Jovens atletas se inspiram no irmão
mais velho e descobrem a paixão e o talento pelo vôlei
Por Adriana Reis
| Marcelo Ferrelli/GP |
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A jogadora da equipe infanto-juvenil do Suzano Marília
Negrão tinha apenas sete anos em agosto de 1992, mas
não consegue se esquecer da confusão em sua
casa naquela manhã de domingo, dia 9. Em Barcelona,
Espanha, a seleção brasileira masculina de vôlei
entraria para a história ao conquistar a primeira medalha
de ouro para o país em esporte por equipe. Em sua casa,
familiares e jornalistas se dividiam pelos cômodos para
não perder um só lance daquela partida final.
E a emoção foi ainda maior quando o irmão
de Marília, Marcelo Negrão, deu o último
saque, que levou o Brasil à vitória e ao pódio.
"Era muito pequena e não tinha a dimensão
daquilo tudo. Só um ano e meio depois comecei a perceber
a importância daquela conquista", lembra a irmã
coruja. Ela revela que um fato engraçado marcou o último
jogo, em sua casa. "Minha mãe havia feito promessa
para o Brasil ganhar e ninguém deveria assistir ao
jogo acompanhado. Por isso, tivemos de nos dividir pela casa,
uma loucura", recorda.
Enquanto todos se espalhavam pela casa, Marília não
se importava muito com a movimentação. Mas nem
ela imaginava como aquela medalha pendurada entre os objetos
de valor do irmão mudaria sua vida. O porte atlético
e a altura adequada para praticar o vôlei Marília
herdou da genética familiar. Era necessário
só um empurrãozinho para que ela assumisse o
esporte de coração do irmão. E o incentivo
veio, justamente do irmão.
| Marcelo Ferrelli/GP |
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"Quando eu era mais nova queria ser modelo. Mas meu
irmão queria que eu me dedicasse ao esporte. Ele me
levava ao clube e insistia para que eu jogasse. Até
que peguei gosto pelo vôlei e não larguei mais",
conta a jogadora, que teve seu pai como outro incentivador
de sua carreira de atleta.
Diferente do irmão, que joga como atacante e atualmente
defende a camisa da Ulbra, Marília se dedicou à
posição de levantadora. Ela diz que muitas vezes
conta com dicas do irmão para aprimorar suas qualidades
técnicas em quadra. "Como ele joga como atacante,
sempre me passa informações de como ele gosta
de receber a bola, como devo levantar para que o aproveitamento
seja melhor, isso é muito bom", explica a jogadora,
que não esconde sua admiração pela carreira
do irmão, mas que nega, sem esconder o riso, a evidente
semelhança física entre eles. "Não
me diga que sou parecida com ele, por favor. Ele é
um horror", brinca a atleta, que sonha em repetir a mesma
carreira de sucesso já conhecida na família.
Imitar o irmão mais velho na modalidade não
é privilégio de Marília. O mesmo time
de Suzano tem outro caso semelhante. Quando soube que o irmão,
Enoch Paulino Júnior, estava de malas prontas para
jogar profissionalmente por uma equipe e assumir a carreira
de atleta, Janaína não teve dúvidas:
decidiu começar os treinos com bola e testar se a qualidade
para jogar vôlei era privilégio do irmão
ou um fator genético. Teve sorte. "Comecei na
escola. Minha professora me viu jogar e me levou para Maringá
(Paraná). Joguei pela cidade, gostei e não parei
mais", conta a atleta, que nasceu na cidade de Anápolis
(Goiás).
Há seis anos, Janaína se mudou para São
Paulo e, hoje, joga nas equipes juvenil e principal do Suzano,
como atacante. E, nesta temporada, ela ainda recebeu uma boa
notícia: seu irmão, que jogava pelo Unisul,
retorna ao Suzano. Uma companhia familiar que ela comemora
e um importante aliado para as dicas e até prováveis
broncas em quadra. Porque uma coisa as jogadoras não
escondem: quando é preciso, a autoridade de irmão
mais velho entra em quadra para dar aquela força que
só em família é peculiar.
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