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03/10/2004

Por Claudia Andrade (*)

Uma transição longa e difícil, mas com final feliz. Assim técnicos e jogadoras avaliam o período de renovação da seleção brasileira feminina de vôlei para o próximo ciclo olímpico. Pelo menos três titulares despediram-se da seleção sem conquistar a sonhada medalha. As levantadoras Fofão e Fernanda Venturini e a atacante Virna diziam antes das Olimpíadas e reafirmaram depois que suas participações olímpicas estão encerradas.

Washington Alves/COB/Divulgacao
Mari, a maior pontuadora do Brasil nas Olimpíadas e símbolo da nova geração

Duas estreantes balzaquianas ainda cogitam a idéia de uma campanha para Pequim-2008. "Pela idade eu acho difícil, mas pelo físico não", afirma a oposto Bia, 32 anos. "Olimpíada é um doce que quando você prova não quer largar mais", diz Arlene, 34 anos, antecipando suas pretensões.

Sua posição de líbero pode favorecer a continuidade no grupo. Mas a concorrência deverá ser grande, vinda especialmente de duas jovens atletas: Verê, revelação da última Superliga, quando ganhou o troféu de melhor líbero, e Fabi, titular no período em que era comandada pelo técnico Marco Aurélio Motta, e que foi o destaque na posição no Grand Prix 2002.

Nesta mesma competição, a meio-de-rede Valeskinha foi eleita o melhor bloqueio, prêmio que se repetiria na Copa do Mundo do ano passado. Aos 27 anos, ela será uma das mais experientes no próximo ciclo olímpico, mesmo tendo feito sua estréia em Atenas. E já sabe o que o país vai enfrentar. "Vamos sofrer no início da adaptação, fase de um ano ou dois em que o Brasil não vai ganhar torneios, mas terá de brigar para consertar erros e se preparar para Copa do Mundo e Olimpíadas. Vai ser um trabalho árduo, que vai exigir o máximo de cada uma. Todas terão de estar dispostas e treinar além do limite", prevê.

Apesar dos problemas físicos que a fizeram disputar posição no grupo atual até o último instante, a experiência adquirida na Itália, nesta temporada, poderá ajudar Elisângela (26 anos) a estar entre as veteranas da próxima seleção. Mais novas, porém não menos experientes, Walewska e Érika (24 anos) também estarão do lado das veteranas no próximo ciclo olímpico. As três já haviam disputado os Jogos de Sydney-00, quando conquistaram o bronze, sob o comando de Bernardinho.

Por fim, as três caçulas do time de José Roberto Guimarães retratam o futuro do vôlei feminino nacional. Sassá, que completou 22 anos em setembro, foi como reserva para o Grand Prix e as Olimpíadas, mas substituiu Virna com categoria em jogos decisivos. Campeã mundial juvenil em 2001, ela passara pela seleção na época de Marco Aurélio.

Fabiana, 19 anos, tem uma característica escassa na maioria das jogadoras brasileiras: é alta, 1,94m, o que a coloca em posição de destaque no meio-de-rede. Foi campeã e melhor jogadora do Mundial Juvenil do ano passado, tempo em que se dividiu entre as seleções juvenil e principal.

Mari, 1,88m, é a grande revelação dos últimos anos. Atacante versátil, salvou Zé Roberto após a perda de Paula Pequeno, que sofreu uma grave lesão no joelho. "Ela não esteve (na seleção) nos últimos anos mas teve o maior teste da vida dela nas Olimpíadas e respondeu bem", avalia o técnico Luizomar Moura, do time de Campos e da seleção infanto-juvenil.

Se Mari pôde mostrar trabalho com o desfalque de Paula, a volta dela e de outra atleta lesionada dá esperanças ao país de manter-se forte no cenário internacional. Paula já voltou a treinar com bola, seis meses após a cirurgia, e o outro nome lembrado pela maioria das pessoas ligadas à modalidade é o de Jaqueline. Aos 20 anos, a ponta pernambucana treina para sua reestréia no vôlei, depois de mais de um ano e meio longe das quadras, por causa de duas lesões no joelho. Na final da última Superliga, ela chegou a substituir Bia contra o Minas. Nesta temporada, a pernambucana mudou de time, deixando o Osasco para defender o Rexona.

(*) Colaborou Fernando Narazaki

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