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| A dupla brasileira subiu ao pódio em 80% das
etapas do Circuito Mundial que disputou desde 95 |
Por Claudia Andrade
Durante cinco anos, Adriana Behar e Shelda ocuparam o topo
da lista das melhores jogadoras de vôlei de praia do mundo.
Mas nesta temporada, as brasileiras perderam seu reinado para
as norte-americanas Walsh e May, que já chegaram à
disputa da última etapa, no fim de semana passado em
Vitória (ES) com o título deste ano assegurado.
Às brasileiras, restou o segundo lugar na lista da FIVB,
a Federação Internacional de Vôlei.
"Isso significa que a luz vermelha acendeu", diz o
coordenador de vôlei de praia da Confederação
Brasileira (CBV), Marcelo Wangler. Segundo ele, o resultado
mostra que as jogadoras dos Estados Unidos se adaptaram mais
rápido às novas regras da modalidade. "Nós
sentimos mais que as norte-americanas a mudança no tamanho
da quadra. Uma quadra menor dificulta as coisas para as atletas
mais baixas e as dos Estados Unidos, por serem mais altas, se
deram melhor", explica. Atualmente, a quadra tem 16x8m.
Para tentar resolver o problema com as novas dimensões,
a solução da CBV é investir em novas jogadoras,
mais altas. "As que estão aí terão
de se adaptar. Mas no futuro, queremos 'aumentar' as atletas.
Estamos planejando a inauguração de um centro
de treinamento em Saquarema (RJ) no ano que vem, com dez atletas
de no mínimo 1,85m", antecipa. "Mas esse é
um trabalho para
2008 porque não dá tempo de formá-las para
as próximas Olimpíadas", completa.
Outro problema apontado pelo dirigente foi a lesão no
tornozelo sofrida por Shelda. "Ela não teve tempo
de parar e se recuperar", afirma. A mesma questão
foi apontada pela parceira de Shelda. "Para as brasileiras
é mais difícil se manter em boa forma sempre,
porque temos de disputar o circuito mundial e o brasileiro também.
A gente viaja direto e o corpo sente. Acho que a Confederação
tem que ter cuidado para organizar um número de etapas
que seja compatível com nosso corpo."
Segundo Wangler, essa é uma preocupação
da entidade. "Nossa idéia é reduzir o número
de etapas open e aumentar os challengers. Mas ainda não
sabemos qual será o novo formado para o ano que vem porque
ainda estamos discutindo isso com nossos patrocinadores."
Atualmente, o circuito nacional tem 15 etapas, que vão
de março a dezembro. Os torneios challenger contam com
quatro etapas, em julho. Eles foram criados para ocupar um lugar
vago no calendário, já que nesta época
muitas duplas estão no exterior e as disputas no Brasil
eram interrompidas. "Também abrem espaço
para as duplas que estão começando, por serem
competições mais
fracas", diz o coordenador.
Para Behar, 'mudança é boa para o nível
do vôlei de praia'
A brasileira Adriana Behar vê um lado bom na perda
da hegemonia no vôlei de praia. Depois de cinco anos
como campeãs do circuito mudial, Adriana e sua parceira
Shelda foram ultrapassadas nesta temporada pela dupla Walsh/May,
dos Estados Unidos. "O nível do vôlei de
praia tem melhorado a cada ano. Durante os últimos
cinco fomos as melhores, mas não íamos conseguir
isso pelo resto da vida", pondera. Segundo ela, nesta
temporada houve uma variação maior nos primeiros
lugares ao longo das 11 etapas. "Isso é bom para
o nível da competição."
Mesmo sem conquistar o título, o Brasil conseguiu um
bom resultado no Circuito Mundial. Além de Behar e
Shelda em segundo lugar, o País fechou o ano com outras
três duplas entre as dez melhores, contra apenas duas
dos Estados Unidos. Ana Paula e Tatiana ficaram em quinto
lugar e Sandra e Leila ficaram em sétimo, seguidas
por Alexandra e Mônica. "Os resultados mostram
que o Brasil está entre os melhores do mundo. E isso
é graças ao esforço das atletas."
Segundo Behar, a própria situação brasileira
não favorece um desempenho ainda melhor. "No vôlei
de quadra você tem uma segurança muito maior
e o clube já tem toda a estrutura para os jogadores.
Na praia, você é que tem que correr atrás,
montar a estrutura", compara.
A jogadora acredita que isso dificulta o aumento do número
de praticantes, o que poderia melhorar a qualidade das atletas.
"No feminino a quantidade de jogadoras é menor
que no masculino, que já tem uma renovação
natural."
Para o coordenador do vôlei de praia da Confederação
Brasileira (CBV), a diferença vem de uma questão
cultural. "O homem em geral arrisca mais. Como 90% das
duplas nacionais não têm patrocínio, eles
vão lá, tiram dinheiro do bolso", diz Marcelo
Wangler, para acrescentar que o número de duplas femininas
no circuito nacional aumentou de 16 para 18 este ano. "Tem
que ser um aumento gradativo, senão entram duplas muito
fracas, que não têm condições de
estar no torneio", explica.
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| As norte-americanas campeãs mundiais este ano,
quebrando hegemonia de cinco anos das brasileiras |
Duelo Brasil x EUA
Apesar da lista das top ten do vôlei de praia feminino
ter duplas do Brasil, Estados Unidos, Austrália, Itália,
Holanda e Alemanha, as disputas pelo título das competições
têm ficado concentradas entre os dois primeiros países.
"Brasil e Estados Unidos são os mais fortes com
certeza", afirma o coordenador de vôlei de praia
da Confederação brasileira, Marcelo Wangler.
Sua opinião é endossada pela brasileira Adriana
Behar. "Os dois países duelam pela liderança.
A Austrália e a Alemanha apresentam algumas caras
novas, o que é importante."
Para manter as duplas nacionais entre as melhores do mundo,
a CBV quer dar um apoio maior para algumas duplas, visando
as Olimpíadas de Atenas/2004. "Deve haver mudanças
nas duplas para a temporada do ano que vem. Mas vamos acompanhar
mais de perto quatro duplas do masculino e quatro do feminino",
diz Wangler.
Adriana e Shelda certamente estarão entre as quatro,
já que têm um histórico respeitável
no esporte. Juntas desde novembro de 95, quando estrearam
no Circuito Mundial na etapa de Santos, terminando em sétimo
lugar, elas conquistaram a primeira vitória na sétima
etapa da temporada seguinte, realizada em Porto Rico.
Ao todo, já disputaram 63 torneios do Circuito Mundial,
venceram 27, e subiram ao pódio em 80% das etapas,
um recorde não só na categoria feminina, mas
também na masculina. Campeãs mundiais em 99
e 2001, elas ficaram com a medalha de prata nos Jogos Olímpicos
de Sydney/00, perdendo a final para as australianas Cook/Pottharst.
Os rumores de que a dupla poderia se separar foram prontamente
desmentidos pela treinadora da dupla, Letícia Pessoa.
Segundo ela, isso é "impossível".
Com planos para o futuro, Shelda confirma a declaração
da técnica. "Essa foi uma temporada difícil
e ainda estamos entre os times de ponta. Nada está
acabado, no ano que vem estaremos de volta para ganhar o título
de novo", disse, determinada, depois do encerramento
da etapa de Vitória (ES), a última do calendário
2002, no último domingo.
| Ranking mundial
feminino |
| Dupla |
País
|
Pontos
|
| Walsh/May |
EUA
|
3070
|
| Adriana/Shelda |
BRA
|
2740
|
| Cook/Pottharst |
AUS
|
2370
|
| McPeaks/Youngs |
EUA
|
2310
|
| Ana Paula/Tatiana |
BRA
|
2280
|
| Perrotta/Gattelli |
ITA
|
1640
|
| Leila/Sandra |
BRA
|
1630
|
| Alexandra/Mônica |
BRA
|
1400
|
| Leenstra/Kadijk R |
HOL
|
1390
|
| Pohl/Rau |
ALE
|
1200
|
|