| O
rival a derrubar
No Japão, a seleção de Zé Roberto
descobriu um novo bicho-papão nas quadras: a China
da atacante Zhao Ruirui. Com 1,96m, Ruirui tornou-se o grande
nome da Copa do Mundo na opinião do treinador e das
jogadoras do Brasil, que tinham na força das cubanas
o grande desafio em um passado recente.
Na Copa, as chinesas foram as únicas a derrotar as
brasileiras e, depois do que presenciou no Japão, a
seleção transformou o nível chinês
em referencial e desafio a ser vencido.
'A China é o melhor time do momento. Um time que está
acima dos outros', elogia Zé Roberto. 'Todo time está
bem composto.' O desafio, então, é parar esta
máquina.
A evolução brasileira vai exigir aplicação
técnica e tática primorosa, adianta a experiente
levantadora Fernanda Venturini, bronze nos Jogos de Atlanta-1996.
A seleção também precisará de
um trabalho físico intenso porque a cada competição
as equipes adversárias compõem grupos mais altos
e fortes.
Zé Roberto também tem deixado clara sua predileção
por jogadoras completas, capazes de atuar bem tanto no ataque
quanto na defesa. "Conversei muito com as atletas na
seleção e disse que era importante treinarem
tecnicamente para jogar em várias posições",
explica. É esta mentalidade que ele espera de cada
uma e que passou para a oposto Raquel, um dos destaques do
grupo no Japão, que voltou ao Brasil com a tarefa explícita
de evoluir no bloqueio e defesa. "Ela sempre teve minha
confiança, mas sabe que tem o que melhorar", diz
o técnico.
Em seu primeiro desafio internacional realmente difícil,
a seleção agradou ao técnico para quem
o time tem todas as possibilidades de fazer frente à
China em Atenas.
"Pelo que vimos até agora, falta pouco. Mas temos
que correr atrás", reconhece. Sonhar com uma medalha
de prata não parece exagero para o técnico
que levou o time masculino ao ouro nos Jogos Olímpicos
de Barcelona-1992. "Se fosse hoje, o Brasil entraria
na briga pela medalha de prata. Mas são dez meses a
mais de trabalho e temos um time experiente. Espero que todas
estejam bem no momento das Olimpíadas".
No masculino, o referencial de adversário também
mudou. Nos dois últimos anos, o desafio não
foi vencer nem Itália nem Rússia, mas sim Sérvia
e Montenegro ex-Iugoslávia. Para o meio-de-rede
André Heller, a dificuldade em enfrentar os sérvio-montenegrinos
está justamente na semelhança que têm
com o Brasil. "O volume de jogo", afirma categórico.
"Assim como o Brasil, eles têm uma consistência
de jogo muito grande".
Mas a lista de adversários perigosos cresce a cada
dia. Bernardinho destaca oponentes tradicionais como Rússia
e Itália, para quem o retorno do atacante Fei está
sendo fundamental. A lista inclui também Polônia,
Grécia, França e os Estados Unidos, "que
estão crescendo". A Venezuela, que ainda não
figura entre os grandes merece lembrança do treinador,
que a classifica como "um time que não se pode
desconsiderar e já demonstrou isto".
De olho em Atenas, os principais candidatos ao pódio
recebem marcação cerrada da Sérvia e
Montenegro, que convidou o Brasil para um trabalho em conjunto.
"Agora eles querem se preparar junto conosco, mas eu
não quero dar este mole para eles", diz Bernardinho.
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