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28/03/2003
Navajas: estilo linha-dura põe Suzano perto da final
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Veja alguns dos jogadores que passaram pelo Suzano

Por Claudia Andrade

O assessor avisa: 'Ele gosta que tudo passe por ele antes'. Um jogador completa: 'Fala com o Ricardo primeiro. Ele não quer que eu fale muito'. E o próprio Ricardo Navajas, técnico do Suzano há mais de uma década, confirma seu estilo linha-dura prevendo uma concentração propriamente dita, em hotel, para a próxima semana. 'Se tudo der certo amanhã (sábado), claro', quando a equipe enfrenta a Unisul, no quarto jogo da série melhor-de-cinco semifinal da Superliga masculina de vôlei, às 21 horas. O time paulista está com vantagem de 2 a 1 no confronto.

foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Navajas: pulso firme na condução do time

Na concentração, o acesso aos jogadores fica ainda mais difícil, pois até o uso do telefone é limitado. As medidas rígidas são necessárias principalmente para os mais jovens, que ainda carecem de disciplina. Mas ninguém se safa. "Os mais velhos pagam pelos mais novos", admite Navajas. "O Marcelo, o Paulinho, o Manius, o Braz já passaram por essa situação de decisão. Mas o Ualas, o Banga, o Diaz, o Robson não", compara.

Tudo para não desviar a atenção do objetivo principal, o vôlei. "Nessa fase não tem muito o que treinar taticamente, só tem que corrigir o que estava errado. É muita informação para os jogadores, tem que ter concentração total no vôlei pelo menos nas 24, 48 horas antes do jogo", justifica o preparador físico Jaildo Santana, o Cristal.

O ponta Manius, capitão da equipe, afirma que a adaptação não é fácil. "No começo é estranho. Mas quem vem pra cá já vem esperando o pior. É muito treino, muita cobrança. Mas vale a pena. É um time que está sempre brigando pelas primeiras posições", resume.

A rigidez é seguida também nos treinos e nos jogos, quando Navajas manifesta seu estilo agressivo por meio de muitas broncas e xingamentos. "Às vezes dá um branco no atleta e tem que dar um choque para voltar", explica Cristal, que começou no time como jogador, há 12 anos. É ele também que não reluta em afirmar: 'Ele (Navajas) melhorou muito. Melhorou no se fazer entender pelos atletas." Mesmo assim, admite que não são todos os que entendem. "Muitos, quando vêm prá cá, pensam: 'o cara tá me ofendendo, não precisa disso'. Eles não sabem que não tem nada a ver. A convivência com o Navajas fora do ginásio é totalmente diferente."

Outros desistem ao se deparar com a rotina puxada de treinos. "Poucas equipes treinam forte em todas as fases da competição", diz o técnico. "Nós não temos fim de semana e temos de abdicar de Carnaval, de Ano Novo, para fazer essas comemorações só em abril. Muitos não entendem e vários já desistiram, mas se deram bem lá fora, melhoraram fisicamente", completa Cristal. Segundo ele, os treinos seguem uma periodização que é seguida à risca e, apesar de puxada, não machuca. "Se temos algum jogador lesionado é por acidente, e não por sobrecarga."

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