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03/10/2004

Levantamento, altura e ponta são maiores problemas

O novo perfil da seleção feminina brasileira terá de lidar com alguns problemas graves. O principal é o levantamento. Foram praticamente três ciclos olímpicos em que apenas duas jogadoras se revezaram como titulares na posição, Fernanda Venturini e Fofão. Agora, elas passaram dos 30 anos e devem encerrar suas carreiras defendendo o país. E não há uma fila de candidatas ao cargo. Pelo menos não com o mesmo nível das veteranas.

Foto Wander Roberto/COB/Divulgação
Quem poderá substituir a levantadora Fernanda Venturini à altura?

"Vai demorar um bom tempo para surgir outra jogadora como a Fernanda Venturini, com capacidade de liderança, visão de jogo, personalidade, capacidade técnica", elogia Antônio Rizola, atualmente no comando da seleção feminina juvenil. "Nós últimos 12 anos, tirando a Marcelle, só a Fernanda e a Fofão estiveram na seleção, e a Gisele, quando a Fernanda estava grávida", completa.

Gisele também já passou dos 30 anos. Marcelle está perto de completar 28, mas ainda é apontada como principal sucessora, pela atuação que teve no Mundial 2002, quando o Brasil terminou em sétimo lugar, mas ela foi eleita a melhor levantadora. Quem mais?

"Fabíola, Ana Tiene, Danielle Linz", lembra Rizola. "Carol", acrecenta a atacante Valeskinha. Para a "rainha" Fernanda Venturini, o problema está na formação das levantadoras, que tem sido falha. O técnico José Roberto Guimarães acredita que as seleções do mundo todo enfrentam este problema.

"Há uma carência de levantadoras no mundo todo. A chinesa (Feng) foi eleita a melhor das Olimpíadas e depois vieram duas asiáticas (Kim, da Coréia do Sul, e Takeshita, do Japão), que eu não são lá essas coisas. A Fernanda foi só a quarta. A Itália tem uma levantadora boa (Lo Bianco) e a dos Estados Unidos (Ah Mow-Santos), é boazinha. Mas, na minha opinião, fora de-série mesmo são apenas a chinesa, a Fernanda e a Fofão."

Luizomar Moura, no comando da seleção infanto-juvenil, diz buscar uma solução. "Nós estamos focados na busca de levantadoras altas. Na seleção, tirei uma ponta de 1,86 que foi para o levantamento, a Betina, de 16 anos. Agora, ela tem de continuar o trabalho no clube dela, no Rio Grande do Sul", exemplifica.

A altura é outra antiga pedra no caminho das brasileiras, e não apenas no vôlei de quadra, mas no de praia também. Em algumas posições, Moura vê uma evolução. "O meio-de-rede foi onde o Brasil mais cresceu, não só na média de altura, mas também na qualidade das jogadoras. A Fabiana já é uma realidade (19 anos, 1,94m) e a Valeskinha, apesar de não ser tão alta (1,80m), é uma jogadora extremamente rápida. Temos ainda a Carol (1,92m), a Lígia (1,94m), a Thaisa (campeã mundial juvenil, 16 anos, 1,95m)", conta.

Na ponta a situação é outra. "Mudamos o perfil nesta posição. Sempre tivemos uma jogadora de muitas força na ponta e hoje não temos mais e sentimos falta. Mas temos outras com grande habilidade, como a Érika e a Sassá, mas elas não são jogadoras de 1,90m. Precisamos buscar isso não para agora, mas para o futuro sim", aconselha Rizola.

Luizomar acredita que na próxima Superliga, muitas jogadoras terão de assumir a condição de ponteiras passadoras, que são raras no país e ficaram ainda mais com a saída de muitas atletas para o exterior. Para ele, as mais cotadas para desempenhar bem a função são Fofinha, Juliana, Jaqueline, Fernanda Berti e Deise.

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