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23/06/2006

Chave feminina sem favoritas

Entre as mulheres os prognósticos são mais difíceis. O grande equilíbrio entre as principais jogadoras deverá ser mais uma vez a marca. Número 1 do mundo, Amélie Mauresmo chega mais uma vez desacreditada após o fiasco em Roland Garros. A francesa tem três semifinais na grama do All England Club, mas leva a fama de jogar mal nas horas decisivas.

Para piorar, ela pode ter pela frente nas quartas a atual campeã Venus Williams, alçada à condição de cabeça-de-chave número seis. A ex-número um do mundo, no entanto, vem em fase ruim, tendo disputado apenas quatro torneios no ano. Mesmo assim, é sempre um dos maiores nomes quando as competições são no piso rápido.

Elas terão a concorrência direta das duas belgas, Kim Clijsters e Justine Henin-Hardenne. A primeira, vice-líder do ranking, não vem em boa fase, mas conta com a garra acima do normal para chegar aos bons resultados. Já a baixinha Henin vem embalada pelo tricampeonato em Roland Garros e lutará para apagar o vexame do ano passado, quando parou ainda na primeira rodada. As duas devem se enfrentar nas semifinais.

Quem deve mais uma vez figurar entre as finalistas é Maria Sharapova. A campeã de 2004 foi às semifinais em 2005 e tem ótimo jogo para as quadras de grama. O esquadrão russo conta ainda com as eficientes Svetlana Kuznetsova, vice em Roland Garros, Nadia Petrova e Elena Dementieva, donas de ótimo jogo de fundo de quadra. Olho também em Martina Hingis, que está de novo com a esperança de voltar ao grupo das melhores.

Na lista das baixas, destaques para Lindsay Davenport e Serena Williams. As ex-líderes do ranking ainda não se recuperaram de contusões que a impediram de jogar bem no ano.

Por Elói Silveira

A temporada de saibro na Europa deixou uma dúvida no ar: quem seria atualmente o número um do mundo, Roger Federer ou Rafael Nadal? Sustentado apenas por resultados, o mais desavisado dos torcedores certamente apontaria o jovem espanhol como provável líder do ranking. Afinal, ele foi dominante no piso lento e conquistou todos os grandes torneios disputados, como os Masters Series de Monte Carlo e Roma, além de Roland Garros.

Mas apesar do domínio incontestável de Nadal, sua posição na lista da ATP seguiu-se inalterada: o tenista de 20 anos continuou em segundo lugar, muito atrás de Federer. O suíço não levantou nenhuma taça na terra batida neste ano, mas mostrou grande evolução ao conquistar vice-campeonatos nos torneios em que Nadal triunfou.

Agora, porém, com a chegada da curta temporada de grama, a situação se inverte. Ou melhor, volta ao normal. Federer reassume a condição de “homem a ser batido” e é disparado o maior favorito ao título. Afinal de contas, entrará nas tradicionais quadras do All England Club para tentar o quarto título consecutivo e continuar na busca aos recordes de Bjorn Borg, pentacampeão entre 76 e 80, e Pete Sampras, heptacampeão e maior vencedor de Grand Slam da história.

Foto: Reuters
Suíço Roger Federer terá que ralar para conseguir seu quarto título em Wimbledon

Outra marca histórica que o suíço deve bater é o de vitórias seguidas na grama. Com o título em Halle, Federer chegou à marca de 41, mesmo número de Borg. Ele não perde desde 2003, com sete taças em seu currículo. Basta apenas a classificação para a segunda rodada do Grand Slam inglês. Para isso, porém, precisa vencer o perigoso Richard Gasquet, seu adversário de estréia. Federer derrotou o francês na semana passada, mas já tem uma derrota para a jovem revelação no ano passado.

Por sua vez, Nadal sai da condição de temível e joga Wimbledon com o objetivo de chegar à segunda semana, como ele próprio afirmou durante a semana. O espanhol tem mostrado evolução no piso rápido, inclusive com grande desempenho no saque, mas ainda não mostrou bons resultados na grama. Em duas aparições no Grand Slam inglês teve como melhor campanha a terceira rodada em 2003. Nadal começa contra Alex Bogdanovic e pode ter pela frente Andre Agassi na terceira rodada.

Assim como nos anos anteriores, Lleyton Hewitt e Andy Roddick encabeçam a lista de ameaças ao reinado de Federer. O australiano foi campeão em 2002 e vem credenciado pela quarta conquista em Queen’s. Já Roddick, detentor do título de 2003, defende o vice-campeonato e tem sempre uma grande arma para o torneio: o poderoso saque. O fato curioso é que os dois se enfrentam nas quartas-de-final se passarem por seus primeiros desafios.

Não tão favoritos, Ivan Ljubicic e David Nalbandian têm na boa forma a arma para sonhar com bons resultados. Outros tenistas que costumam se dar bem nas quadras rápidas também podem chegar longe, caso de James Blake, Mario Ancic e Radek Stepanek.

Brasil sem opções - Se na boa fase de Gustavo Kuerten já era difícil sonhar com resultados empolgantes no torneio britânico, agora, sem a presença do ex-número 1 e com apenas um tenista entre os 100 melhores, a esperança é quase nula. Nossos representantes devem novamente figurar como coadjuvantes.

Mesmo na melhor fase da carreira, Marcos Daniel segue sem pretensões de ir bem na grama. Tanto que optou por continuar no saibro até a semana anterior a Wimbledon. E ele começa a campanha num jogo duro, contra o cabeça 18 Jarkko Nieminen. Já Flávio Saretta tem na experiência seu ponto forte. O paulista já chegou à terceira rodada por duas vezes e pode passar algumas fases. Ele estréia contra o sul-coreano Hyung-Taik Lee, mas pode ter Hewitt na segunda fase.

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