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| Foto Djalma Vassão/Gazeta Press |
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| Bernardinho chega à Argentina com time sem ritmo
de jogo para a primeira fase |
Por Fernando Narazaki
Time sem ritmo de jogo, um dos principais jogadores contundido
e a primeira fase utilizada como preparação para o resto da
competição. A mesma situação atravessada pela seleção de futebol
há três meses, é também a realidade vivida pela seleção masculina
de vôlei, que embarca nesta sexta-feira para a Argentina,
onde disputa o Mundial da categoria, a partir deste domingo.
O Brasil busca o único título que falta entre as grandes
competições do vôlei masculino. Até hoje, o melhor resultado
do país em Mundiais foi a segunda colocação em 1982, coincidentemente,
na mesma Argentina. Naquela ocasião, o hoje técnico Bernardinho
estava na quadra e assistiu do banco de reservas à derrota
na final diante da União Soviética.
A competição na Argentina também marca a última participação
do levantador Maurício em eventos deste porte. O jogador de
34 anos já revelou que encerra a carreira após as Olimpíadas
de Atenas/2004. "Agora, vai ou racha", define o jogador, que
terá a responsabilidade de armar as jogadas para Nalbert,
Giba, André Nascimento, Henrique e Gustavo.
Entretanto, o quadro não é dos melhores. A motivação que
contagiou a equipe após a Liga Mundial, quando o Brasil ficou
com a segunda colocação, ao perder a final para a Rússia por
3 sets a 1, deu lugar a frustração e a uma série de imprevistos,
como as contusões da maioria dos 12 convocados durante este
período e os amistosos com equipes limitadas, antes da principal
competição da temporada.
Nas três semanas que deveriam ser usadas como preparação,
os jogadores passaram mais tempo no departamento médico e
o técnico teve pouco tempo para ajustar o time. Por isso,
o treinador resolveu adotar o mesmo discurso humilde utilizado
por Luiz Felipe Scolari, pouco antes da Copa do Mundo. "Nunca
tive uma maré de azar tão grande. Perdemos a consistência
do time titular e teremos de ganhar ritmo de jogo durante
a primeira fase. Não chegamos da forma que queríamos, mas
podemos nos recuperar", afirma Bernardinho.
Um exemplo é o atacante Nalbert.
Um dos mais experientes do elenco, o ponta teve duas lesões
sucessivas e preocupou o técnico brasileiro. "O Nalbert chega
numa situação maluca e temos de recuperá-lo psicologicamente.
Tenho de fazer um trabalho com ele para que não fique sentindo
o fato de ter se contundido a uma semana do Mundial. Preciso
mostrar que precisamos deles e dar ânimo. Ele anda com o psicológico
meio baixo", analisa o treinador.
O ponta afirma que sentiu o fato de ficar afastado do time
nas últimas duas semanas, mas não vê a hora de responder na
quadra. "Estou louco para jogar. A lesão me preocupou, mas
já estou bem e espero me recuperar a tempo", diz o jogador,
que sofreu uma contusão no ombro e, quando se recuperou, teve
dores no pescoço, em virtude de um torcicolo, e só voltou
à equipe nesta semana.
| Foto Djalma Vassão/ Gazeta Press |
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| Escadinha: um dos únicos que escapou da série
de contusões na equipe |
Além de Nalbert, outros jogadores que sofreram com contusões
foram: Maurício, Giba, Henrique, Gustavo, André Nascimento,
Rodrigão, Anderson, Giovane e Ricardinho. Os únicos que escaparam
ilesos à maré de lesões foram: Escadinha e Dante. "Foi uma
série inesperada, mas que temos de aceitar. Só espero que
agora isso pare", comenta Rodrigão.
Para Bernardinho, a seqüência de lesões poderá até servir
para fortalecer o elenco, mas acabou prejudicando a preparação.
"Isso pode até ajudar eles a vencer dificuldades, mas atrapalhou
os nossos planos. É um momento de confirmação para muitos
dos atletas e temos de provar isso em quadra", comenta.
No Mundial, o Brasil não terá adversários complicados na
primeira fase da competição. O país está no grupo E, ao lado
de EUA, Venezuela e Egito. A estréia será neste domingo contra
a equipe sul-americana, de quem o Brasil venceu os dois confrontos
que disputou neste ano.
Depois disso, a seleção encara os norte-americanos, que
estão animados pelo bom desempenho nos amistosos contra a
Itália, na última semana. É o rival mais difícil da primeira
fase, segundo o técnico e os jogadores. Em seguida, o Brasil
encerra a participação contra o desconhecido Egito, que não
deve oferecer maiores dificuldades.
A partir daí, a situação irá complicar e o time corre o
risco de enfrentar Holanda, Espanha ou Iugoslávia na segunda
fase. "Depois da primeira fase, podemos jogar contra grandes
times e começa o torneio para valer. Não podemos mais perder
e o importante será chegar entre os oito primeiros", comenta
Bernardinho.
Para os jogadores, este é um dos Mundiais mais equilibrados
da história e sete ou oito países podem brigar pelo título.
Além do Brasil, os outros favoritos são Rússia, Itália, Holanda,
Iugoslávia, Argentina, EUA e Espanha. O adversário a ser vencido
por todos é a Itália, atual tricampeã mundial e que busca
o inédito tetracampeonato.
Os italianos querem apagar a péssima impressão que ficou
após a Liga Mundial, quando a equipe ficou em quarto lugar
e esteve longe do pódio pela segunda vez em 11 edições. Para
isso, o time conta com Gianni, Fei e Sartoretti, três dos
maiores destaques do Campeonato Italiano.
Já a grande surpresa poderá ser a República Tcheca. Quarta
colocada no Europeu realizado no ano passado, o time comandado
pelo técnico Júlio Velasco, o mesmo que levou a Itália às
glórias nos anos 90, vem com um elenco jovem e atletas altos,
que podem aprontar para os favoritos.
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