Fale conosco Receba o boletim  

Rexona (PR) e MRV/Minas (MG) enfrentam-se neste sábado pelo título do primeiro turno da Superliga feminina de vôlei, que dá direito à vaga nas semifinais da competição. Antes mesmo de definido quem será o campeão da etapa, os técnicos envolvidos no torneio são unânimes em afirmar que a atual edição da Superliga é uma das mais equilibradas da história.

"Esse primeiro turno foi muito equilibrado, com quase todas as equipes equiparadas", comenta o técnico do Macaé/Nuceng, Aírton Nascimento. "Eu não arriscaria apontar um campeão da Superliga", completa. O experiente Ari Rabello, do Blue Life/Pinheiros, concorda que o alto nível de competição tem sido a tônica no torneio. "Nunca houve tanto equilíbrio na Superliga como está acontecendo nessa temporada. Isso prova a evolução do vôlei brasileiro", analisa o treinador.

O resultado desta evolução é que a condição de favoritismo de alguns times foi colocada em cheque. "O nível do torneio no primeiro turno foi interessante. Equipes consideradas favoritas acabaram tropeçando e isso tornou o campeonato mais disputado ainda", avalia o técnico do BCN/Osasco, campeão do último Grand Prix, José Roberto Guimarães. Para ele, as dificuldades para assegurar o título vão crescer ainda mais de agora em diante. "A expectativa é de um segundo turno mais equilibrado que o primeiro, agora que todos já se conhecem", afirma.

Na análise dos motivos que levaram a uma evolução tão acentuada da competição, os técnicos recorrem sempre a um conjunto de fatores. O técnico do Açúcar União São Caetano, William Carvalho, acredita que a postura adotada pelas comissões técnicas foi decisiva neste progresso.

"Os clubes vêm trabalhando de maneira correta. A preocupação não é só se dedicar às partes tática, técnica e física, que vêm evoluindo bastante. Eles também passaram a dar mais atenção ao lado emocional das atletas", assegura.

William também vê no surgimento de uma nova geração o estímulo para jogos cada vez mais emocionantes. "Esses novos valores, que vêm dando trabalho às equipes consideradas favoritas, estão percebendo que não existe mais um time seleto de grandes jogadoras. E que eles também podem chegar a disputar uma vaga na seleção brasileira um dia", completa.

Nesta Superliga o que não faltam são jovens talentos. No ano em que o Brasil conquistou três títulos mundiais (infanto masculino e juvenil masculino e feminino), além de um vice-campeonato (infanto feminino) nas categorias de base, a Superliga colhe os frutos destas conquistas

"É gratificante observar que todas as jogadoras que conquistaram o título mundial juvenil estão participando da Superliga. Muitas delas já assumiram a condição de titular. Além disso, foram três prêmios Viva Vôlei (recebidos pelo melhor jogador de cada partida). Isso demonstra o trabalho de renovação desenvolvido pela Confederação Brasileira de Voleibol", destaca o técnico do MRV/Minas, Antônio Rizola. "Não me lembrava de tamanha participação desde a geração da Ana Moser e da Fernanda Venturini", confessa o treinador, que também é responsável pela seleção juvenil.

Outra porta de entrada lembrada pelos treinadores para essas jovens atletas foi o Grand Prix, criado no ano passado e que antecede a Superliga. "O Grand Prix proporcionou uma grande exposição para as jogadoras, o que acabou aumentando a responsabilidade delas para esse início de Superliga. Alguns novos valores foram descobertos e as atletas passaram a se cobrar mais no que diz respeito à performance. Foi uma experiência válida", ressalta o comandante do ACF/Prefeitura de Campos, Luizomar Moura.

Mas não foi só a criação de uma nova competição que agitou o calendário nacional nesta temporada. As mudanças no sistema de disputa da Superliga também criaram expectativas e empolgaram jogadoras e comissões técnicas. "Os times redobraram a atenção logo de cara e entraram embalados em busca de um lugar nas finais. Com esse novo sistema de disputa, fica muito difícil correr atrás da classificação mais tarde", avalia Helio Griner, técnico do Rexona.

As mudanças no sistema de disputa também acrescentaram emoção afirma Zé Roberto. "Gostei muito desse novo sistema. Agora todo jogo é importante, o que torna o campeonato mais excitante, mais vibrante. Além da vitória, as equipes têm que se preocupar com o número de sets e de pontos", afirma o treinador da equipe paulista.

Rizola por sua vez faz questão de destacar a importância da mudança para a rotina das equipes. "Os times jogam praticamente uma vez por semana. Isso resultou na redução de viagens e no conseqüente desgaste físico das jogadoras. Essa foi outra vitória nossa", declara.

Para completar, a presença da tevê aberta deu outro impulso à competição. Moura e o time de Campos sentem de perto o retorno das transmissões. "A volta da tevê aberta foi um grande passo nessa temporada. Para nós, especialmente, foi muito bom", afirma, lembrando do comportamento do público que acompanha as transmissões. "Podemos sentir nas ruas como as pessoas estão agradecidas por ter a chance de participar do vôlei. Somos parados para receber cumprimentos e somos sempre tratados com uma grande festa. A Superliga hoje voltou a ter aquele aspecto gostoso de anos anteriores", assegura.

Os índices de público nas partidas comprovam numericamente o crescimento no interesse pelo esporte. Em estudo comparativo com a Superliga passada, a média de público aumentou de 26,75% para 49,24%, tendo na sétima e última rodada da Superliga feminina, o recorde desta temporada: 6.737 torcedores no ginásio.

  Veja também
As opiniões dos treinadores O balanço dos treinadores

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página