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27/08/02
Principais duplas do vôlei de praia brasileiro anunciam mudança, tentam superar desgaste ‘físico e mental’ e já se preparam para lutar pelo ouro nas próximas Olimpíadas

Por Adriana Reis

Dedicação integral, paciência para corrigir os erros, respeito mútuo e coragem para abrir mão de alguns caprichos em nome do parceiro. "Um jogo de dupla é como um casamento sem sexo", resume o jogador Tande, que recentemente anunciou a troca de parceiro, após dois anos ao lado de Emanuel. Ele fará dois jogos de experiência com Loiola, um pelo Circuito Brasileiro, na etapa de Niterói; o outro, pelo Circuito Mundial, a penúltima etapa, que será disputada em Palma de Mallorca, na Espanha. Se conseguir acertar a parceria, a dupla segue junto para cumprir com o principal objetivo, o de conseguir uma medalha nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

Com metas semelhantes, Emanuel abre mão da parceria com Tande para formar dupla com Ricardo. Ao lado de Loiola, Ricardo vinha fazendo uma participação vitoriosa no Circuito Mundial. Até a troca, a dupla ocupava a liderança do ranking, à frente dos argentinos Conde e Baracetti e dos brasileiros Tande e Emanuel, que vinham em terceiro. Com as mudanças, dificilmente algum destes quatro brasileiros conseguirá o título deste ano.

Para os jogadores, as mudanças são naturais e fazem parte do difícil caminho que devem seguir até os Jogos Olímpicos, sempre a aspiração maior dos competidores. "A mudança é a coisa mais normal do mundo", acredita Tande. "Em qualquer mudança a gente sempre perde. Temos de abdicar de algumas coisas", admite Ricardo, que abriu mão da liderança do Circuito para se preparar para os Jogos de Atenas.

Com o excesso de viagens, não é difícil imaginar um previsível desgaste entre as duplas. Os jogadores revelam que é realmente complicado estar tanto tempo ao lado de uma mesma pessoa. "O ano passado foi maravilhoso para nós. Fomos campeões Mundiais e Brasileiros, tivemos muitas conquistas. Já este ano vínhamos sentindo um desgaste físico e mental", conta Tande. Emanuel confirmou, em entrevistas que concedeu assim que rompeu com o parceiro, que houve um "desentendimento", mas que a decisão de desmanchar a parceria foi feita de maneira cordial, sem ressentimentos.

Já entre a dupla Ricardo e Loiola o que atrapalhava era justamente a distância. Ricardo mora em João Pessoa e Loiola, em Vitória, Nenhum dos dois abria mão de permanecer em sua cidade e, com isso, os treinos entre os dois eram realizados apenas durante as competições. "Não estava me sentindo bem com esta distância. Queria uma união. Eu e o Loiola jogamos juntos um ano e meio e esta distância atrapalhava. Havia algumas coisas a serem acertadas e não conseguíamos, porque treinávamos separados", reclama Ricardo.

Por isso, um ponto fundamental para a mudança também foi o fato de Emanuel aceitar mudar-se para João Pessoa. Tande lembra que o ex-companheiro já havia manifestado o interesse de se mudar para lá e que isso funcionou como um impulso para o fim da parceria. "O Emanuel já estava com o pensamento de voltar para a Paraíba, ele tem família lá, a esposa dele é de lá, e ele já rodou muito pelo mundo, está há cinco anos longe de João Pessoa e estava querendo voltar para lá. Conversamos abertamente, como bons amigos, e não tinha porquê ele ficar se queria voltar para a Paraíba. Conversamos numa boa porque vivemos uma história juntos, passamos muito tempo juntos e acabou-se decidindo pelo fim da dupla", explica Tande.

A expectativa das novas duplas é que consigam se acertar até o final do ano, para iniciar 2003 com a cabeça nos Jogos de Atenas. A ausência de uma medalha de ouro nas últimas Olimpíadas serve, neste caso, como um incentivo ainda maior para os brasileiros, que estão sempre em destaque nas competições internacionais. "Esta mudança é uma motivação nova. É uma alteração nas duas principais duplas de vôlei de praia do país. Agora vamos testar o conjunto e acertar tudo até o final do ano. Nossa expectativa agora já é a Olimpíada", disse Ricardo. "Perdemos muita coisa com esta mudança. Mas isso pode representar nossa vitória num futuro próximo", completou. esperançoso. Agora, resta saber se este ‘casamento’ será duradouro e se os frutos destas parcerias serão novas vitórias brasileiras.

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