Por Emanuel Colombari e Fernando Narazaki
O brasileiro se acostumou a associar os nomes Roland Garros
e Gustavo Kuerten quando o assunto é tênis. Em 1997, o catarinense
despontou no cenário nacional ao derrotar o espanhol Sergi Brugera
na final do torneio por 3 sets a 0, com parciais de 6/3, 6/4
e 6/2. Desde então, as raquetes ganharam um espaço considerável
na pátria de chuteiras, graças ao manezinho com pinta de surfista,
que entrou na lista de grandes nomes do tênis nacional, ao lado
de Thomas Koch e Maria Esther Bueno.
Após isso, Guga teve momentos memoráveis, se tornou tricampeão
do torneio (venceu em 2000 e 2001), tornou-se o segundo maior
vencedor da história do evento (só perde para o hexacampeão
Bjorn Borg), ganhou o título de rei do saibro e foi líder
do ranking mundial. Entretanto, o esforço físico se mostrou
proporcional ao seu sucesso.
Com uma lesão no lado direito do quadril, diagnosticada
no final de 2001, Guga passou a viver um calvário com duas
operações no local e sessões intermináveis de fisioterapia.
O catarinense até voltou a jogar com certo brilhantismo entre
2002 e 2004, mas sentiu novamente dores no quadril e, a partir
deste momento, tornou-se mais conhecido pela batalha para
poder, pelo menos, competir. Foram três tentativas frustradas,
muitos adiamentos e que culminou na ausência pela primeira
vez no torneio que tanto ama.
Sem seu maior ícone, o tênis brasileiro chega em Roland
Garros - que abre sua programação neste domingo
- para ser figurante. Um avanço para a terceira rodada de
Marcos Daniel ou Flávio Saretta já seria uma surpresa agradável.
A dupla ainda pode ganhar a companhia de Júlio Silva, que
disputa a última rodada do qualifying, mas também sem muitas
esperanças de ir longe em Paris.
Os resultados em eventos da ATP servem apenas para aumentar
o desânimo. Do trio, apenas Marcos Daniel já obteve duas vitórias
consecutivas na temporada, indo às quartas-de-final em Acapulco.
Saretta caiu na estréia em dois dos cinco torneios que disputou,
enquanto Silva fracassou na primeira rodada da única competição
em que esteve.
Se o Brasil será mero coadjuvante, os olhos dos torcedores
ficarão atentos para o, mais que provável, confronto entre
o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal. Os dois vêm
dominando o circuito desde o ano passado e Federer levou a
sua soberania também para o saibro, encontrando apenas no
espanhol um rival à altura. Basta ver os resultados de 2006.
Em dois dos três principais eventos da terra batida no ano
(Masters Series de Roma e Monte Carlo), a final foi entre
os dois com vitória de Nadal.
Apenas o Masters Series de Hamburgo não teve a dupla na
final, mas ambos também optaram por não disputar o torneio,
que foi vencido pelo espanhol Tommy Robredo. O favoritismo,
porém, é mesmo de Nadal, novo rei da terra batida. A sentença
vem do próprio site oficial do torneio: “Desde Gustavo Kuerten
não se dizia que havia um favorito. Mas isto acabou. Defendendo
o título, Rafael Nadal se tornou o mais formidável jogador
de saibro desde o glorioso Guga”.
Campeão de 2005, ele chega a Paris com a incrível série
de 53 vitórias consecutivas no saibro, igualando a marca histórica
do argentino Guillermo Villas, até hoje a maior seqüência
de triunfos no saibro desde o início da era profissional em
1968. Uma vitória na primeira rodada da competição diante
do sueco Robin Soderling dá a Nadal o novo recorde, que pode
chegar a 60 caso conquiste o bi.
Aliás o espanhol não deve ter muito trabalho até as oitavas-de-final,
quando pode ter pela frente o australiano Lleyton Hewitt.
Na fase seguinte, o rival pode ser o chileno Fernando Gonzalez
ou o russo Marat Safin. Um confronto com Federer apenas na
final. O suíço estréia contra o francês Arnaud Clement e já
deve ter problemas na terceira rodada em um duelo com o chileno
Nicolas Massú.
Além deles, há outros que podem correr por fora e surpreender.
Os destaques são os argentinos Gastón Gaudio, campeão em 2004,
e David Nalbandian, que deu trabalho na semifinal do Masters
Series de Roma, quando perdeu para Federer com parciais de
6/3, 3/6 e 7/6 (7-5). Além deles, o chileno Fernando Gonzalez,
o croata Mario Ancic e o russo Nikolay Davydenko podem oferecer
resistência à dupla.
Mauresmo, agora vai? - No feminino, o público francês
tem sempre a expectativa de ver uma compatriota levando a
tão almejada taça. Entretanto, este desejo não é saciado desde
2000, quando Mary Pierce conquistou o título em cima da espanhola
Conchita Martinez. Cinco anos depois, a veterana foi à final,
mas acabou humilhada pela belga Justine Henin (duplo 6/1).
Com a ausência da vice-campeã, a grande esperança francesa
é a líder do ranking, Amelie Mauresmo. Apesar de ser número
um do mundo, a tenista enfrenta o estigma de não ter bons
resultados em Paris, já que seu melhor resultado foi as quartas-de-final
em 2003 e 2004. Nem a contratação do ex-tenista Yannick Noah
no ano passado foi capaz de inspirar Mauresmo.
Além da francesa, outra grande tenista do circuito que enfrenta
o tabu pessoal em Roland Garros é a suíça Martina Hingis.
Após ficar três anos “aposentada”, ela voltou ao circuito
e busca o único título de Grand Slam que falta em sua carreira.
Paris, aliás, é responsável por um dos piores momentos de
Hingis.
Em 1999, ela foi vaiada e deixou a quadra central chorando,
após perder a final para a alemã Steffi Graf. Na época, o
torcedor condenou a postura na quadra da então número um do
mundo, que reclamou de várias marcações e chegou até a sacar
por baixo em um game. Agora, Hingis e Mauresmo tentam um final
diferente no Slam francês, mas elas não chegam como favoritas.
Os grandes nomes da competição serão as belgas Kim Clijsters
e Justine Henin, ao lado da legião russa formada por Anastasia
Myskina, Elena Dementieva, Maria Sharapova e Nadia Petrova.
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