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Por Marta Teixeira
O caminho começou com alguns percalços, mas a mais vencedora
das duplas brasileiras de vôlei de praia está confiante para
garantir outra participação olímpica. No próximo mês, Adriana
Behar e Shelda dão início à disputa do Circuito Mundial da
modalidade. O torneio é classificatório para os Jogos. A realização
deste sonho, no entanto, pode ter um preço para o país nos
Jogos Pan-americanos.
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Número dois do ranking mundial atual, a dupla terá de superar
não apenas as adversárias na areia do Circuito internacional.
Precisará também driblar os problemas decorrentes das lesões
de Shelda.
Desde o início do ano, a jogadora enfrentou várias contusões.
"Primeiro foi um estiramento na panturrilha esquerda, depois
foi o mesmo na direita", lembra a jogadora.
Por conta disso, a dupla ficou fora de duas das seis etapas
já realizadas do Circuito Brasileiro. Mas na sexta fase, as
hexacampeãs provaram que a recuperação pode estar mais perto
do que se espera e garantiram o título, fortalecendo as esperanças
para o Mundial.
"Atualmente a Shelda está 60% por causa da lesão, mas com
certeza elas vão estar 100% para o Circuito", afirma a técnica
Letícia Pessoa, que trabalha com a dupla desde que se uniram
há oito anos. A estréia no Mundial será dia 13 de junho, na
etapa da Grécia, e Shelda também está confiante, apesar de
reconhecer que a temporada não começou como o esperado.
"Esse ano é complicado estar 100%. Tive muitas contusões.
Mas estou muito animada, quero jogar bem e espero estar em
mais uma Olimpíada", diz Shelda. Em Sydney-2000, elas chegaram
como líderes do ranking e conquistaram a prata.
Este ano, os problemas físicos atrapalharam um pouco a programação
da dupla. "O treinamento está meio defasado, mas estamos trabalhando
bastante", explica a jogadora.
Para se adaptar à nova situação, a dupla modificou até algumas
de suas jogadas tradicionais. "Cada um tem que fazer um pouco
mais", diz a parceira Adriana. "Eu tenho tentado puxar o jogo
mais para mim. Mas nossa tendência é melhorar mesmo. Faltam
alguns dias, menos de um mês, para o Circuito e estamos entrando
em um ritmo maior de treinamento".
Com patrocínio renovado por mais um ano e meio com a OuroCard,
Adriana acredita que a dupla tem mais tranqüilidade para trabalhar.
"Lá fora, você vê atletas com estrutura completamente montada
e isto é muito importante. Aqui, nós temos o material humano.
Só que falta um pouco mais de apoio", analisa. A dupla é uma
das poucas patrocinadas no circuito nacional, contando ainda
com apoio da Cebion e do Vasco.
Recordistas em vitórias no Circuito Mundial, 29 desde 1995/96,
Behar e Shelda esperam uma competição acirrada nesta temporada.
Adversárias não faltam. "A competição está crescendo, mas
elas são muito respeitadas lá fora", destaca a técnica Letícia,
que aposta no equilíbrio entre Brasil e Estados Unidos. As
norte-americanas têm nas líderes do ranking Walsh e May sua
principal força.
Adriana e Shelda aumentam esta concorrência. Shelda inclui
a Austrália entre as favoritas e Adriana vai mais longe. "O
Brasil tem sempre bons jogadores, mas há outros países como
Estados Unidos e Austrália", afirma, lembrando que outros
países têm se destacado nas últimas competições. Nesta categoria,
ela coloca Alemanha, República Tcheca, China, Holanda e Japão,
"que às vezes aparece com boas duplas. Mas a gente espera
fazer uma boa estréia".
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