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09/09/02
Jovens atletas se inspiram no irmão mais velho e descobrem a paixão e o talento pelo vôlei

Por Adriana Reis
Marcelo Ferrelli/GP
Marcelo Ferrelli/GP
 

A jogadora da equipe infanto-juvenil do Suzano Marília Negrão tinha apenas sete anos em agosto de 1992, mas não consegue se esquecer da confusão em sua casa naquela manhã de domingo, dia 9. Em Barcelona, Espanha, a seleção brasileira masculina de vôlei entraria para a história ao conquistar a primeira medalha de ouro para o país em esporte por equipe. Em sua casa, familiares e jornalistas se dividiam pelos cômodos para não perder um só lance daquela partida final. E a emoção foi ainda maior quando o irmão de Marília, Marcelo Negrão, deu o último saque, que levou o Brasil à vitória e ao pódio.

"Era muito pequena e não tinha a dimensão daquilo tudo. Só um ano e meio depois comecei a perceber a importância daquela conquista", lembra a irmã coruja. Ela revela que um fato engraçado marcou o último jogo, em sua casa. "Minha mãe havia feito promessa para o Brasil ganhar e ninguém deveria assistir ao jogo acompanhado. Por isso, tivemos de nos dividir pela casa, uma loucura", recorda.

Enquanto todos se espalhavam pela casa, Marília não se importava muito com a movimentação. Mas nem ela imaginava como aquela medalha pendurada entre os objetos de valor do irmão mudaria sua vida. O porte atlético e a altura adequada para praticar o vôlei Marília herdou da genética familiar. Era necessário só um empurrãozinho para que ela assumisse o esporte de coração do irmão. E o incentivo veio, justamente do irmão.

Marcelo Ferrelli/GP
Marcelo Ferrelli/GP
 

"Quando eu era mais nova queria ser modelo. Mas meu irmão queria que eu me dedicasse ao esporte. Ele me levava ao clube e insistia para que eu jogasse. Até que peguei gosto pelo vôlei e não larguei mais", conta a jogadora, que teve seu pai como outro incentivador de sua carreira de atleta.

Diferente do irmão, que joga como atacante e atualmente defende a camisa da Ulbra, Marília se dedicou à posição de levantadora. Ela diz que muitas vezes conta com dicas do irmão para aprimorar suas qualidades técnicas em quadra. "Como ele joga como atacante, sempre me passa informações de como ele gosta de receber a bola, como devo levantar para que o aproveitamento seja melhor, isso é muito bom", explica a jogadora, que não esconde sua admiração pela carreira do irmão, mas que nega, sem esconder o riso, a evidente semelhança física entre eles. "Não me diga que sou parecida com ele, por favor. Ele é um horror", brinca a atleta, que sonha em repetir a mesma carreira de sucesso já conhecida na família.

Imitar o irmão mais velho na modalidade não é privilégio de Marília. O mesmo time de Suzano tem outro caso semelhante. Quando soube que o irmão, Enoch Paulino Júnior, estava de malas prontas para jogar profissionalmente por uma equipe e assumir a carreira de atleta, Janaína não teve dúvidas: decidiu começar os treinos com bola e testar se a qualidade para jogar vôlei era privilégio do irmão ou um fator genético. Teve sorte. "Comecei na escola. Minha professora me viu jogar e me levou para Maringá (Paraná). Joguei pela cidade, gostei e não parei mais", conta a atleta, que nasceu na cidade de Anápolis (Goiás).

Há seis anos, Janaína se mudou para São Paulo e, hoje, joga nas equipes juvenil e principal do Suzano, como atacante. E, nesta temporada, ela ainda recebeu uma boa notícia: seu irmão, que jogava pelo Unisul, retorna ao Suzano. Uma companhia familiar que ela comemora e um importante aliado para as dicas e até prováveis broncas em quadra. Porque uma coisa as jogadoras não escondem: quando é preciso, a autoridade de irmão mais velho entra em quadra para dar aquela força que só em família é peculiar.

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