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08/12/2003

Por Fernando Narazaki, enviado especial a Curitiba

O Rexona estreava Fofão e Elisângela, mas os 1.271 torcedores que foram ao ginásio do Tarumã, em Curitiba, no último sábado tiveram outro motivo para assistir ao duelo entre o time paranaense e o Brasil Telecom/Força Olímpica, na abertura da Superliga Feminina.

Ironicamente, a atração da noite era uma jogadora adversária. Sob aplausos, ela entrou na metade do primeiro set e não saiu mais. A atuação não foi das melhores, mas a oposta Leila Barros foi a mais procurada pelos fãs e o motivo não podia ser melhor: após dois anos, a canhotinha está de volta ao vôlei das quadras.

Mas o retorno esteve longe de ser um sonho. Com apenas três pontos, a atleta deixou a quadra extenuada, de cabeça baixa e desanimada. "Estou frustrada. Não consegui atacar bem e não correspondi. Levantaram umas cinco bolas para mim e só virei duas ou três. Fui muito mal", desabafa a atleta em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva Net.

Leila admite que mais do que a derrota por 3 sets a 0 (25/14, 25/20 e 25/20), a maior decepção foi sua atuação. "Eu sou muito crítica comigo mesma e não consegui atacar. Sempre fui uma jogadora de ataque e a forma como nós perdemos me chateou demais. Tivemos muitos erros bobos e eu não consegui assumir a responsabilidade", comenta.

Com duas medalhas de bronze olímpicas (Sydney-2000 e Atlanta-1996) e mais de dez anos na seleção brasileira, Leila sabe mais do que ninguém que será a grande responsável pelo sucesso da equipe de Brasília na Superliga. "Eu e a Ricarda (líbero da seleção em Sydney) somos as mais experientes e temos de chamar mesmo essa função. É lógico que o time não é só nós duas, mas temos uma boa parte. Eu preciso fazer o meu direito", diz.

A oposta acredita que a contusão no dedo foi fundamental para a fraca atuação na volta às quadras. "Eu só voltei há duas semanas e nem tive tempo de me preparar bem. Pelo menos, o jogo foi bom para saber do meu potencial. Sei que preciso melhorar muito na parte física, pois no último set, eu não conseguia nem levantar o braço. Doía muito. Mas vou compensar isso, sou uma otimista e batalhadora por natureza".

Com 31 anos, Leila ainda vive um momento inédito na carreira no Força Olímpica. "Vou ter de exercer liderança e comando pela primeira vez. Em outras equipes, sempre tive com quem dividir. Aqui, sou só eu e a Ricarda. O importante é que não estou preocupada com cobranças, mas será muito difícil fazer isso no começo", admite.

Confiante, a oposta diz que o time tem tudo para melhorar e chegar aos playoffs. "Você pode ter certeza que vou ralar muito, muito. Eu não quero mais sair humilhada assim e essa derrota será um estímulo para mim. Sempre fui assim, sei das limitações da equipe, mas vou fazer de tudo para classificar o time".

Escolha - Pelo menos, a jogadora saiu com uma certeza de Curitiba: fez a escolha certa. Leila voltou ao vôlei de quadra após dois anos de uma experiência na praia, em que atuou ao lado de Sandra Pires. Neste período, a canhotinha venceu três etapas do circuito brasileiro e foi terceira colocada na classificação geral em 2002.

A parceria com Sandra durou 20 meses e, em junho deste ano, Leila passou a jogar com Mônica Rodrigues. Era a última tentativa. Mas a dupla não vingou e Leila optou por voltar à quadra e, justamente, para defender um time de sua cidade-natal.

"Estava muito amargurada. Não tinha mais a mesma alegria. Agora, aqui eu encontrei a felicidade. A minha família está firme, estou com uma pessoa maravilhosa (o jogador de vôlei de praia Emanuel) e jogo em casa. Não me arrependo de nenhuma decisão que fiz", aponta.

Neste ano, Leila perdeu a mãe e enfrentou um dos seus piores momentos. Por isso, a canhotinha fez uma decisão claramente pessoal. "Fiqui muito mal. A morte da minha mãe abalou todo mundo e meu pai estava passando por um processo de depressão muito forte. Tive propostas de outras equipes, mas achei melhor voltar. Foi uma decisão pessoal e percebi que fiz a coisa certa. A minha família estava precisando muito de mim, e eu dela", explica.

Jogando em uma equipe modesta, Leila acredita que este fato não afetará um possível retorno à seleção brasileira. "Isso não vai comprometer. Eu procurei não pensar nisso e sim no lado pessoal. Se fizer o que posso fazer, o Zé Roberto vai saber o que fazer. Ele sabe do meu potencial", garante. Na seleção, Leila deve disputar duas vagas com Bia, Elisângela e Raquel.

Das praias, Leila prefere guardar apenas uma virtude. "Melhorei o meu passe e isso foi muito importante, pois sempre criticaram a minha fragilidade neste item", avalia. No final, depois de tantas autocríticas, a oposta finalmente volta a sorrir. Enquanto tira a bolsa de gelo que estava na coxa esquerda, Leila já pensa no programa da noite. "Quero namorar. Estou louca de saudades do Emanuel. Ele falou que me encontraria no Rio, mas me enganou. Foi uma bela surpresa e só percebi quando ele estava do meu lado na grade (que separava a torcida da quadra no ginásio). Ele é demais".

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