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Mudança sem sobressaltos
A renovação do time brasileiro feminino de
vôlei, desta vez, deverá ocorrer com mais tranqüilidade
do que há dois anos, quando uma renovação
forçada foi feita depois da saída de Érika,
Walewska, Raquel, Fofão, Virna, que não concordavam
com o método de trabalho do técnico Marco Aurélio
Motta, e da dispensa de Elisângela.
"Os últimos quatro anos serviram de lição
e desta vez, a mudança vai acontecer com todo mundo
apoiando, o que não foi o caso daquele momento, quando
todo mundo dizia: 'Ah, não foi para a competição
com força máxima, perdeu pra time que nunca
tinha perdido'", acredita Luizomar Moura, assistente
de Marco Aurélio.
| Fotos Wander Roberto/COB/Divulgação |
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| Novas e experientes, Sassá e Walewska (d) serão
as veteranas de 2008 |
O time que defendeu o país no Grand Prix 2002 tinha
Arlene e Karin, na faixa dos 30 anos, e as jovens Ciça,
Luciana, Sassá, Sheilla, Paula Pequeno (pontas), Valeskinha,
Marina (centrais), Fabiana Berto, Marcelle (levantadoras)
e Fabi (líbero). O resultado foi um quarto lugar. No
Mundial do mesmo ano, o Brasil conseguiu apenas o sétimo
lugar, mas Marcelle foi eleita a melhor levantadora.
No Grand Prix 2003, com Sassá, Raquel, Fabi, Fabiana,
Valeskinha, Virna, Karin, Sheilla, Paula, Fabíola,
Marcelle e Renata Colombo, o Brasil ficou em sétimo
lugar. Nesta época, o assistente de Marco Aurélio
era Antônio Rizola, ex-comandante da equipe feminina
do Minas. "Sou feminista e geriatra, ou seja, acho que
temos de valorizar as mais experientes. Mas não podemos
ficar presos a elas. A novidade dá medo e aí,
o que todo mundo faz, é jogar no que já conhece.
É claro que nenhuma renovação se faz
totalmente com novas jogadoras, mas tem que dar uma mesclada
para dar experiência às que estão chegando",
avalia.
Rizola defende a formação de um grupo com 18
jogadoras que iriam rodar e seriam mescladas com as veteranas,
ao longo dos próximos quatro anos. "Uma competição
como a BCV Cup, por exemplo, é importante? É.
Tem alto nível? Tem. Mas é uma grande oportunidade
para levar novas jogadoras, pra que elas ganhem experiência
internacional."
A meio-de-rede Valeskinha ressalta a importância da
continuidade do trabalho até Pequim-2008. "Tem
de fazer um trabalho de base, que vai surtir resultado daqui
a quatro anos. Não pode ter quebra neste período,
porque a gente já vai estar atrasada em relação
às outras equipes", alerta.
José Roberto Guimarães, que ainda não
acertou para ficar no comando da seleção brasileira,
também acha que é preciso pensar em um projeto
duradouro. "Tem que se trabalhar com ciclo olímpico.
Fazer um planejamento, preparar um calendário, observar
as jogadoras que vão compor a seleção",
enumera.
Para ele, os campeonatos estaduais, a Copa Salonpas e a Superliga
servirão de observatório em busca de novos talentos.
Mas faz questão de lembrar que é preciso dar
um tempo para as que foram a Atenas fazerem um balanço.
"Neste momento, qualquer avaliação será
prematura. Não sei se muda ou não (a seleção),
tem que ver como está a cabeça das jogadoras",
diz, cogitando a hipótese de permanência das
veteranas. E também vendo o outro lado. "E se
as outras (novatas) fizerem um excelente campeonato?",
completa.
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