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Por Marta Teixeira
O vôlei brasileiro de quadra garantiu serviço
completo para os Jogos Olímpicos de Atenas-2004. Primeiro
foram as meninas, que asseguraram a classificação
para o torneio na primeira quinzena de novembro. Neste sábado
(29), foi a vez da seleção de Bernardinho repetir
o feito garantindo sua classificação para o
torneio.
As duas vagas foram obtidas logo na primeira competição
classificatória, a Copa do Mundo, disputada no Japão.
As meninas do técnico José Roberto Guimarães
faturaram o vice-campeonato, além da vaga olímpica.
Os meninos de Bernardinho já têm a vaga e ainda
comemoraram o título da Copa no Japão.
Atenas marcará a décima participação
masculina em Jogos Olímpicos, ou seja, o Brasil esteve
em todos os torneios desde que a modalidade foi incluída
no calendário da competição pelo Comitê
Olímpicos Internacional (COI).
Para o feminino está será a sétima olimpíada.
Apesar de relativamente recente no programa dos Jogos, o vôlei
já garantiu ao país quatro medalhas, inclusive
o ouro masculino em Barcelona-1992.
Com suas vagas garantidas para a Grécia, as seleções
brasileiras terão desafios diferentes nos sete meses
que as separam dos Jogos. O time de Bernardinho vai trabalhar
para chegar ao torneio no auge de produtividade.
A equipe tricampeã da Liga Mundial chega sempre como
uma das favoritas e terá que lidar novamente com esta
responsabilidade na Grécia. Com um plantel que já
provou mais de uma vez permitir variadas combinações
sem baixar o nível, o técnico Bernardinho chama
a atenção pela qualidade como estrategista capaz
de surpreender mesmo os adversários que cansaram de
assistir e estudar os jogos brasileiros.
No feminino, o desafio é diferente. Depois de uma
temporada conturbada, marcada pelo afastamento de várias
atletas que discordavam do trabalho feito pela comissão
técnica anterior, Zé Roberto assumiu o grupo
com uma tarefa específica. Era sua responsabilidade
reconduzir o Brasil ao patamar das principais equipes do mundo.
No Japão, o grupo deu o primeiro passo neste sentido.
A parte do trabalho na Ásia foi recuperar o respeito
dos outros países pelo vôlei feminino brasileiro.
O vice-campeonato deixou claro aos adversários que
a seleção não poderia mais ser vista
como uma adversária menor, atravessando uma crise.
O problema é que o trabalho não termina aí.
Mesmo com a segunda colocação na Copa, a seleção
feminina voltou ao Brasil consciente que precisa evoluir se
quiser sonhar com mais um pódio olímpico. "Deu
para ter idéia do que precisamos ter como responsabilidade
para voltar a estar entre os melhores do mundo atualmente",
destaca Zé Roberto.
Bronze nos Jogos de Atlanta-1996 e Sydney-2000, a equipe
tem uma meta definida até a Grécia: desenvolver
um sistema de jogo que permita quebrar o esquema de jogo chinês,
apontado como favorito para o ouro de Atenas.
Para o masculino, a história foi outra. A equipe de
Bernardinho dominou do começo ao fim da competição,
conquistando o título invicto.
Como ocorre no feminino, Bernardinho também busca
a versatilidade em seus atletas nos quais espera mais evolução
até Atenas. "Sabemos que se permanecermos como
estamos vão nos superar", alerta. A mensagem foi
bem assimilada pelo grupo, que está consciente da responsabilidade.
O veterano atacante Giovane, que já tem na coleção
a medalha de ouro conquistada em Barcelona-92, sabe que a
força que a equipe apresenta hoje não pode diminuir
a vontade de trabalhar. "A gente não está
em busca do favoritismo, mas em busca da vitória, que
a gente vai colher com este trabalho", explica. "Este
é um grupo muito mais maduro, que venceu e aprendeu
a lidar com a vitória. É um grupo com muito
mais possibilidades".
Para ele, a versatilidade é uma tendência internacional,
que não pode ser ignorada. "É uma exigência
do voleibol moderno. Você tem que atuar bem em tudo.
Mas isto é bom porque um grupo assim tem mais possibilidades
de improvisar e dar certo".
O meio-de-rede André Heller concorda. "Nas grandes
seleções internacionais é difícil
você encontrar um jogador que faça apenas uma
coisa". Responsável pelo bloqueio e ataque, principalmente,
André também toma para si a missão de
diversificar capacidades. "O saque é uma arma
poderosa, assim como a defesa quando fazemos as passagens".
No contexto do grupo, acabam sendo estas particularidades
que determinam quem vai ganhar ou vencer uma partida. "Há
seis ou sete times que a diferença fica no detalhe",
lembra.
A Copa do Japão foi uma constatação
da conscientização brasileira sobre este assunto.
Eleito o melhor atacante do torneio, Giovane recebeu elogios
do técnico também por sua atuação
defensiva. "O jogo de fundo de quadra dele melhorou muito
do que vinha apresentando", ressalta Bernardinho. E é
nesta postura defensiva, que o treinador encara outro ponto
forte do grupo. "A defesa vem do conjunto e isto é
uma coisa que trouxe do feminino (Bernardinho comandou a seleção
feminina por sete temporadas). Quando você defende bem
tem mais chance de atacar", resume.
No masculino, assim como no feminino, o Brasil também
teve seu líbero, Escadinha, escolhido como o melhor
da Copa. Uma distinção que aumentou a vontade
do jogador evoluir. "Sei que posso melhorar mais, defender
mais. Mas isto só com treino", explica, traduzindo
em palavras a dedicação que o técnico
espera de seus comandados.
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