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25/09/02
Foto: Divulgação
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A dupla brasileira subiu ao pódio em 80% das etapas do Circuito Mundial que disputou desde 95

Por Claudia Andrade
Durante cinco anos, Adriana Behar e Shelda ocuparam o topo da lista das melhores jogadoras de vôlei de praia do mundo. Mas nesta temporada, as brasileiras perderam seu reinado para as norte-americanas Walsh e May, que já chegaram à disputa da última etapa, no fim de semana passado em Vitória (ES) com o título deste ano assegurado. Às brasileiras, restou o segundo lugar na lista da FIVB, a Federação Internacional de Vôlei.

"Isso significa que a luz vermelha acendeu", diz o coordenador de vôlei de praia da Confederação Brasileira (CBV), Marcelo Wangler. Segundo ele, o resultado mostra que as jogadoras dos Estados Unidos se adaptaram mais rápido às novas regras da modalidade. "Nós sentimos mais que as norte-americanas a mudança no tamanho da quadra. Uma quadra menor dificulta as coisas para as atletas mais baixas e as dos Estados Unidos, por serem mais altas, se deram melhor", explica. Atualmente, a quadra tem 16x8m.

Para tentar resolver o problema com as novas dimensões, a solução da CBV é investir em novas jogadoras, mais altas. "As que estão aí terão de se adaptar. Mas no futuro, queremos 'aumentar' as atletas. Estamos planejando a inauguração de um centro de treinamento em Saquarema (RJ) no ano que vem, com dez atletas de no mínimo 1,85m", antecipa. "Mas esse é um trabalho para
2008 porque não dá tempo de formá-las para as próximas Olimpíadas", completa.

Outro problema apontado pelo dirigente foi a lesão no tornozelo sofrida por Shelda. "Ela não teve tempo de parar e se recuperar", afirma. A mesma questão foi apontada pela parceira de Shelda. "Para as brasileiras é mais difícil se manter em boa forma sempre, porque temos de disputar o circuito mundial e o brasileiro também. A gente viaja direto e o corpo sente. Acho que a Confederação tem que ter cuidado para organizar um número de etapas que seja compatível com nosso corpo."

Segundo Wangler, essa é uma preocupação da entidade. "Nossa idéia é reduzir o número de etapas open e aumentar os challengers. Mas ainda não sabemos qual será o novo formado para o ano que vem porque ainda estamos discutindo isso com nossos patrocinadores."

Atualmente, o circuito nacional tem 15 etapas, que vão de março a dezembro. Os torneios challenger contam com quatro etapas, em julho. Eles foram criados para ocupar um lugar vago no calendário, já que nesta época muitas duplas estão no exterior e as disputas no Brasil eram interrompidas. "Também abrem espaço para as duplas que estão começando, por serem competições mais
fracas", diz o coordenador.

Para Behar, 'mudança é boa para o nível do vôlei de praia'

A brasileira Adriana Behar vê um lado bom na perda da hegemonia no vôlei de praia. Depois de cinco anos como campeãs do circuito mudial, Adriana e sua parceira Shelda foram ultrapassadas nesta temporada pela dupla Walsh/May, dos Estados Unidos. "O nível do vôlei de praia tem melhorado a cada ano. Durante os últimos cinco fomos as melhores, mas não íamos conseguir isso pelo resto da vida", pondera. Segundo ela, nesta temporada houve uma variação maior nos primeiros lugares ao longo das 11 etapas. "Isso é bom para o nível da competição."

Mesmo sem conquistar o título, o Brasil conseguiu um bom resultado no Circuito Mundial. Além de Behar e Shelda em segundo lugar, o País fechou o ano com outras três duplas entre as dez melhores, contra apenas duas dos Estados Unidos. Ana Paula e Tatiana ficaram em quinto lugar e Sandra e Leila ficaram em sétimo, seguidas por Alexandra e Mônica. "Os resultados mostram
que o Brasil está entre os melhores do mundo. E isso é graças ao esforço das atletas."

Segundo Behar, a própria situação brasileira não favorece um desempenho ainda melhor. "No vôlei de quadra você tem uma segurança muito maior e o clube já tem toda a estrutura para os jogadores. Na praia, você é que tem que correr atrás, montar a estrutura", compara.

A jogadora acredita que isso dificulta o aumento do número de praticantes, o que poderia melhorar a qualidade das atletas. "No feminino a quantidade de jogadoras é menor que no masculino, que já tem uma renovação natural."

Para o coordenador do vôlei de praia da Confederação Brasileira (CBV), a diferença vem de uma questão cultural. "O homem em geral arrisca mais. Como 90% das duplas nacionais não têm patrocínio, eles vão lá, tiram dinheiro do bolso", diz Marcelo Wangler, para acrescentar que o número de duplas femininas no circuito nacional aumentou de 16 para 18 este ano. "Tem que ser um aumento gradativo, senão entram duplas muito fracas, que não têm condições de estar no torneio", explica.

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As norte-americanas campeãs mundiais este ano, quebrando hegemonia de cinco anos das brasileiras


Duelo Brasil x EUA

Apesar da lista das top ten do vôlei de praia feminino ter duplas do Brasil, Estados Unidos, Austrália, Itália, Holanda e Alemanha, as disputas pelo título das competições têm ficado concentradas entre os dois primeiros países. "Brasil e Estados Unidos são os mais fortes com certeza", afirma o coordenador de vôlei de praia da Confederação brasileira, Marcelo Wangler. Sua opinião é endossada pela brasileira Adriana Behar. "Os dois países duelam pela liderança. A Austrália e a Alemanha apresentam algumas caras
novas, o que é importante."

Para manter as duplas nacionais entre as melhores do mundo, a CBV quer dar um apoio maior para algumas duplas, visando as Olimpíadas de Atenas/2004. "Deve haver mudanças nas duplas para a temporada do ano que vem. Mas vamos acompanhar mais de perto quatro duplas do masculino e quatro do feminino", diz Wangler.

Adriana e Shelda certamente estarão entre as quatro, já que têm um histórico respeitável no esporte. Juntas desde novembro de 95, quando estrearam no Circuito Mundial na etapa de Santos, terminando em sétimo lugar, elas conquistaram a primeira vitória na sétima etapa da temporada seguinte, realizada em Porto Rico.

Ao todo, já disputaram 63 torneios do Circuito Mundial, venceram 27, e subiram ao pódio em 80% das etapas, um recorde não só na categoria feminina, mas também na masculina. Campeãs mundiais em 99 e 2001, elas ficaram com a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Sydney/00, perdendo a final para as australianas Cook/Pottharst.

Os rumores de que a dupla poderia se separar foram prontamente desmentidos pela treinadora da dupla, Letícia Pessoa. Segundo ela, isso é "impossível". Com planos para o futuro, Shelda confirma a declaração da técnica. "Essa foi uma temporada difícil e ainda estamos entre os times de ponta. Nada está acabado, no ano que vem estaremos de volta para ganhar o título de novo", disse, determinada, depois do encerramento da etapa de Vitória (ES), a última do calendário 2002, no último domingo.

Ranking mundial feminino
Dupla
País
Pontos
Walsh/May
EUA
3070
Adriana/Shelda
BRA
2740
Cook/Pottharst
AUS
2370
McPeaks/Youngs
EUA
2310
Ana Paula/Tatiana
BRA
2280
Perrotta/Gattelli
ITA
1640
Leila/Sandra
BRA
1630
Alexandra/Mônica
BRA
1400
Leenstra/Kadijk R
HOL
1390
Pohl/Rau
ALE
1200
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