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07/06/2007
Foto: AFP

Televisão fechada se rende à “Gugamania”

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Por Marcelo Belpiede

O auge de Gustavo Kuerten trouxe a “Gugamania” entre os brasileiros. As pessoas começaram a consumir os produtos ligados ao tênis e também a procurar academias para aprender a “novidade”, que passou a fazer parte da rotina do país. Com isso, o espaço da modalidade dentro dos meios de comunicação ficou bem maior.

“O Guga aumentou em cinco vezes a audiência da televisão com o esporte. Não tem dúvida da importância dele para o tênis ganhar espaço na mídia”, reconhece Dácio Campos, ex-tenista e atual comentarista do Sportv. “Ele viabilizou muitos projetos do tênis engavetados, gerou interesse do público”, completa Fernando Sampaio, responsável da cobertura do tênis na Rádio Jovem Pan de São Paulo.

Até as televisões abertas ficaram interessadas no novo ídolo brasileiro, que contava com uma imagem positiva – estava sempre envolvido em ações assistenciais da ATP – e chamava a atenção de pessoas de todas as idades. A extinta Rede Manchete chegou a transmitir Guga na final de Roland Garros. A Rede Record também apostou no “Manezinho da Ilha” no Aberto do Brasil, na Costa do Sauípe e em alguns torneios de exibição no Ginásio do Ibirapuera.

“Quando o Guga estava no auge, ele dava muita audiência. A Manchete fez jogos na íntegra. Tenho informações que o recorde histórico deles foi com o Guga. A Record também se interessava demais”, conta Fernando Sampaio, que participa da cobertura da modalidade desde 1980.

Atualmente, o tênis tem um espaço precioso principalmente nas televisões a cabo. Juntos, Sportv e ESPN transmitem todos os torneios da série Grand Slam e Masters Series. Além disso, existe a cobertura da Copa Davis e de outros eventos de menor importância da ATP. A estimativa é que o público tenha à disposição cerca de 300 jogos por ano.

Só que a principal missão neste momento é a manutenção do espaço conquistado com o auge de Gustavo Kuerten. Para Dácio Campos, o tênis é um produto para a televisão fechada. “Nunca vai ser da televisão aberta. É feito para a classe média. Os Estados Unidos têm 150 milhões de assinantes a cabo. O Brasil só 4 milhões. A culpa é de quem nessa história? É do Brasil, claro”, reflete.

Já Fernando Sampaio acredita que o tênis perdeu espaço após as sucessivas contusões e insucessos de Gustavo Kuerten. “Na televisão aberta, como a Record, que tinha interesse, você só consegue colocar um jogo de tênis em compacto, no final da noite, ainda pagando o horário. No cabo, já vemos diminuição do espaço, apesar de todos os jogos que passam ao vivo. O Sportv e a ESPN terminaram com os programas que falavam apenas de tênis. Até no jornal, o Paulo Cleto perdeu sua coluna”, lamenta.

Para os especialistas, o certo é que foi criado no Brasil um público especialista em tênis que precisa ser alimentado. “O mercado diminuiu, mas tenho a certeza de que era maior antes do surgimento do Guga”, afirma Fernando Sampaio. “Antes do Guga era dois, com o Guga passou a ser dez, agora estabilizou em cinco”, finaliza.

A reportagem da Gazeta Esportiva.Net procurou a direção de programação do Sportv, mas não obteve resposta sobre projetos futuros emissora que mais abriu espaço para a cobertura do tênis após a “Gugamania”.

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