| Foto: Marcelo Ferrelli/GP |
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Por Adriana Reis
Uma mistura de alívio, satisfação e
uma resposta às críticas. Foi com este misto
de sensações que a jogadora Karin desembarcou
na manhã desta terça-feira, em São Paulo.
Na bagagem, o quarto lugar conquistado no Grand Prix, disputado
na Ásia. Pouco, para uma seleção que
já foi bronze olímpico. Muito, se o ponto de
vista for o de uma seleção que saiu do país
desacreditada e sem as jogadoras Fofão, Érika,
Waleska e Raquel, que se rebelaram com o técnico Marco
Aurélio Motta e pediram dispensa, num ano em que a
briga maior é pelo visado Campeonato Mundial. Para
Karin, ainda sobrou a dura missão de comandar em quadra
este renovado time.
"Confesso que fiquei satisfeita com o resultado. Tinha
alguma experiência e procurei passar isso para as mais
novas", conta, orgulhosa. "A gente tentou se isentar
das críticas e montar um grupo coeso. Fiquei feliz
com o resultado", diz a atleta, que muitas vezes teve
de fazer o papel de conselheira, dizendo até mesmo
o que as meninas deviam evitar comer.
Karin diz que após a saída das jogadoras rebeladas,
a tática do grupo foi esquecer a crise e se concentrar
no jogo, desenvolvendo a estratégia de ajuda mútua
entre as experientes e as estreantes. Pessoalmente, Karin
disse que ainda teve de engolir as críticas pessoais
que sofreu, por ser uma jogadora do time anterior que optou
por permanecer na seleção. "Fui criticada
por ter ficado na seleção brasileira. As pessoas
comentavam: ela é uma das experientes, então
porque não saiu com as outras? Isso me magoou",
desabafa.
A essas críticas, Karin responde diretamente: "Não
preciso provar nada a ninguém. Acho que estou numa
fase em que posso mostrar meu voleibol com tranqüilidade.
Fiquei na seleção por opção própria,
por um objetivo meu de disputar o Campeonato Mundial e tentar
conseguir uma inédita medalha para o Brasil. Sei que
vai ser difícil, mas quero tentar", afirmou. "E
o Grand Prix provou que não existe nenhum bicho-papão.
Ganhamos da Rússia e tivemos a infelicidade de perder
o bronze para a Alemanha, mas encaramos a China de igual para
igual".
Além de ter aprovado sua atuação como
capitã do time, Karin disse também ter ficado
satisfeita com seu desempenho como jogadora. "Admito
que não estou no auge da minha forma física,
mas é muito bom competir com as mais novas e perceber
que estou jogando bem".
Karin evita fazer críticas diretas às colegas
que decidiram abandonar a seleção, mas garante
que o técnico Marco Aurélio Motta deu a elas
espaço para se manifestar. "Elas tiveram a abertura
do Marco, mas não usaram. Tanto que nós ficamos
sabendo do pedido de dispensa por ele, já que elas
não nos comunicaram", lembra.
A jogadora acredita que, apesar do clima negativo que ficou
com a saída, Motta não fechou as portas para
nenhuma das chamadas rebeladas. "O Motta
deixou as portas abertas. Foram elas que escolheram não
estar na seleção. Acho que elas são muito
jovens para ter deixado a equipe", opina.
Karin não esconde que tem diferenças com o
treinador, mas encara o fato com naturalidade e procura não
criar conflito. "Temos diferenças com ele, mas
procuro conversar com ele. Acho que isso ajuda a construir
um grupo mais unido", diz. É tudo o que Karin,
Motta e as renovadas jogadoras buscam daqui para frente.
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