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25/10/2002

Em sua segunda temporada na Itália, o meio-de-rede Gustavo chegou à Ferrara com honras da prefeitura e muita festa. O atleta e o ponta Giba receberam uma placa da cidade, em homenagem à conquista do título mundial, conquistado há duas semanas na Argentina. Gustavo revela que o interesse dos italianos pelos jogadores brasileiros cresceu a partir da Liga Mundial.

Com menos de uma semana de treino, a dupla brasileira já estréia neste domingo no Italiano Masculino de Vôlei. O Ferrara enfrenta o Perugia, fora de casa, e a equipe terá a ingrata tarefa de parar o time do espanhol Rafael Pascual, do tcheco Martin Lebl e o holandês Guido Gortzen.

Para a temporada 2002/2003, Gustavo sabe que o time do Ferrara não está entre os favoritos, mas aponta que a equipe tem tudo para chegar aos playoffs e, quem sabe, repetir o desempenho da última edição, quando o time surpreendeu o Macerata, dono da melhor campanha da primeira fase, nos playoffs e chegou às semifinais.

Nesta sexta-feira, a reportagem da Gazeta Esportiva.Net conversou com o campeão mundial por telefone. Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

Quem são os favoritos para este ano?

Macerata, Milão, Modena e Treviso, que sempre chegam em finais e são equipes muito fortes.

E como está o Ferrara para a temporada?

O time praticamente manteve a base do ano passado. Nós perdemos o Cuminetti e o Cernic, mas vieram o oposto da Austrália (Van Beest), que é muito forte e alto, e ainda virá um outro ponteiro, que é o Castellano. A equipe está equilibrada e ainda ganhou um pouco mais de experiência, com a ida do levantador (Boninfante) para a seleção italiana. Ele realmente melhorou e também eu e o Giba temos um ano a mais de experiência aqui, e podemos render mais.

No ano passado, você teve problemas com a adaptação. Como está para temporada deste ano?

O começo do ano passado foi muito difícil para a gente. Eu sofri muito nos dois primeiros meses, mas agora eu já estou melhor adaptado à comida e também conheço um pouco da língua. Espero que no final renda frutos melhores.

Quais são as metas para esta temporada?

Temos tudo para chegar entre os oito primeiros e depois tentar ir mais à frente. Queremos chegar nos playoffs e também disputar a Copa Itália, que reúne os oito primeiros do primeiro turno.

Você e o Giba não tiveram descanso, assim como outros atletas que estiveram no Mundial da Argentina. Como está o trabalho na parte física e como você está atualmente?

A gente ainda está realmente um pouco cansado, não tivemos tempo para descansar, dar aquela parada mesmo e voltar devagar. Mas, a satisfação está sendo muito maior que o cansaço. Eles nos receberam super bem, ganhamos até uma placa de homenagem pelo título mundial, que foi até dada pela cidade. E aqui, o treino é bem diferente do Brasil. Só se treina à tarde e faz muito pouco treino técnico. É mais treino tático, visando o jogo, e musculação. Com isso, aos poucos, eu e o Giba podemos descansar e, ao mesmo tempo, recuperar a parte física, apesar de estar treinando e jogando o tempo todo.

Você pensa em retornar ao Brasil?

A parte financeira e a motivação em um campeonato como a Itália, eu não encontro em outro lugar. Na parte financeira, apesar de a gente estar ganhando até mais ou menos, é muito para um atleta do Brasil. Ainda mais com a cotação atual do dólar. E o nível aqui é muito forte. A gente está sempre sendo testado. Temos de mostrar provar o tempo todo para o time e para a cidade que valeu o investimento na gente.

Como foi a recepção a você e ao Giba na equipe, principalmente, com os jogadores italianos?

Foi tranqüilo e eles falaram que ficaram felizes e que até torceram para a gente, depois que nós eliminamos a Itália. Sei lá se é mentira para enganar a gente (risos). Sei lá se eles ficaram felizes mesmo. Mas, eles estão sendo muito carinhosos e felizes com a gente. No ano passado, eu e o Giba fomos muito cobrados e vamos ver como será a postura da torcida e dos jogadores neste ano.

Neste ano, o Brasil tem cinco representantes no campeonato, três a mais do que na última temporada. Há a intenção de novos brasileiros serem contratados?

Sim. Eles estão interessados cada vez mais em brasileiros. Durante a Liga Mundial, eles perguntaram muitos de outros jogadores brasileiros, como o Henrique, o André, o Rodrigão, e outros que nem estavam na seleção. Mas, como a maioria dos jogadores tinha fechado contrato antes, eles (os dirigentes) não conseguiram. Agora, o que eu vejo é que eles querem muito os brasileiros aqui e estão felizes com o nosso rendimento. A porta está aberta.

Você conseguiu conversar com o Nalbert e o Dante, desde que vocês chegaram aí?

Eles ficaram de passar o telefone e vamos ver se conseguimos até marcar alguma coisa. Mas, agora é pensar no campeonato, que começa agora.

Como é a cobrança em Ferrara, já que em outras cidades da Itália (Treviso, Modena e Milão), o torcedor é muito fanático. Existe este tipo de cobrança para você e o Giba por parte da torcida?

Eles estão bastante felizes que eu e o Giba permanecemos no time. Eles estão bastante esperançosos que a gente repita o que aconteceu no ano passado, quando chegamos na semifinal, ou até o time chegar na final. Aqui, eles cobram bastante, apesar de ser um pouco mais tranqüilo que em Modena, Treviso ou Macerata, que tem timaços e estão acostumados a chegar em finais. A torcida aqui é mais conformada, mas quando a gente joga mal, eles vaiam e passam a cobrar. Isso não tem jeito.

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