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04/12/2003
Em era dourada, Superliga é tudo ou nada para o vôlei nacional
Com metas humildes, paulistas assistem disputa entre Minas e Sul
Favoritas, Minas e Osasco temem cansaço para competição
Giovane sai do inferno para o estrelato em um ano
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Foto: Luz Bittar/GP
Foto: Luz Bittar/GP
Ary Graça Filho (esq.), ao lado de Montanaro: patrocínio ao vôlei comemorado

Por Fernando Narazaki

Único país com vaga assegurada no torneio feminino e masculino nas Olimpíadas de Atenas-2004, atual campeão da Copa do Mundo Masculina, vice da Copa do Mundo Feminina, e dono dos títulos mundiais no juvenil feminino, e infanto-juvenil masculino e feminino. A lista de conquistas do Brasil no vôlei, apenas em 2003, mostra o momento inédito vivido pelo país.

Nas seleções, o Brasil jamais atravessou um período tão áureo de forma simultânea e os títulos não cansam de ser festejados. Mas a formação da base, os clubes, continua em um caminho sem rumo. Neste sábado, 20 equipes iniciam a disputa da décima edição da Superliga, com uma prova de fogo pela frente: aproveitar o momento e fortalecer os clubes.

Em dez anos de história, a Superliga nasceu sob o ouro olímpico em Barcelona-1992, viu o time masculino ganhar a Liga Mundial e assistiu à decadência do elenco. Dois anos depois, a seleção feminina despontou com o bronze em Atlanta-1996, que depois seria repetido em Sydney-2000, e o time firmou-se entre os melhores do mundo, com títulos do Grand Prix e o vice mundial.

Entretanto, a situação nunca foi refletida nos clubes. Em um primeiro momento, patrocinadores vinham e a Superliga inchava para, posteriormente, ver times fechando as portas, dando calotes e tudo voltava à estaca zero. Pela segunda vez, o vôlei nacional tem a sua chance de se firmar com os clubes e, desta vez, os atletas estão otimistas com o novo momento de auge da modalidade.

"É um momento interessante e o vôlei tem de aproveitar esta hora. Cometemos erros das outras vezes e espero que as pessoas tenham aprendido. Este pode ser um divisor de águas para o vôlei", explica a levantadora Fernanda Venturini, maior vencedora da competição com seis dos nove títulos disputados até hoje.

Para ela, o fato de todas as atletas da seleção feminina permanecerem no Brasil pode ajudar o vôlei neste momento. "Temos todas as jogadoras aqui e o público deve prestigiar. Isto será importante para nós", alega a levantadora, que aponta como o maior incentivo para a temporada, justamente o fato de a equipe de Osasco ter trocado a marca do patrocinador em 2003.

"A maior motivação é dar o título para o Finasa/Osasco, que começou um trabalho agora com a base do BCN. Eu quero vencer sempre e, desta vez, não será diferente, ainda mais com esta nova marca", assegura a atleta, que é dona de dez títulos nacionais, quatro deles obtidos antes da criação da Superliga.

Considerado peça-chave para que os clubes se firmem no país, o patrocínio ainda é a melhor forma de renda para a manutenção de uma equipe e recebeu atenção especial do presidente da Confederação Brasileira, Ary Graça Filho, durante a apresentação da Superliga, em São Paulo, nesta quinta-feira.

"Quero agradecer a todos os patrocinadores e clubes que fazem o nosso vôlei tão forte. Eles são responsáveis por boa parte dos nossos 144 campeões mundiais", afirma o dirigente, referindo-se aos elencos de todas as seleções campeãs, independente da categoria.

Ao mesmo tempo, a dependência do apoio financeiro de uma iniciativa privada recorreria ao erro apresentado nos últimos anos. Por isso, a parceria entre São Paulo e Ulbra está sendo vista como uma nova opção. "O caminho dos clubes de futebol é a parceria e o São Paulo teve a sorte de contar com a Ulbra do seu lado. O clube de futebol traz a torcida e isso é muito importante para qualquer modalidade. Este é o caminho", afirma o presidente do clube, Marcelo Portugal Gouvêa.

Além de criar novas opções para a manutenção de uma equipe, o vôlei também tem, pela frente, a encruzilhada de sair do eixo Sul-Minas-São Paulo-Rio. "É preciso popularizar o vôlei em outros estados. Este foi um erro e que não podemos cometer agora. Vejo uma preocupação maior de todos, tive conversas com o ministro (de Esporte) Agnelo Queiroz e ele tem essa preocupação. A nossa equipe será uma peça boa neste processo", diz a líbero Ricarda, bronze em Sydney-00, que foi um dos reforços do Brasil Telecom/Força Olímpica, de Brasília.

Masculino esvaziado - Se depender de Ary Graça, a Superliga tem tudo para ser um marco. "Temos times do Amapá sendo campeões. Estamos expandindo e o Brasil vai fortalecer muito entre os clubes", avalia. Pena que o quadro feminino não pode ser repetido no vôlei masculino, já que sete dos 12 jogadores campeões da Copa do Mundo não atuarão na Superliga.

Neste ano, a Itália levou Maurício e Rodrigão, além de revelações como Xupita, que defendeu o Banespa na última Superliga. Somado a eles, Nalbert, Gustavo, Giba e Dante continuam na Itália, enquanto Anderson permanece no Japão. O ponto favorável foi o recrutamento de André Nascimento, que atuou na Grécia. "A volta do André é importante. O nosso elenco ganhou muito e é bom para todos", diz Giovane, que será companheiro de André Nascimento no Telemig/Minas.

Além do êxito dos atletas, apenas dois estrangeiros (a norte-americana Keba Phipps, do Minas, e o argentino Milinkovic, da Unisul) estarão em ação no Brasil. "Ao mesmo tempo que abaixa o nível, a ausência de estrangeiros dá uma brecha para que os jovens mostrarem trabalho", aponta André Heller, que defenderá a Unisul.

É um ano de dilema para o vôlei. A modalidade tem sua segunda chance de aproveitar o sucesso das seleções para, enfim, escapar do discurso: "Ah, vamos rezar para aparecer um patrocinador". Os clubes agradecem...

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