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03/12/2003
Abertura
O rival a derrubar
Em busca do ouro
O rival a derrubar

No Japão, a seleção de Zé Roberto descobriu um novo bicho-papão nas quadras: a China da atacante Zhao Ruirui. Com 1,96m, Ruirui tornou-se o grande nome da Copa do Mundo na opinião do treinador e das jogadoras do Brasil, que tinham na força das cubanas o grande desafio em um passado recente.

Na Copa, as chinesas foram as únicas a derrotar as brasileiras e, depois do que presenciou no Japão, a seleção transformou o nível chinês em referencial e desafio a ser vencido.

'A China é o melhor time do momento. Um time que está acima dos outros', elogia Zé Roberto. 'Todo time está bem composto.' O desafio, então, é parar esta máquina.

A evolução brasileira vai exigir aplicação técnica e tática primorosa, adianta a experiente levantadora Fernanda Venturini, bronze nos Jogos de Atlanta-1996. A seleção também precisará de um trabalho físico intenso porque a cada competição as equipes adversárias compõem grupos mais altos e fortes.

Zé Roberto também tem deixado clara sua predileção por jogadoras completas, capazes de atuar bem tanto no ataque quanto na defesa. "Conversei muito com as atletas na seleção e disse que era importante treinarem tecnicamente para jogar em várias posições", explica. É esta mentalidade que ele espera de cada uma e que passou para a oposto Raquel, um dos destaques do grupo no Japão, que voltou ao Brasil com a tarefa explícita de evoluir no bloqueio e defesa. "Ela sempre teve minha confiança, mas sabe que tem o que melhorar", diz o técnico.

Em seu primeiro desafio internacional realmente difícil, a seleção agradou ao técnico para quem o time tem todas as possibilidades de fazer frente à China em Atenas.

"Pelo que vimos até agora, falta pouco. Mas temos que correr atrás", reconhece. Sonhar com uma medalha de prata não parece exagero para o técnico – que levou o time masculino ao ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona-1992. "Se fosse hoje, o Brasil entraria na briga pela medalha de prata. Mas são dez meses a mais de trabalho e temos um time experiente. Espero que todas estejam bem no momento das Olimpíadas".

No masculino, o referencial de adversário também mudou. Nos dois últimos anos, o desafio não foi vencer nem Itália nem Rússia, mas sim Sérvia e Montenegro – ex-Iugoslávia. Para o meio-de-rede André Heller, a dificuldade em enfrentar os sérvio-montenegrinos está justamente na semelhança que têm com o Brasil. "O volume de jogo", afirma categórico. "Assim como o Brasil, eles têm uma consistência de jogo muito grande".

Mas a lista de adversários perigosos cresce a cada dia. Bernardinho destaca oponentes tradicionais como Rússia e Itália, para quem o retorno do atacante Fei está sendo fundamental. A lista inclui também Polônia, Grécia, França e os Estados Unidos, "que estão crescendo". A Venezuela, que ainda não figura entre os grandes merece lembrança do treinador, que a classifica como "um time que não se pode desconsiderar e já demonstrou isto".

De olho em Atenas, os principais candidatos ao pódio recebem marcação cerrada da Sérvia e Montenegro, que convidou o Brasil para um trabalho em conjunto. "Agora eles querem se preparar junto conosco, mas eu não quero dar este mole para eles", diz Bernardinho.

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