| Foto: Luz Bittar/GP |
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| Ary Graça Filho (esq.), ao lado de Montanaro:
patrocínio ao vôlei comemorado |
Por Fernando Narazaki
Único país com vaga assegurada no torneio feminino e masculino
nas Olimpíadas de Atenas-2004, atual campeão da Copa do Mundo
Masculina, vice da Copa do Mundo Feminina, e dono dos títulos
mundiais no juvenil feminino, e infanto-juvenil masculino
e feminino. A lista de conquistas do Brasil no vôlei, apenas
em 2003, mostra o momento inédito vivido pelo país.
Nas seleções, o Brasil jamais atravessou um período tão
áureo de forma simultânea e os títulos não cansam de ser festejados.
Mas a formação da base, os clubes, continua em um caminho
sem rumo. Neste sábado, 20 equipes iniciam a disputa da décima
edição da Superliga, com uma prova de fogo pela frente: aproveitar
o momento e fortalecer os clubes.
Em dez anos de história, a Superliga nasceu sob o ouro olímpico
em Barcelona-1992, viu o time masculino ganhar a Liga Mundial
e assistiu à decadência do elenco. Dois anos depois, a seleção
feminina despontou com o bronze em Atlanta-1996, que depois
seria repetido em Sydney-2000, e o time firmou-se entre os
melhores do mundo, com títulos do Grand Prix e o vice mundial.
Entretanto, a situação nunca foi refletida nos clubes. Em
um primeiro momento, patrocinadores vinham e a Superliga inchava
para, posteriormente, ver times fechando as portas, dando
calotes e tudo voltava à estaca zero. Pela segunda vez, o
vôlei nacional tem a sua chance de se firmar com os clubes
e, desta vez, os atletas estão otimistas com o novo momento
de auge da modalidade.
"É um momento interessante e o vôlei tem de aproveitar esta
hora. Cometemos erros das outras vezes e espero que as pessoas
tenham aprendido. Este pode ser um divisor de águas para o
vôlei", explica a levantadora Fernanda Venturini, maior vencedora
da competição com seis dos nove títulos disputados até hoje.
Para ela, o fato de todas as atletas da seleção feminina
permanecerem no Brasil pode ajudar o vôlei neste momento.
"Temos todas as jogadoras aqui e o público deve prestigiar.
Isto será importante para nós", alega a levantadora, que aponta
como o maior incentivo para a temporada, justamente o fato
de a equipe de Osasco ter trocado a marca do patrocinador
em 2003.
"A maior motivação é dar o título para o Finasa/Osasco,
que começou um trabalho agora com a base do BCN. Eu quero
vencer sempre e, desta vez, não será diferente, ainda mais
com esta nova marca", assegura a atleta, que é dona de dez
títulos nacionais, quatro deles obtidos antes da criação da
Superliga.
Considerado peça-chave para que os clubes se firmem no país,
o patrocínio ainda é a melhor forma de renda para a manutenção
de uma equipe e recebeu atenção especial do presidente da
Confederação Brasileira, Ary Graça Filho, durante a apresentação
da Superliga, em São Paulo, nesta quinta-feira.
"Quero agradecer a todos os patrocinadores e clubes que
fazem o nosso vôlei tão forte. Eles são responsáveis por boa
parte dos nossos 144 campeões mundiais", afirma o dirigente,
referindo-se aos elencos de todas as seleções campeãs, independente
da categoria.
Ao mesmo tempo, a dependência do apoio financeiro de uma
iniciativa privada recorreria ao erro apresentado nos últimos
anos. Por isso, a parceria entre São Paulo e Ulbra está sendo
vista como uma nova opção. "O caminho dos clubes de futebol
é a parceria e o São Paulo teve a sorte de contar com a Ulbra
do seu lado. O clube de futebol traz a torcida e isso é muito
importante para qualquer modalidade. Este é o caminho", afirma
o presidente do clube, Marcelo Portugal Gouvêa.
Além de criar novas opções para a manutenção de uma equipe,
o vôlei também tem, pela frente, a encruzilhada de sair do
eixo Sul-Minas-São Paulo-Rio. "É preciso popularizar o vôlei
em outros estados. Este foi um erro e que não podemos cometer
agora. Vejo uma preocupação maior de todos, tive conversas
com o ministro (de Esporte) Agnelo Queiroz e ele tem essa
preocupação. A nossa equipe será uma peça boa neste processo",
diz a líbero Ricarda, bronze em Sydney-00, que foi um dos
reforços do Brasil Telecom/Força Olímpica, de Brasília.
Masculino esvaziado - Se depender de Ary Graça, a
Superliga tem tudo para ser um marco. "Temos times do Amapá
sendo campeões. Estamos expandindo e o Brasil vai fortalecer
muito entre os clubes", avalia. Pena que o quadro feminino
não pode ser repetido no vôlei masculino, já que sete dos
12 jogadores campeões da Copa do Mundo não atuarão na Superliga.
Neste ano, a Itália levou Maurício e Rodrigão, além de revelações
como Xupita, que defendeu o Banespa na última Superliga. Somado
a eles, Nalbert, Gustavo, Giba e Dante continuam na Itália,
enquanto Anderson permanece no Japão. O ponto favorável foi
o recrutamento de André Nascimento, que atuou na Grécia. "A
volta do André é importante. O nosso elenco ganhou muito e
é bom para todos", diz Giovane, que será companheiro de André
Nascimento no Telemig/Minas.
Além do êxito dos atletas, apenas dois estrangeiros (a norte-americana
Keba Phipps, do Minas, e o argentino Milinkovic, da Unisul)
estarão em ação no Brasil. "Ao mesmo tempo que abaixa o nível,
a ausência de estrangeiros dá uma brecha para que os jovens
mostrarem trabalho", aponta André Heller, que defenderá a
Unisul.
É um ano de dilema para o vôlei. A modalidade tem sua segunda
chance de aproveitar o sucesso das seleções para, enfim, escapar
do discurso: "Ah, vamos rezar para aparecer um patrocinador".
Os clubes agradecem...
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