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03/12/2003
Abertura
O rival a derrubar
Em busca do ouro

Por Marta Teixeira

O vôlei brasileiro de quadra garantiu serviço completo para os Jogos Olímpicos de Atenas-2004. Primeiro foram as meninas, que asseguraram a classificação para o torneio na primeira quinzena de novembro. Neste sábado (29), foi a vez da seleção de Bernardinho repetir o feito garantindo sua classificação para o torneio.

As duas vagas foram obtidas logo na primeira competição classificatória, a Copa do Mundo, disputada no Japão. As meninas do técnico José Roberto Guimarães faturaram o vice-campeonato, além da vaga olímpica. Os meninos de Bernardinho já têm a vaga e ainda comemoraram o título da Copa no Japão.

Atenas marcará a décima participação masculina em Jogos Olímpicos, ou seja, o Brasil esteve em todos os torneios desde que a modalidade foi incluída no calendário da competição pelo Comitê Olímpicos Internacional (COI).

Para o feminino está será a sétima olimpíada. Apesar de relativamente recente no programa dos Jogos, o vôlei já garantiu ao país quatro medalhas, inclusive o ouro masculino em Barcelona-1992.

Com suas vagas garantidas para a Grécia, as seleções brasileiras terão desafios diferentes nos sete meses que as separam dos Jogos. O time de Bernardinho vai trabalhar para chegar ao torneio no auge de produtividade.

A equipe tricampeã da Liga Mundial chega sempre como uma das favoritas e terá que lidar novamente com esta responsabilidade na Grécia. Com um plantel que já provou mais de uma vez permitir variadas combinações sem baixar o nível, o técnico Bernardinho chama a atenção pela qualidade como estrategista capaz de surpreender mesmo os adversários que cansaram de assistir e estudar os jogos brasileiros.

No feminino, o desafio é diferente. Depois de uma temporada conturbada, marcada pelo afastamento de várias atletas que discordavam do trabalho feito pela comissão técnica anterior, Zé Roberto assumiu o grupo com uma tarefa específica. Era sua responsabilidade reconduzir o Brasil ao patamar das principais equipes do mundo.

No Japão, o grupo deu o primeiro passo neste sentido. A parte do trabalho na Ásia foi recuperar o respeito dos outros países pelo vôlei feminino brasileiro. O vice-campeonato deixou claro aos adversários que a seleção não poderia mais ser vista como uma adversária menor, atravessando uma crise.

O problema é que o trabalho não termina aí. Mesmo com a segunda colocação na Copa, a seleção feminina voltou ao Brasil consciente que precisa evoluir se quiser sonhar com mais um pódio olímpico. "Deu para ter idéia do que precisamos ter como responsabilidade para voltar a estar entre os melhores do mundo atualmente", destaca Zé Roberto.

Bronze nos Jogos de Atlanta-1996 e Sydney-2000, a equipe tem uma meta definida até a Grécia: desenvolver um sistema de jogo que permita quebrar o esquema de jogo chinês, apontado como favorito para o ouro de Atenas.

Para o masculino, a história foi outra. A equipe de Bernardinho dominou do começo ao fim da competição, conquistando o título invicto.

Como ocorre no feminino, Bernardinho também busca a versatilidade em seus atletas nos quais espera mais evolução até Atenas. "Sabemos que se permanecermos como estamos vão nos superar", alerta. A mensagem foi bem assimilada pelo grupo, que está consciente da responsabilidade.

O veterano atacante Giovane, que já tem na coleção a medalha de ouro conquistada em Barcelona-92, sabe que a força que a equipe apresenta hoje não pode diminuir a vontade de trabalhar. "A gente não está em busca do favoritismo, mas em busca da vitória, que a gente vai colher com este trabalho", explica. "Este é um grupo muito mais maduro, que venceu e aprendeu a lidar com a vitória. É um grupo com muito mais possibilidades".

Para ele, a versatilidade é uma tendência internacional, que não pode ser ignorada. "É uma exigência do voleibol moderno. Você tem que atuar bem em tudo. Mas isto é bom porque um grupo assim tem mais possibilidades de improvisar e dar certo".

O meio-de-rede André Heller concorda. "Nas grandes seleções internacionais é difícil você encontrar um jogador que faça apenas uma coisa". Responsável pelo bloqueio e ataque, principalmente, André também toma para si a missão de diversificar capacidades. "O saque é uma arma poderosa, assim como a defesa quando fazemos as passagens".

No contexto do grupo, acabam sendo estas particularidades que determinam quem vai ganhar ou vencer uma partida. "Há seis ou sete times que a diferença fica no detalhe", lembra.

A Copa do Japão foi uma constatação da conscientização brasileira sobre este assunto. Eleito o melhor atacante do torneio, Giovane recebeu elogios do técnico também por sua atuação defensiva. "O jogo de fundo de quadra dele melhorou muito do que vinha apresentando", ressalta Bernardinho. E é nesta postura defensiva, que o treinador encara outro ponto forte do grupo. "A defesa vem do conjunto e isto é uma coisa que trouxe do feminino (Bernardinho comandou a seleção feminina por sete temporadas). Quando você defende bem tem mais chance de atacar", resume.

No masculino, assim como no feminino, o Brasil também teve seu líbero, Escadinha, escolhido como o melhor da Copa. Uma distinção que aumentou a vontade do jogador evoluir. "Sei que posso melhorar mais, defender mais. Mas isto só com treino", explica, traduzindo em palavras a dedicação que o técnico espera de seus comandados.

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