Fale conosco Receba o boletim  
26/09/2002
Brasil enfrenta má fase para buscar título inédito

Foto Djalma Vassão/Gazeta Press
Foto  Djalma Vassão/Gazeta Press
Bernardinho chega à Argentina com time sem ritmo de jogo para a primeira fase

Por Fernando Narazaki

Time sem ritmo de jogo, um dos principais jogadores contundido e a primeira fase utilizada como preparação para o resto da competição. A mesma situação atravessada pela seleção de futebol há três meses, é também a realidade vivida pela seleção masculina de vôlei, que embarca nesta sexta-feira para a Argentina, onde disputa o Mundial da categoria, a partir deste domingo.

O Brasil busca o único título que falta entre as grandes competições do vôlei masculino. Até hoje, o melhor resultado do país em Mundiais foi a segunda colocação em 1982, coincidentemente, na mesma Argentina. Naquela ocasião, o hoje técnico Bernardinho estava na quadra e assistiu do banco de reservas à derrota na final diante da União Soviética.

A competição na Argentina também marca a última participação do levantador Maurício em eventos deste porte. O jogador de 34 anos já revelou que encerra a carreira após as Olimpíadas de Atenas/2004. "Agora, vai ou racha", define o jogador, que terá a responsabilidade de armar as jogadas para Nalbert, Giba, André Nascimento, Henrique e Gustavo.

Entretanto, o quadro não é dos melhores. A motivação que contagiou a equipe após a Liga Mundial, quando o Brasil ficou com a segunda colocação, ao perder a final para a Rússia por 3 sets a 1, deu lugar a frustração e a uma série de imprevistos, como as contusões da maioria dos 12 convocados durante este período e os amistosos com equipes limitadas, antes da principal competição da temporada.

Nas três semanas que deveriam ser usadas como preparação, os jogadores passaram mais tempo no departamento médico e o técnico teve pouco tempo para ajustar o time. Por isso, o treinador resolveu adotar o mesmo discurso humilde utilizado por Luiz Felipe Scolari, pouco antes da Copa do Mundo. "Nunca tive uma maré de azar tão grande. Perdemos a consistência do time titular e teremos de ganhar ritmo de jogo durante a primeira fase. Não chegamos da forma que queríamos, mas podemos nos recuperar", afirma Bernardinho.

Um exemplo é o atacante Nalbert. Um dos mais experientes do elenco, o ponta teve duas lesões sucessivas e preocupou o técnico brasileiro. "O Nalbert chega numa situação maluca e temos de recuperá-lo psicologicamente. Tenho de fazer um trabalho com ele para que não fique sentindo o fato de ter se contundido a uma semana do Mundial. Preciso mostrar que precisamos deles e dar ânimo. Ele anda com o psicológico meio baixo", analisa o treinador.

O ponta afirma que sentiu o fato de ficar afastado do time nas últimas duas semanas, mas não vê a hora de responder na quadra. "Estou louco para jogar. A lesão me preocupou, mas já estou bem e espero me recuperar a tempo", diz o jogador, que sofreu uma contusão no ombro e, quando se recuperou, teve dores no pescoço, em virtude de um torcicolo, e só voltou à equipe nesta semana.

Foto Djalma Vassão/ Gazeta Press
Foto  Djalma Vassão/Gazeta Press
Escadinha: um dos únicos que escapou da série de contusões na equipe
Além de Nalbert, outros jogadores que sofreram com contusões foram: Maurício, Giba, Henrique, Gustavo, André Nascimento, Rodrigão, Anderson, Giovane e Ricardinho. Os únicos que escaparam ilesos à maré de lesões foram: Escadinha e Dante. "Foi uma série inesperada, mas que temos de aceitar. Só espero que agora isso pare", comenta Rodrigão.

Para Bernardinho, a seqüência de lesões poderá até servir para fortalecer o elenco, mas acabou prejudicando a preparação. "Isso pode até ajudar eles a vencer dificuldades, mas atrapalhou os nossos planos. É um momento de confirmação para muitos dos atletas e temos de provar isso em quadra", comenta.

No Mundial, o Brasil não terá adversários complicados na primeira fase da competição. O país está no grupo E, ao lado de EUA, Venezuela e Egito. A estréia será neste domingo contra a equipe sul-americana, de quem o Brasil venceu os dois confrontos que disputou neste ano.

Depois disso, a seleção encara os norte-americanos, que estão animados pelo bom desempenho nos amistosos contra a Itália, na última semana. É o rival mais difícil da primeira fase, segundo o técnico e os jogadores. Em seguida, o Brasil encerra a participação contra o desconhecido Egito, que não deve oferecer maiores dificuldades.

A partir daí, a situação irá complicar e o time corre o risco de enfrentar Holanda, Espanha ou Iugoslávia na segunda fase. "Depois da primeira fase, podemos jogar contra grandes times e começa o torneio para valer. Não podemos mais perder e o importante será chegar entre os oito primeiros", comenta Bernardinho.

Para os jogadores, este é um dos Mundiais mais equilibrados da história e sete ou oito países podem brigar pelo título. Além do Brasil, os outros favoritos são Rússia, Itália, Holanda, Iugoslávia, Argentina, EUA e Espanha. O adversário a ser vencido por todos é a Itália, atual tricampeã mundial e que busca o inédito tetracampeonato.

Os italianos querem apagar a péssima impressão que ficou após a Liga Mundial, quando a equipe ficou em quarto lugar e esteve longe do pódio pela segunda vez em 11 edições. Para isso, o time conta com Gianni, Fei e Sartoretti, três dos maiores destaques do Campeonato Italiano.

Já a grande surpresa poderá ser a República Tcheca. Quarta colocada no Europeu realizado no ano passado, o time comandado pelo técnico Júlio Velasco, o mesmo que levou a Itália às glórias nos anos 90, vem com um elenco jovem e atletas altos, que podem aprontar para os favoritos.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página