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06/08/02
Foto: Marcelo Ferrelli/GP
Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Por Adriana Reis

Uma mistura de alívio, satisfação e uma resposta às críticas. Foi com este misto de sensações que a jogadora Karin desembarcou na manhã desta terça-feira, em São Paulo. Na bagagem, o quarto lugar conquistado no Grand Prix, disputado na Ásia. Pouco, para uma seleção que já foi bronze olímpico. Muito, se o ponto de vista for o de uma seleção que saiu do país desacreditada e sem as jogadoras Fofão, Érika, Waleska e Raquel, que se rebelaram com o técnico Marco Aurélio Motta e pediram dispensa, num ano em que a briga maior é pelo visado Campeonato Mundial. Para Karin, ainda sobrou a dura missão de comandar em quadra este renovado time.

"Confesso que fiquei satisfeita com o resultado. Tinha alguma experiência e procurei passar isso para as mais novas", conta, orgulhosa. "A gente tentou se isentar das críticas e montar um grupo coeso. Fiquei feliz com o resultado", diz a atleta, que muitas vezes teve de fazer o papel de conselheira, dizendo até mesmo o que as meninas deviam evitar comer.

Karin diz que após a saída das jogadoras rebeladas, a tática do grupo foi esquecer a crise e se concentrar no jogo, desenvolvendo a estratégia de ajuda mútua entre as experientes e as estreantes. Pessoalmente, Karin disse que ainda teve de engolir as críticas pessoais que sofreu, por ser uma jogadora do time anterior que optou por permanecer na seleção. "Fui criticada por ter ficado na seleção brasileira. As pessoas comentavam: ‘ela é uma das experientes, então porque não saiu com as outras’? Isso me magoou", desabafa.

A essas críticas, Karin responde diretamente: "Não preciso provar nada a ninguém. Acho que estou numa fase em que posso mostrar meu voleibol com tranqüilidade. Fiquei na seleção por opção própria, por um objetivo meu de disputar o Campeonato Mundial e tentar conseguir uma inédita medalha para o Brasil. Sei que vai ser difícil, mas quero tentar", afirmou. "E o Grand Prix provou que não existe nenhum bicho-papão. Ganhamos da Rússia e tivemos a infelicidade de perder o bronze para a Alemanha, mas encaramos a China de igual para igual".

Além de ter aprovado sua atuação como capitã do time, Karin disse também ter ficado satisfeita com seu desempenho como jogadora. "Admito que não estou no auge da minha forma física, mas é muito bom competir com as mais novas e perceber que estou jogando bem".

Karin evita fazer críticas diretas às colegas que decidiram abandonar a seleção, mas garante que o técnico Marco Aurélio Motta deu a elas espaço para se manifestar. "Elas tiveram a abertura do Marco, mas não usaram. Tanto que nós ficamos sabendo do pedido de dispensa por ele, já que elas não nos comunicaram", lembra.

A jogadora acredita que, apesar do clima negativo que ficou com a saída, Motta não fechou as portas para nenhuma das chamadas ‘rebeladas’. "O Motta deixou as portas abertas. Foram elas que escolheram não estar na seleção. Acho que elas são muito jovens para ter deixado a equipe", opina.

Karin não esconde que tem diferenças com o treinador, mas encara o fato com naturalidade e procura não criar conflito. "Temos diferenças com ele, mas procuro conversar com ele. Acho que isso ajuda a construir um grupo mais unido", diz. É tudo o que Karin, Motta e as renovadas jogadoras buscam daqui para frente.

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