliados cedem à pressão e Nastás fica isolado
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Aliados cedem à pressão e Nastás fica isolado

Por Fernando Narazaki

Como antecipado pela Gazeta Esportiva Net na última sexta-feira, as federações ligadas ao presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Nelson Nastás, pediram publicamente o afastamento do dirigente do comando da entidade.

Em comunicado enviado à sede da CBT nessa segunda-feira, 12 federações estaduais (Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, São Paulo e Sergipe) solicitaram que Nastás antecipe as eleições para resolver a crise do tênis brasileiro.

Os problemas começaram há uma semana, quando Gustavo Kuerten anunciou o boicote à Copa Davis, por divergências com a gestão Nastás. No dia seguinte, o pedido de Guga recebeu o apoio dos 20 melhores tenistas do país e também do capitão da Davis, Jaime Oncins, que entregou o cargo. Na sexta, a GE Net antecipou que os aliados de Nastás mudaram a opinião e passaram a pedir a saída do dirigente.

No domingo, os presidentes das 12 federações se reuniram e chegaram a um consenso que o melhor seria pedir o afastamento de Nastás da presidência da CBT. Com isso, o presidente não conta mais com o respaldo de 24 das 25 federações, que até 2001 aprovaram as atas e os balanços contábeis por unanimidade.

Até então, os presidentes de 12 federações (Alagoas, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins) haviam anunciado publicamente a oposição declarada à gestão de Nastás.

O Amapá havia se aliado ao grupo de oposição no ano passado, mas a mudança no comando da entidade no início de 2004, levou o grupo a adotar uma posição neutra na disputa pela entidade.

"Pedimos que urgentemente ele tomasse uma decisão. O caminho é reduzir o mandato e tentar conversas com a equipe da Davis para evitar um time fraco contra o Paraguai. Além disso, foi exigido que o Nastás não se candidate às eleições", disse o presidente da Federação Piauiense de Tênis, José das Graças Lopes.

A preocupação com os filiados e também com a repercussão do caso tornou a situação insustentável. "Ele sabe que chegou em um ponto que não dá mais. A saída é antecipar a eleição mesmo. Sempre apoiamos o Nastás, mas em virtude dos últimos acontecimentos, não dá mais", explicou Miguel Bechara, presidente da Federação Mineira de Tênis.

Segundo a carta enviada à CBT na segunda-feira, as 12 federações estaduais sugerem que as eleições sejam realizadas em 15 de maio. Apesar do pedido, o grupo nega que esteja articulando nomes para o lugar de Nastás no comando da CBT.

"Não estamos trabalhando nisso ainda, mas há uma união do grupo. Os boatos de que o grupo está dividido é mentira. Existe uma divergência com (o grupo de) Santa Catarina, mas podemos recrutar mais nomes. Os indecisos", comentou Bechara.

Oposição não quer saber - O anúncio da carta enviada pelas 12 federações não surpreendeu os líderes da oposição à CBT. Os presidentes das federações de Santa Catarina (Jorge Lacerda Rosa) e Alagoas (Luiz Ângelo Cavalieri) afirmaram que já esperavam por esta postura dos antigos aliados.

"Prevaleceu o caminho da verdade. Não houve mudança de lado, mas eles viram a verdade. Está tudo muito claro e o tempo do Nastás acabou", explicou Cavalieri. Entretanto, o grupo de oposição procura evitar a antecipação das eleições na CBT, medida já admitida pelo próprio Nastás em entrevista à GE Net.

"O problema não é a eleição. Temos de resolver o problema da Davis e vamos fazer de tudo para conseguir a assembléia para decidir a saída do Nastás antes de 29 de março", explicou Rosa, referindo-se à data-limite exigida pela Federação Internacional de Tênis (ITF) para entrega da equipe da Copa Davis.

Ao contrário dos 'ex-aliados', o catarinense acredita que dificilmente a simples mudança das eleições alterará a decisão dos atletas da Davis. "Pelo que vi, eles estão deixando bem claro que não voltam, enquanto o Nastás ficar. A eleição só seria em maio ou julho, o confronto da Davis já é em abril e acredito que eles não topam só o encurtamento do mandato", aposta Rosa.

A reportagem da GE Net procurou o presidente Nelson Nastás, mas as ligações não foram respondidas pelo dirigente.

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