|
Em sua segunda temporada na Itália, o meio-de-rede
Gustavo chegou à Ferrara com honras da prefeitura e
muita festa. O atleta e o ponta Giba receberam uma placa da
cidade, em homenagem à conquista do título mundial,
conquistado há duas semanas na Argentina. Gustavo revela
que o interesse dos italianos pelos jogadores brasileiros
cresceu a partir da Liga Mundial.
Com menos de uma semana de treino, a dupla brasileira já
estréia neste domingo no Italiano Masculino de Vôlei.
O Ferrara enfrenta o Perugia, fora de casa, e a equipe terá
a ingrata tarefa de parar o time do espanhol Rafael Pascual,
do tcheco Martin Lebl e o holandês Guido Gortzen.
Para a temporada 2002/2003, Gustavo sabe que o time do Ferrara
não está entre os favoritos, mas aponta que
a equipe tem tudo para chegar aos playoffs e, quem sabe, repetir
o desempenho da última edição, quando
o time surpreendeu o Macerata, dono da melhor campanha da
primeira fase, nos playoffs e chegou às semifinais.
Nesta sexta-feira, a reportagem da Gazeta Esportiva.Net
conversou com o campeão mundial por telefone. Veja
abaixo os principais trechos da entrevista:
Quem são os favoritos para este ano?
Macerata, Milão, Modena e Treviso, que sempre chegam
em finais e são equipes muito fortes.
E como está o Ferrara para a temporada?
O time praticamente manteve a base do ano passado. Nós
perdemos o Cuminetti e o Cernic, mas vieram o oposto da Austrália
(Van Beest), que é muito forte e alto, e ainda virá
um outro ponteiro, que é o Castellano. A equipe está
equilibrada e ainda ganhou um pouco mais de experiência,
com a ida do levantador (Boninfante) para a seleção
italiana. Ele realmente melhorou e também eu e o Giba
temos um ano a mais de experiência aqui, e podemos render
mais.
No ano passado, você teve problemas com a adaptação.
Como está para temporada deste ano?
O começo do ano passado foi muito difícil para
a gente. Eu sofri muito nos dois primeiros meses, mas agora
eu já estou melhor adaptado à comida e também
conheço um pouco da língua. Espero que no final
renda frutos melhores.
Quais são as metas para esta temporada?
Temos tudo para chegar entre os oito primeiros e depois tentar
ir mais à frente. Queremos chegar nos playoffs e também
disputar a Copa Itália, que reúne os oito primeiros
do primeiro turno.
Você e o Giba não tiveram descanso, assim
como outros atletas que estiveram no Mundial da Argentina.
Como está o trabalho na parte física e como
você está atualmente?
A gente ainda está realmente um pouco cansado, não
tivemos tempo para descansar, dar aquela parada mesmo e voltar
devagar. Mas, a satisfação está sendo
muito maior que o cansaço. Eles nos receberam super
bem, ganhamos até uma placa de homenagem pelo título
mundial, que foi até dada pela cidade. E aqui, o treino
é bem diferente do Brasil. Só se treina à
tarde e faz muito pouco treino técnico. É mais
treino tático, visando o jogo, e musculação.
Com isso, aos poucos, eu e o Giba podemos descansar e, ao
mesmo tempo, recuperar a parte física, apesar de estar
treinando e jogando o tempo todo.
Você pensa em retornar ao Brasil?
A parte financeira e a motivação em um campeonato
como a Itália, eu não encontro em outro lugar.
Na parte financeira, apesar de a gente estar ganhando até
mais ou menos, é muito para um atleta do Brasil. Ainda
mais com a cotação atual do dólar. E
o nível aqui é muito forte. A gente está
sempre sendo testado. Temos de mostrar provar o tempo todo
para o time e para a cidade que valeu o investimento na gente.
Como foi a recepção a você e ao Giba
na equipe, principalmente, com os jogadores italianos?
Foi tranqüilo e eles falaram que ficaram felizes e que
até torceram para a gente, depois que nós eliminamos
a Itália. Sei lá se é mentira para enganar
a gente (risos). Sei lá se eles ficaram felizes mesmo.
Mas, eles estão sendo muito carinhosos e felizes com
a gente. No ano passado, eu e o Giba fomos muito cobrados
e vamos ver como será a postura da torcida e dos jogadores
neste ano.
Neste ano, o Brasil tem cinco representantes no campeonato,
três a mais do que na última temporada. Há
a intenção de novos brasileiros serem contratados?
Sim. Eles estão interessados cada vez mais em brasileiros.
Durante a Liga Mundial, eles perguntaram muitos de outros
jogadores brasileiros, como o Henrique, o André, o
Rodrigão, e outros que nem estavam na seleção.
Mas, como a maioria dos jogadores tinha fechado contrato antes,
eles (os dirigentes) não conseguiram. Agora, o que
eu vejo é que eles querem muito os brasileiros aqui
e estão felizes com o nosso rendimento. A porta está
aberta.
Você conseguiu conversar com o Nalbert e o Dante,
desde que vocês chegaram aí?
Eles ficaram de passar o telefone e vamos ver se conseguimos
até marcar alguma coisa. Mas, agora é pensar
no campeonato, que começa agora.
Como é a cobrança em Ferrara, já
que em outras cidades da Itália (Treviso, Modena e
Milão), o torcedor é muito fanático.
Existe este tipo de cobrança para você e o Giba
por parte da torcida?
Eles estão bastante felizes que eu e o Giba permanecemos
no time. Eles estão bastante esperançosos que
a gente repita o que aconteceu no ano passado, quando chegamos
na semifinal, ou até o time chegar na final. Aqui,
eles cobram bastante, apesar de ser um pouco mais tranqüilo
que em Modena, Treviso ou Macerata, que tem timaços
e estão acostumados a chegar em finais. A torcida aqui
é mais conformada, mas quando a gente joga mal, eles
vaiam e passam a cobrar. Isso não tem jeito.
|