Por Elói Silveira
| Foto: Reuters |
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| Em temporada frustrante, Agassi tenta
repetir feito do rival Pete Sampras em Flushing Meadows |
São Paulo (SP) - Novamente Roger Federer
é o principal favorito ao título de um Grand Slam. Até aí, nenhuma
novidade. Mas desta vez, o grande atrativo do Aberto dos EUA
não é o suíço e seus recordes espetaculares. Todos os olhares
estão em Andre Agassi, um dos maiores tenistas de todos os tempos,
que se despede do esporte durante a competição em Nova York.
Assim como aconteceu durante a década de 90, quando se destacou
nas quadras de Flushing Meadows, o norte-americano volta a
ser o principal nome da competição deste ano, mas ao contrário
das outras vezes, terá de se superar para conseguir boa campanha
e sair por cima. A partir da próxima segunda-feira, ele tentará
repetir o feito de Pete Sampras, que se aposentou com o título
de 2002, justamente em uma final contra Agassi.
O tenista de 36 anos conquistou duas vezes o Aberto dos
EUA, em 1994 (vitória sobre Michael Stich) e 1999 (sobre Todd
Martin), mas teve outros ótimos desempenhos, como nos vice-campeonatos
em 1990, 1995, 2002 e 2005. Chegou ainda a quatro semifinais
e acumula, até o momento, retrospecto impressionante de 77
vitórias e 18 derrotas, em 20 participações.
No palco de tantas glórias, Agassi luta pelo último respiro
em um dos anos mais duros de sua carreira. Por enquanto, soma
apenas oito vitórias em 15 partidas disputadas e tem como
melhores campanhas as quartas-de-final nos modestos torneios
de Delray Beach e Los Angeles. Nas últimas semanas, tentou
participar da US Open Series, seqüência de torneios
em solo americano que antecedem o Grand Slam, mas não obteve
sucesso.
Pior ainda, sofreu contusão que o tirou a chance de se preparar
de forma adequada. O jogador disputou apenas o Torneio de
Washington, caiu ainda na primeira rodada, e não esteve presente
nos Masters Series de Toronto e Cincinnati. Assim, viu seu
ranking cair para o atual 37º, o que o tirou da lista de cabeças-de-chave
do Grand Slam.
Com a queda, viu as chances de enfrentar Federer, seu algoz
nas duas últimas edições, logo na primeira rodada aumentarem.
No entanto, o sorteio foi um pouco mais justo e deixou o veterano
com um confronto teoricamente tranqüilo na primeira rodada.
Ele encara outro jogador experiente, o romeno Andrei Pavel,
com retrospecto favorável de 5 a 1 no confronto direto.
Se passar, Agassi deve ter a primeira pedreira pela frente,
provavelmente o jovem cipriota Marcos Baghdatis, oitavo cabeça-de-chave
e tenista que parece crescer de produção nos torneios importantes.
Irregular em eventos comuns, obteve suas melhores campanhas
no Aberto da Austrália, onde foi vice, e em Wimbledon, com
a semifinal.
Com novas vitórias, pode acontecer já nas oitavas um confronto
aguardado por todos nos EUA. Agassi enfrentaria Andy Roddick,
num confronto entre duas gerações vitoriosas do tênis do país.
Novamente ele levaria vantagem no confronto direto, com 5
a 1. Roddick, outro ex-número um do mundo, tenta se reerguer
após ano difícil. O campeão do Masters Series de Cincinnati
enfrenta na estréia o francês Florent Serra.
Federer tem chave boa - Falado de Agassi, voltemos
a Federer. O melhor tenista da atualidade é indiscutivelmente
o favorito da chave. E ao contrário do que aconteceu em Wimbledon,
quando pegou chave duríssima, desta vez o líder do ranking
tem vida mais fácil. Em sua estréia, pega o modesto Yeu-Tzuoo
Wang, de Taiwan, que não deve representar perigo.
A segunda rodada seria contra o vencedor do clássico britânico
entre Tim Henman e Greg Rusedski, dois tenistas em fim de
carreira. Um primeiro obstáculo poderia vir nas oitavas, isso
se o espanhol Juan Carlos Ferrero confirmar a ascensão e passar.
Ainda assim, o espanhol, vice-campeão em Cincinnati, está
longe de ser real ameaça no piso sintético.
As quartas-de-final trariam como melhores adversários o
jovem Thomas Berdych e o norte-americano James Blake, que
anda em baixa. As semifinais também não seriam das mais complicadas,
com cabeças como David Nalbandian, Nikolay Davydenko ou Fernando
González. Destes, apenas o último vem em grande forma.
Em Nova York, Federer tenta seu nono título de Grand Slam,
o terceiro seguido nos EUA, o que o colocaria ao lado de outras
duas lendas, Ivan Lendl e John McEnroe, como os únicos tricampeões
do torneio de forma consecutiva. Ele também tenta vencer três
eventos deste porte pela segunda vez em uma temporada, já
que conseguiu o feito em 2004.
Nadal encara pedreira - A parte de baixo da chave
parece mais complicada que a de cima. Nela estão jogadores
como o espanhol Rafael Nadal, o croata Ivan Ljubicic, o australiano
Lleyton Hewitt e os norte-americanos Andy Roddick e Andre
Agassi, além de outros bons representantes como o cipriota
Marcos Baghdatis e o espanhol Tommy Robredo.
Nadal tem estréia dura. Ele pega o sempre perigoso Mark
Philippoussis, que vem em má fase e só entrou na competição
graças a convite da organização. Mesmo assim, o australiano
conhece o caminho das pedras, já foi duas vezes vice-campeão
do Grand Slam e tem ainda um saque poderoso. Além do mais,
o número dois do mundo não teve bons desempenhos nas últimas
semanas e caiu logo cedo em Toronto e Cincinnati.
Apesar da fase ruim, o espanhol tenta repetir o que aconteceu
em Wimbledon, quando chegou sem grandes expectativas e sem
boas campanhas no passado, mas saiu com o vice-campeonato
com derrota apenas para o tetracampeão Federer. Ele também
luta para diminuir a desvantagem no ranking em relação ao
suíço, que defende o título. Já Nadal caiu na segunda rodada
do ano passado.
Brasileiros em caminhos distintos - O Brasil terá
três representantes na chave principal. O gaúcho
Marcos Daniel tenta sua primeira vitória em Grand Slam contra
o desconhecido russo Teimurasz Gabashvili, número 124 do ranking,
Flávio Saretta tem pedreira e encara o sexto do mundo, o espanhol
Tommy Robredo, e Thiago Alves terá pela frente o argentino
Mariano Zabaleta.
Daniel vem em fase ruim e não tem conseguido bons desempenhos
nas últimas semanas. Ainda assim, tem boas chances de avançar
se conseguir encaixar o melhor duelo. Se vencer, pode enfrentar
James Blake na segunda rodada. Saretta é outro que vem mal.
Ele só ganhou vaga na competição graças a cinco desistências
de última hora.
Fechando a participação nacional, Alves conquistou
a vaga no qualifying, após três vitórias,
e encara Zabaleta, que abandonou o único jogo que disputou
em piso sintético no ano. Foi na estréia do
Aberto da Austrália e o argentino ainda sofria com
os efeitos da recuperação de seguidas lesões
no ano anterior. Caso repita os três triunfos do qualificatório
na chave principal, o paulista pode enfrentar Agassi nas oitavas-de-final.
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