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27/08/2006
Por Elói Silveira

Foto: Reuters
Em temporada frustrante, Agassi tenta repetir feito do rival Pete Sampras em Flushing Meadows
São Paulo (SP) - Novamente Roger Federer é o principal favorito ao título de um Grand Slam. Até aí, nenhuma novidade. Mas desta vez, o grande atrativo do Aberto dos EUA não é o suíço e seus recordes espetaculares. Todos os olhares estão em Andre Agassi, um dos maiores tenistas de todos os tempos, que se despede do esporte durante a competição em Nova York.

Assim como aconteceu durante a década de 90, quando se destacou nas quadras de Flushing Meadows, o norte-americano volta a ser o principal nome da competição deste ano, mas ao contrário das outras vezes, terá de se superar para conseguir boa campanha e sair por cima. A partir da próxima segunda-feira, ele tentará repetir o feito de Pete Sampras, que se aposentou com o título de 2002, justamente em uma final contra Agassi.

O tenista de 36 anos conquistou duas vezes o Aberto dos EUA, em 1994 (vitória sobre Michael Stich) e 1999 (sobre Todd Martin), mas teve outros ótimos desempenhos, como nos vice-campeonatos em 1990, 1995, 2002 e 2005. Chegou ainda a quatro semifinais e acumula, até o momento, retrospecto impressionante de 77 vitórias e 18 derrotas, em 20 participações.

No palco de tantas glórias, Agassi luta pelo último respiro em um dos anos mais duros de sua carreira. Por enquanto, soma apenas oito vitórias em 15 partidas disputadas e tem como melhores campanhas as quartas-de-final nos modestos torneios de Delray Beach e Los Angeles. Nas últimas semanas, tentou participar da US Open Series, seqüência de torneios em solo americano que antecedem o Grand Slam, mas não obteve sucesso.

Pior ainda, sofreu contusão que o tirou a chance de se preparar de forma adequada. O jogador disputou apenas o Torneio de Washington, caiu ainda na primeira rodada, e não esteve presente nos Masters Series de Toronto e Cincinnati. Assim, viu seu ranking cair para o atual 37º, o que o tirou da lista de cabeças-de-chave do Grand Slam.

Com a queda, viu as chances de enfrentar Federer, seu algoz nas duas últimas edições, logo na primeira rodada aumentarem. No entanto, o sorteio foi um pouco mais justo e deixou o veterano com um confronto teoricamente tranqüilo na primeira rodada. Ele encara outro jogador experiente, o romeno Andrei Pavel, com retrospecto favorável de 5 a 1 no confronto direto.

Se passar, Agassi deve ter a primeira pedreira pela frente, provavelmente o jovem cipriota Marcos Baghdatis, oitavo cabeça-de-chave e tenista que parece crescer de produção nos torneios importantes. Irregular em eventos comuns, obteve suas melhores campanhas no Aberto da Austrália, onde foi vice, e em Wimbledon, com a semifinal.

Com novas vitórias, pode acontecer já nas oitavas um confronto aguardado por todos nos EUA. Agassi enfrentaria Andy Roddick, num confronto entre duas gerações vitoriosas do tênis do país. Novamente ele levaria vantagem no confronto direto, com 5 a 1. Roddick, outro ex-número um do mundo, tenta se reerguer após ano difícil. O campeão do Masters Series de Cincinnati enfrenta na estréia o francês Florent Serra.

Federer tem chave boa - Falado de Agassi, voltemos a Federer. O melhor tenista da atualidade é indiscutivelmente o favorito da chave. E ao contrário do que aconteceu em Wimbledon, quando pegou chave duríssima, desta vez o líder do ranking tem vida mais fácil. Em sua estréia, pega o modesto Yeu-Tzuoo Wang, de Taiwan, que não deve representar perigo.

A segunda rodada seria contra o vencedor do clássico britânico entre Tim Henman e Greg Rusedski, dois tenistas em fim de carreira. Um primeiro obstáculo poderia vir nas oitavas, isso se o espanhol Juan Carlos Ferrero confirmar a ascensão e passar. Ainda assim, o espanhol, vice-campeão em Cincinnati, está longe de ser real ameaça no piso sintético.

As quartas-de-final trariam como melhores adversários o jovem Thomas Berdych e o norte-americano James Blake, que anda em baixa. As semifinais também não seriam das mais complicadas, com cabeças como David Nalbandian, Nikolay Davydenko ou Fernando González. Destes, apenas o último vem em grande forma.

Em Nova York, Federer tenta seu nono título de Grand Slam, o terceiro seguido nos EUA, o que o colocaria ao lado de outras duas lendas, Ivan Lendl e John McEnroe, como os únicos tricampeões do torneio de forma consecutiva. Ele também tenta vencer três eventos deste porte pela segunda vez em uma temporada, já que conseguiu o feito em 2004.

Nadal encara pedreira - A parte de baixo da chave parece mais complicada que a de cima. Nela estão jogadores como o espanhol Rafael Nadal, o croata Ivan Ljubicic, o australiano Lleyton Hewitt e os norte-americanos Andy Roddick e Andre Agassi, além de outros bons representantes como o cipriota Marcos Baghdatis e o espanhol Tommy Robredo.

Nadal tem estréia dura. Ele pega o sempre perigoso Mark Philippoussis, que vem em má fase e só entrou na competição graças a convite da organização. Mesmo assim, o australiano conhece o caminho das pedras, já foi duas vezes vice-campeão do Grand Slam e tem ainda um saque poderoso. Além do mais, o número dois do mundo não teve bons desempenhos nas últimas semanas e caiu logo cedo em Toronto e Cincinnati.

Apesar da fase ruim, o espanhol tenta repetir o que aconteceu em Wimbledon, quando chegou sem grandes expectativas e sem boas campanhas no passado, mas saiu com o vice-campeonato com derrota apenas para o tetracampeão Federer. Ele também luta para diminuir a desvantagem no ranking em relação ao suíço, que defende o título. Já Nadal caiu na segunda rodada do ano passado.

Brasileiros em caminhos distintos - O Brasil terá três representantes na chave principal. O gaúcho Marcos Daniel tenta sua primeira vitória em Grand Slam contra o desconhecido russo Teimurasz Gabashvili, número 124 do ranking, Flávio Saretta tem pedreira e encara o sexto do mundo, o espanhol Tommy Robredo, e Thiago Alves terá pela frente o argentino Mariano Zabaleta.

Daniel vem em fase ruim e não tem conseguido bons desempenhos nas últimas semanas. Ainda assim, tem boas chances de avançar se conseguir encaixar o melhor duelo. Se vencer, pode enfrentar James Blake na segunda rodada. Saretta é outro que vem mal. Ele só ganhou vaga na competição graças a cinco desistências de última hora.

Fechando a participação nacional, Alves conquistou a vaga no qualifying, após três vitórias, e encara Zabaleta, que abandonou o único jogo que disputou em piso sintético no ano. Foi na estréia do Aberto da Austrália e o argentino ainda sofria com os efeitos da recuperação de seguidas lesões no ano anterior. Caso repita os três triunfos do qualificatório na chave principal, o paulista pode enfrentar Agassi nas oitavas-de-final.

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