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Levantamento, altura e ponta são
maiores problemas
O novo perfil da seleção feminina brasileira
terá de lidar com alguns problemas graves. O principal
é o levantamento. Foram praticamente três ciclos
olímpicos em que apenas duas jogadoras se revezaram
como titulares na posição, Fernanda Venturini
e Fofão. Agora, elas passaram dos 30 anos e devem encerrar
suas carreiras defendendo o país. E não há
uma fila de candidatas ao cargo. Pelo menos não com
o mesmo nível das veteranas.
| Foto Wander Roberto/COB/Divulgação |
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| Quem poderá substituir a levantadora
Fernanda Venturini à altura? |
"Vai demorar um bom tempo para surgir outra jogadora
como a Fernanda Venturini, com capacidade de liderança,
visão de jogo, personalidade, capacidade técnica",
elogia Antônio Rizola, atualmente no comando da seleção
feminina juvenil. "Nós últimos 12 anos,
tirando a Marcelle, só a Fernanda e a Fofão
estiveram na seleção, e a Gisele, quando a Fernanda
estava grávida", completa.
Gisele também já passou dos 30 anos. Marcelle
está perto de completar 28, mas ainda é apontada
como principal sucessora, pela atuação que teve
no Mundial 2002, quando o Brasil terminou em sétimo
lugar, mas ela foi eleita a melhor levantadora. Quem mais?
"Fabíola, Ana Tiene, Danielle Linz", lembra
Rizola. "Carol", acrecenta a atacante Valeskinha.
Para a "rainha" Fernanda Venturini, o problema está
na formação das levantadoras, que tem sido falha.
O técnico José Roberto Guimarães acredita
que as seleções do mundo todo enfrentam este
problema.
"Há uma carência de levantadoras no mundo
todo. A chinesa (Feng) foi eleita a melhor das Olimpíadas
e depois vieram duas asiáticas (Kim, da Coréia
do Sul, e Takeshita, do Japão), que eu não são
lá essas coisas. A Fernanda foi só a quarta.
A Itália tem uma levantadora boa (Lo Bianco) e a dos
Estados Unidos (Ah Mow-Santos), é boazinha. Mas, na
minha opinião, fora de-série mesmo são
apenas a chinesa, a Fernanda e a Fofão."
Luizomar Moura, no comando da seleção infanto-juvenil,
diz buscar uma solução. "Nós estamos
focados na busca de levantadoras altas. Na seleção,
tirei uma ponta de 1,86 que foi para o levantamento, a Betina,
de 16 anos. Agora, ela tem de continuar o trabalho no clube
dela, no Rio Grande do Sul", exemplifica.
A altura é outra antiga pedra no caminho das brasileiras,
e não apenas no vôlei de quadra, mas no de praia
também. Em algumas posições, Moura vê
uma evolução. "O meio-de-rede foi onde
o Brasil mais cresceu, não só na média
de altura, mas também na qualidade das jogadoras. A
Fabiana já é uma realidade (19 anos, 1,94m)
e a Valeskinha, apesar de não ser tão alta (1,80m),
é uma jogadora extremamente rápida. Temos ainda
a Carol (1,92m), a Lígia (1,94m), a Thaisa (campeã
mundial juvenil, 16 anos, 1,95m)", conta.
Na ponta a situação é outra. "Mudamos
o perfil nesta posição. Sempre tivemos uma jogadora
de muitas força na ponta e hoje não temos mais
e sentimos falta. Mas temos outras com grande habilidade,
como a Érika e a Sassá, mas elas não
são jogadoras de 1,90m. Precisamos buscar isso não
para agora, mas para o futuro sim", aconselha Rizola.
Luizomar acredita que na próxima Superliga, muitas
jogadoras terão de assumir a condição
de ponteiras passadoras, que são raras no país
e ficaram ainda mais com a saída de muitas atletas
para o exterior. Para ele, as mais cotadas para desempenhar
bem a função são Fofinha, Juliana, Jaqueline,
Fernanda Berti e Deise.
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