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Por Claudia Andrade
O assessor avisa: 'Ele gosta que tudo passe por ele antes'.
Um jogador completa: 'Fala com o Ricardo primeiro. Ele não
quer que eu fale muito'. E o próprio Ricardo Navajas, técnico
do Suzano há mais de uma década, confirma seu estilo linha-dura
prevendo uma concentração propriamente dita, em hotel, para
a próxima semana. 'Se tudo der certo amanhã (sábado), claro',
quando a equipe enfrenta a Unisul, no quarto jogo da série
melhor-de-cinco semifinal da Superliga masculina de vôlei,
às 21 horas. O time paulista está com vantagem de 2 a 1 no
confronto.
| foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
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| Navajas: pulso firme na condução
do time |
Na concentração, o acesso aos jogadores fica ainda mais difícil,
pois até o uso do telefone é limitado. As medidas rígidas
são necessárias principalmente para os mais jovens, que ainda
carecem de disciplina. Mas ninguém se safa. "Os mais velhos
pagam pelos mais novos", admite Navajas. "O Marcelo, o Paulinho,
o Manius, o Braz já passaram por essa situação de decisão.
Mas o Ualas, o Banga, o Diaz, o Robson não", compara.
Tudo para não desviar a atenção do objetivo principal, o
vôlei. "Nessa fase não tem muito o que treinar taticamente,
só tem que corrigir o que estava errado. É muita informação
para os jogadores, tem que ter concentração total no vôlei
pelo menos nas 24, 48 horas antes do jogo", justifica o preparador
físico Jaildo Santana, o Cristal.
O ponta Manius, capitão da equipe, afirma que a adaptação
não é fácil. "No começo é estranho. Mas quem vem pra cá já
vem esperando o pior. É muito treino, muita cobrança. Mas
vale a pena. É um time que está sempre brigando pelas primeiras
posições", resume.
A rigidez é seguida também nos treinos e nos jogos, quando
Navajas manifesta seu estilo agressivo por meio de muitas
broncas e xingamentos. "Às vezes dá um branco no atleta e
tem que dar um choque para voltar", explica Cristal, que começou
no time como jogador, há 12 anos. É ele também que não reluta
em afirmar: 'Ele (Navajas) melhorou muito. Melhorou no se
fazer entender pelos atletas." Mesmo assim, admite que não
são todos os que entendem. "Muitos, quando vêm prá cá, pensam:
'o cara tá me ofendendo, não precisa disso'. Eles não sabem
que não tem nada a ver. A convivência com o Navajas fora do
ginásio é totalmente diferente."
Outros desistem ao se deparar com a rotina puxada de treinos.
"Poucas equipes treinam forte em todas as fases da competição",
diz o técnico. "Nós não temos fim de semana e temos de abdicar
de Carnaval, de Ano Novo, para fazer essas comemorações só
em abril. Muitos não entendem e vários já desistiram, mas
se deram bem lá fora, melhoraram fisicamente", completa Cristal.
Segundo ele, os treinos seguem uma periodização que é seguida
à risca e, apesar de puxada, não machuca. "Se temos algum
jogador lesionado é por acidente, e não por sobrecarga."
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