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Racha leva disputa eleitoral da
CBT a novos rumos
Por Erick Castelhero e Fernando Narazaki
Nem boicote, nem antecipação de eleições,
nem terceira via. Nada parece resolver os problemas internos
dos dirigentes responsáveis pela administração
do tênis. A 45 dias da eleição para a
presidência da Confederação Brasileira
de Tênis (CBT), a modalidade segue afundada em uma das
maiores crises de sua história.
Com a saída de Nelson Nastás do comando da
entidade em 15 de maio, após a votação
em Recife, um verdadeiro racha se expôs por grupos de
duas regiões, que ficou conhecido como a batalha entre
Sul e Norte, e agora uma terceira opção surge
pelo poder da entidade.
Em uma reunião na madrugada desta quarta-feira, o
diretor-presidente da promotora de eventos Octagon Koch Tavares,
Luís Felipe Tavares, teve o seu nome cogitado para
assumir a presidência da CBT. No encontro, além
de Luís Felipe, estavam presentes o diretor da Koch,
Fernando Von Oertzen, o dono da PlayTennis, Eduardo Azevedo,
e o dono da Academia Meyer, Marcelo Meyer, e a intenção
seria lançar um nome de consenso entre empresários,
ex-tenistas, técnicos e presidentes de federações
para o comando da entidade.
"Até o momento, nós que vivemos do tênis,
estamos vendo que não há nome com uma certa
unanimidade. Tem um grupo de Santa Catarina (chamado de ala
do Sul), Centro-Oeste e Nordeste (chamado grupo do Norte),
e parece que a confusão ficou pior. Entre as conversas
que tivemos, o nome indicado pelos especialistas apontaram
para Luís Felipe Tavares", explica Marcelo Meyer,
que esteve na comissão técnica do Brasil na
Copa Davis em 1994 e foi técnico de Fernando Meligeni
até metade dos anos 90.
| Foto Luz Bittar/Gazeta Press |
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| Equipe da Davis posa
para fotos, após acertar ida com diálogos
entre grupos de empresários do tênis |
A divisão de dois grupos é a maior preocupação
do grupo de empresários, que esteve diretamente envolvido
nas negociações para montagem da equipe brasileira
para a Davis. Partiu da comissão montada por Meyer,
Azevedo, Von Oertzen e Tavares, a iniciativa de chamar Carlos
Chabalgoity e convocar os tenistas Alexandre Simoni e Marcos
Daniel para o confronto contra o Paraguai, pela Zona Americana
da Copa Davis.
Para o grupo, a falta de opções levou ao nome
de Luís Felipe. "Chegou a um ponto de tomarmos
essa decisão, não tinha jeito. O prejuízo
de todos envolvidos no tênis já é grande,
não queremos que a coisa aumente. E essa guerra pelo
poder só vai aumentar este buraco", afirma Meyer.
Racha? - A tensão na disputa pela eleição
aumentou após a última sexta-feira, quando 11
federações (Amapá, Ceará, Piauí,
Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Pernambuco,
Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe e Tocantins)
reuniram-se e os presidentes de três federações
(Piauí, Ceará e Minas Gerais) acenaram com a
possibilidade de se candidatar pelo grupo. A idéia
foi rechaçada e a aliança ficou de marcar nova
reunião para os próximos dez dias. "O grupo
parecia estar fechado, mas de repente, tudo rachou de novo.
Por isso, estamos lançando esta opção",
diz Meyer.
O lado do Sul (que é liderado pela Federação
Catarinense) também não definiu seu candidato
e acredita que haverá uma decisão oficial apenas
em 15 de abril. O nome de Jorge Lacerda Rosa, presidente da
Federação Catarinense, é apontado como
certo pelo grupo, que diz ter o apoio de 15 federações.
A indefinição em relação à
formação das chapas levou o bloco de empresários
a buscar uma terceira opção. Entretanto, a própria
aliança dos 'especialistas' pode ver a idéia
naufragar, mesmo antes de a candidatura se tornar oficial.
"Existem dois problemas. O Luís, nem nós,
nunca fomos políticos do tênis, mas nessa hora,
cansamos de ver o tênis sendo mal administrado. Ele
(Luís Felipe) tem tráfego internacional, não
precisa de dinheiro, e ninguém tem o perfil mais adequado.
O nome da maioria dos especialistas é muito forte,
mas não vamos perder um minuto falando com presidentes.
Ninguém vai fazer barganha ou coisa do gênero.
Ele só se candidata se tiver apoio unânime dos
presidentes. Não queremos racha", explica Meyer.
O próprio Luís Felipe Tavares admite as pendências
em sua candidatura. "Um grupo de empresários,
tenistas, ex-tenistas e federações achou que
meu nome seria de consenso à frente da CBT. Mas ainda
é uma situação a ser analisada,
afirma o dirigente, que foi tenista profissional nos anos
60 e 70, defendendo o Brasil por sete anos na Copa Davis,
com cinco vitórias e sete derrotas.
Depois disso, o jogador deixou as quadras e fundou a empresa
Koch Tavares em 1972, que participa de organização
de eventos. Nos anos 80, a promotora foi responsável
por vários torneios no Brasil, voltando a ter envolvimento
direto em 2001, quando trouxe um torneio da ATP após
dez anos para o país.
Em um primeiro momento, Luís Felipe conta com o respaldo
dos presidentes. "Ele é um bom nome, pessoalmente
não tenho nada contra ele. E o Luís também
tem bom trâmite internacional", afirma Rosa. O
presidente da Federação Pernambucana, Frederico
Muniz, respalda a opinião do catarinense. 'É
um nome de peso, é um ex-jogador, que conhece profundamente
o tênis. Eu só não sei se ele aceitaria
o cargo".
Monopólio - Entretanto, o maior inconveniente
para os dirigentes é justamente o fato de Luís
Felipe Tavares ser responsável direto pela Octagon
Koch Tavares, que detém a organização
do Torneio de Costa do Sauípe, único evento
da ATP Series realizado no Brasil, e do confronto entre Brasil
e Paraguai, na Copa Davis. "Luís Felipe é
um promotor e não é muito produtivo associar
um empresário a uma entidade, embora a gente não
possa desprezar o conhecimento que uma pessoa como o Luís
Felipe tem na área", comenta o presidente da Federação
Piauiense, José das Graças Lopes.
Para Miguel Bechara, presidente da Federação
Mineira, as dificuldades são históricas. "Tive
um problema em 1987 em Minas Gerais. Um grupo de empresários
assumiu aqui e acabou em intervenção na entidade.
Foi um escândalo", recorda o dirigente.
Caso a candidatura de Tavares não vingue, o mais provável
é que um presidente de federação seja
indicado para assumir a presidência da entidade. "É
bem provável que o novo presidente seja dirigente de
alguma federação", afirma Rosa, em um discurso
semelhante à sua 'oposição', o lado do
Norte-Nordeste. "Não acredito em nomes de fora.
O novo presidente deve ser um dirigente, é o mais indicado",
explica o presidente da Federação Paraibana,
Antônio Esteves.
Para chegar a um consenso, os dirigentes aguardam com ansiedade
a realização da Copa Davis, em que provavelmente
será definido o futuro da presidência da CBT.
"Boa parte das pendências vão ser resolvidas
em Sauípe, durante a Davis. Vamos ter várias
reuniões com nosso grupo e chegar a um nome",
aponta o catarinense Rosa. Aos empresários, o torneio
será a melhor chance de conhecer as reais intenções
dos dirigentes. "Lá podemos olhar nos olhos de
cada um e ver realmente quem quer o bem do tênis",
explica Meyer.
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Cronologia
2/julho/2003
- Federação Catarinense (FCT) lidera movimento
e entra na Justiça para reinvidicar atas das
assembléias de 2000, 2001 e 2002, documentos
contábeis dos mesmos anos e pagamento de taxas
da Copa Davis do duelo entre Brasil e França,
em 2000
7/setembro/2003
- FCT ganha apoio de outras oito federações
e entra com pedido para cancelar assembléia da
CBT.
21/setembro/2003
- Brasil perde do Canadá por 3 a 2, e cai para
a Zona Americana da Copa Davis. Reunião entre
jogadores, Nastás e o capitão da Davis,
Ricardo Acioly no hotel pede mudança no comando
da entidade. Nastás se revolta com atitude de
Acioly.
9/dezembro/2003
- Assembléia ordinária (referente a 2003)
e extraordinária (referente a 2001 e 2002) da
CBT é suspensa pela Justiça, com liminar
obtida pelo grupo liderado pela FCT. A CBT cassa liminar
e realiza a assembléia extraordinária,
à revelia das federações.
21/fevereiro/2004
- A dois dias do Torneio de Costa do Sauípe,
Nastás anuncia a saída de Acioly do comando
da Davis. Oncins assume o lugar, Nastás passa
Carnaval em Bruxelas e jogadores são comunicados
às pressas pelo novo capitão. Reunião
em hotel na Bahia termina com jogadores criticando postura
de Oncins, que é pressionado a deixar o cargo.
22/fevereiro/2004 -
Guga e o técnico Larri Passos criticam publicamente
a postura da CBT na troca do capitão, e reclamam
sobre a falta de consulta aos atletas. Guga expõe
a sua insatisfação com a gestão
Nastás e diz que tênis precisa mudar. Saretta
acompanha a opinião do catarinense.
23/fevereiro/2004
- Começa torneio em Sauípe. Polêmica
em torno da troca de capitão gera discussões
e atletas começam a firmar possível movimento
de boicote à Davis.
29/fevereiro/2004
- Guga é campeão em Sauípe e volta
a criticar Nastás. Fui número um
do mundo, estou no torneio mais importante do Brasil,
sou campeão e o presidente da CBT não
está. Começam ligações
entre Saretta, Sá, Guga e Oncins.
10/março/2004
- Saretta
acompanha Guga e movimento ganha respaldo de dezenas
de tenistas. Oncins renuncia ao posto de capitão
da Davis. Sede da CBT é tomada por policiais,
que cumprem mandado de busca e apreensão de documentos
contábeis e atas de assembléias.
12/março/2004
- Rio
de Janeiro deixa grupo da situação e coloca
oposição em vantagem na disputa eleitoral
da CBT.
15/março/2004
- Reunião
de 12 federações, do grupo que apoiava
Nastás, pede a saída do dirigente, que
atende à solicitação.
17/março/2004
- Nastás
antecipa eleições para 15 de maio, compromete-se
a renunciar ao cargo e dá autonomia aos jogadores
para escolher o capitão da Copa Davis. No dia
seguinte, Guga diz que mantém boicote.
23/março/2004
- Nastás
dá ultimato aos jogadores para anunciarem participação
na Davis. Horas depois, Guga, Sá, Saretta e Mello
anunciam publicamente a manutenção do
boicote, alegando que só voltam com a saída
imediata de Nastás.
24/março/2004
- Acordo entre empresários forma time para Davis.
Carlos Chabalgoity é efetivado como capitão,
formando equipe com Marcos Daniel, Alexandre Simoni,
Júlio Silva e Josh Goffi.
31/março/2004
- Reunião leva grupo de empresários a
indicar nome de Luís Felipe Tavares para presidência
da CBT, sob condição de unanimidade dos
presidentes.
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