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06/03/2003
SEM PATROCÍNIO
JOGADORES
foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Kamal pede ajuda aos sócios do Palmeiras para que a equipe sobreviva

Por Claudia Andrade

Neste sábado o Palmeiras/Guaru inicia a série melhor-de-três das quartas-de-final da Superliga masculina de vôlei enfrentando a Ulbra, em Canoas. O time paulista terminou a fase classificatória em sétimo lugar e agora vai enfrentar a vice-líder. Mesmo em desvantagem estatística, o Verdão vai, é claro, tentar avançar às semifinais. Não apenas para continuar no campeonato, mas também para não antecipar uma decisão amarga para a equipe. Isso porque, a diretoria do Palmeiras já avisou que as atividades no vôlei vão acabar caso não se consiga um novo patrocínio. A atual parceria com a Prefeitura de Guarulhos começou em 2000, e o órgão já manifestou sua vontade de renovar o contrato que vence em abril. Mas, segundo o supervisor do Palmeiras, isso não será suficiente.

"O Palmeiras acha pouco dinheiro. O Mustafá (Contursi, presidente) disse: ‘acabou a Liga, se achar mais patrocínio continua, se não arrumar pára. Porque é muito gasto para o clube’", diz Carlos Kamal. "É absurdo acabar com um time que está fazendo um bom trabalho, foi vice-campeão paulista, tem jogadores como o Lorena e o Orlando entre os melhores da Superliga e já tem vaga garantida para a próxima temporada", enumera o supervisor, que está no clube há 18 anos e acompanhou o surgimento e o crescimento do time. Este aconteceu no início da década de 90, com o apoio da Parmalat, que à época, também envolvia os esportes amadores. "Em 91 o time teve acesso à divisão especial e não caiu mais", lembra Kamal.

Os recursos da empresa italiana ficaram restritos ao futebol a partir de 95 e deixaram o clube em 2000, o que resultou em uma política de corte de despesas que agora atinge o vôlei e deve se estender a outras modalidades como handebol masculino (a equipe feminina, depois de conquistar a Liga Nacional 2002, já não está mais com o Palmeiras, e deve ir para o São Paulo), hóquei, basquete, judô.

O supervisor acredita que a salvação do time de vôlei, que está com a situação mais crítica, pode estar dentro do clube. "Eu queria fazer um apelos aos sócios, aos torcedores que são empresários, que têm fábricas, que têm dinheiro, para investir no time." Ele destaca que o montante necessário para manter o vôlei é grande comparado ao que é destinado às outras modalidades do clube, mas bem menor em relação aos outros participantes da Superliga. "Os salários de dois jogadores de outro time pagam toda a nossa despesa. Proporcionalmente ", calcula Kamal. Falando em números, ele diz que os gastos ficam em cerca de R$ 1 milhão por ano, incluindo viagens, folha de pagamento, contas de luz, água.

O veterano Talmo, há três anos no grupo, aponta outra saída. "Levamos um projeto para a Unimed. Se for aprovado será ótimo", afirma o levantador de 33 anos. Ele ressalta que o clube nunca atrasou salários, mas sua experiência no vôlei o deixou acostumado às instabilidades, que não são agradáveis. "O esporte está sempre nessa indecisão e isso é desgastante."

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