Fale conosco Receba o boletim  
03/10/2004

Mudança sem sobressaltos

A renovação do time brasileiro feminino de vôlei, desta vez, deverá ocorrer com mais tranqüilidade do que há dois anos, quando uma renovação forçada foi feita depois da saída de Érika, Walewska, Raquel, Fofão, Virna, que não concordavam com o método de trabalho do técnico Marco Aurélio Motta, e da dispensa de Elisângela.

"Os últimos quatro anos serviram de lição e desta vez, a mudança vai acontecer com todo mundo apoiando, o que não foi o caso daquele momento, quando todo mundo dizia: 'Ah, não foi para a competição com força máxima, perdeu pra time que nunca tinha perdido'", acredita Luizomar Moura, assistente de Marco Aurélio.

Fotos Wander Roberto/COB/Divulgação
Novas e experientes, Sassá e Walewska (d) serão as veteranas de 2008

O time que defendeu o país no Grand Prix 2002 tinha Arlene e Karin, na faixa dos 30 anos, e as jovens Ciça, Luciana, Sassá, Sheilla, Paula Pequeno (pontas), Valeskinha, Marina (centrais), Fabiana Berto, Marcelle (levantadoras) e Fabi (líbero). O resultado foi um quarto lugar. No Mundial do mesmo ano, o Brasil conseguiu apenas o sétimo lugar, mas Marcelle foi eleita a melhor levantadora.

No Grand Prix 2003, com Sassá, Raquel, Fabi, Fabiana, Valeskinha, Virna, Karin, Sheilla, Paula, Fabíola, Marcelle e Renata Colombo, o Brasil ficou em sétimo lugar. Nesta época, o assistente de Marco Aurélio era Antônio Rizola, ex-comandante da equipe feminina do Minas. "Sou feminista e geriatra, ou seja, acho que temos de valorizar as mais experientes. Mas não podemos ficar presos a elas. A novidade dá medo e aí, o que todo mundo faz, é jogar no que já conhece. É claro que nenhuma renovação se faz totalmente com novas jogadoras, mas tem que dar uma mesclada para dar experiência às que estão chegando", avalia.

Rizola defende a formação de um grupo com 18 jogadoras que iriam rodar e seriam mescladas com as veteranas, ao longo dos próximos quatro anos. "Uma competição como a BCV Cup, por exemplo, é importante? É. Tem alto nível? Tem. Mas é uma grande oportunidade para levar novas jogadoras, pra que elas ganhem experiência internacional."

A meio-de-rede Valeskinha ressalta a importância da continuidade do trabalho até Pequim-2008. "Tem de fazer um trabalho de base, que vai surtir resultado daqui a quatro anos. Não pode ter quebra neste período, porque a gente já vai estar atrasada em relação às outras equipes", alerta.

José Roberto Guimarães, que ainda não acertou para ficar no comando da seleção brasileira, também acha que é preciso pensar em um projeto duradouro. "Tem que se trabalhar com ciclo olímpico. Fazer um planejamento, preparar um calendário, observar as jogadoras que vão compor a seleção", enumera.

Para ele, os campeonatos estaduais, a Copa Salonpas e a Superliga servirão de observatório em busca de novos talentos. Mas faz questão de lembrar que é preciso dar um tempo para as que foram a Atenas fazerem um balanço. "Neste momento, qualquer avaliação será prematura. Não sei se muda ou não (a seleção), tem que ver como está a cabeça das jogadoras", diz, cogitando a hipótese de permanência das veteranas. E também vendo o outro lado. "E se as outras (novatas) fizerem um excelente campeonato?", completa.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página